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Por PolitikBr I Brasília, Em 07/12/2025, 17h:40, leitura: 7 min
A história recente do Brasil — marcada por convulsões institucionais, uma tentativa de golpe de Estado, campanhas de desinformação e difamação e o mais agressivo ataque ao Estado Democrático de Direito desde 1964 — não pode ser contada sem destacar um personagem central: Alexandre de Moraes. Figura controversa para aqueles que confundem autoridade com autoritarismo e liberdade com libertinagem.
Alexandre de Moraes ascendeu, ao longo de décadas, como um jurista de formação sólida, temperamento firme e compreensão profunda da natureza das ameaças contemporâneas à democracia.
Sua escolha pelo Financial Times como um dos Heróis de 2025, na categoria dos mais influentes do mundo, não é fruto de acaso, lobby político ou mero exotismo editorial. É consequência direta de sua atuação em um momento histórico no qual a Justiça brasileira precisou assumir posições duras — e inéditas — para evitar o colapso das instituições republicanas.
A trajetória que forjou um ministro combativo
Alexandre de Moraes não surgiu como protagonista da noite para o dia. Ele se formou na tradicional Universidade de São Paulo (USP), onde também se tornou professor, consolidando cedo uma carreira de jurista com forte inclinação ao estudo do direito constitucional e administrativo.
A experiência acumulada em múltiplas frentes — como secretário de Segurança Pública de São Paulo, ministro da Justiça e membro do Conselho Nacional de Justiça — deu a Moraes uma compreensão prática do funcionamento das instituições e das engrenagens do poder. Ele conheceu por dentro os limites da autoridade estatal, as fragilidades das políticas públicas e as vulnerabilidades que permitiam que grupos organizados desafiassem a ordem constitucional.
Essa trajetória, não isenta de críticas, lhe conferiu, porém, algo essencial: envergadura institucional.
Ao ser indicado ao Supremo Tribunal Federal, chegou não como um acadêmico que observa a realidade de longe, mas como alguém que conhecia a profundidade, a complexidade, a dimensão e o peso do cargo de ministro da mais alta corte do país.
Do ministro técnico ao defensor implacável do Estado de Direito
Quando Jair Bolsonaro chegou ao poder, Moraes — e boa parte do STF — parecia desempenhar um papel convencional. Leitor atento das tensões políticas, porém, o ministro percebeu, rapidamente, que o discurso do então presidente não era retórico, mas estratégico: o ataque sistemático às urnas eletrônicas, às instituições, à imprensa e aos adversários tinha como horizonte um projeto de ruptura democrática.
O Brasil caminhava, passo a passo, rumo a um cenário que o mundo testemunhou em outras nações capturadas pelo populismo extremista — tema sobre o qual Moraes alertou publicamente ao afirmar que “o novo populismo extremista ameaça a democracia” .
Foi nesse contexto que a sua atuação ganhou notoriedade internacional.
Com decisões firmes — e inevitavelmente polêmicas — Moraes enfrentou:
- A máquina das fake news que devastou o debate público.
- A atuação coordenada de militares de alta patente envolvidos em articulações golpistas.
- Os ataques reiterados de Bolsonaro, que incentivava sua base a tratá-lo como inimigo público.
- A tentativa de golpe de Estado, desmantelada em 8 de janeiro e em operações anteriores.
Moraes se tornou, por força do momento histórico, o eixo da resistência institucional. O ministro que, para proteger a democracia, aceitou pagar o preço político de enfrentar um presidente da República, ainda no exercício do cargo, e seus apoiadores radicais.
Essa postura firme foi decisiva para que o país chegasse ao desfecho que a história certamente reconhecerá como inevitável: a condenação e subsequente prisão de Bolsonaro, condenado a 27 anos e 03 meses de prisão, por tentativa de golpe de Estado e crimes correlatos; analisada em profundidade por especialistas como um marco da reafirmação democrática brasileira .
A reação violenta do bolsonarismo — e a resiliência institucional
Como era previsível, durante o conturbado governo do ex-presidente, a extrema direita transformou Moraes em seu principal alvo. Ele foi atacado verbalmente por parlamentares como Magno Malta, que o desafiou publicamente em um ato de intimidação explícita — episódio registrado jornalisticamente como parte da escalada de agressões discursivas contra o Judiciário . Disse Malta:
“A minha palavra ao tirano Alexandre de Moraes: põe a mão em Jair Bolsonaro. Põe a mão nele. Põe a mão nele e tenta a sorte. O azar você já tem”. (Magno Malta)
A provocação ocorreu na manhã do dia 21 de julho desse ano, poucas horas após o senador e parlamentares da base bolsonarista se reunirem com o ex-presidente Bolsonaro, que, na ocasião, já enfrentava rigorosas medidas cautelares determinadas por Moraes, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições severas às suas manifestações públicas e em redes sociais.
A história mostrou que a justiça “pôs a mão em Jair Bolsonaro” o condenando, em um único processo, a 27 anos e 03 meses de prisão, como dissemos. Não se tem notícia da reação do senador Malta ao fato consumado.
A democracia “não tentou a sorte“. Ela saiu vitoriosa e revigorada com a condenação de Bolsonaro. Ao senador Malta restou somente a bravata… ao vento.
Esses ataques dos extremistas, parlamentares ou não, revelavam não apenas o ódio dirigido ao ministro, mas também a estratégia estruturada de descredibilizar o sistema de freios e contrapesos da justiça. O objetivo era simples: neutralizar o único poder da República capaz de impedir a escalada autoritária do extremismo de direita.
No entanto, os ataques não vinham apenas de políticos radicais. Parte dos militares de alta patente, – do staff do ex-presidente – atuavam ativamente na promoção da ruptura constitucional. A resposta institucional, liderada por Moraes, falou mais alta e culminou em condenações e prisões, restabelecendo-se assim a relação constitucional entre as Forças Armadas e o Poder Civil.
A vida sob intensa pressão — e o homem que não se dobrou
Foi também nesse período conturbado que o Brasil viu um lado pouco conhecido de Moraes: sua capacidade de continuar vivendo de forma tranquila, mesmo sob perseguição e ameaças.
O episódio em que ele compareceu a um jogo do Corinthians após o anúncio contra ele de sanções ilegais – Lei magnitsky – promovidas por setores nos EUA contra autoridades brasileiras — sanções posteriormente contestadas — mostrou que o ministro se recusava a viver recluso pelo medo. Foi uma demonstração de serenidade de Moraes, que assim se transformou em símbolo de resiliência democrática e de não ceder ou se intimidar com ameaças, mesmo sendo elas as de Marco Rubio e Trump.
Para desespero dos extremistas inimigos do ministro, passado esse período de maior tensão, Bolsonaro condenado e cumprindo prisão, o governo dos Estados Unidos estuda revogar as sanções impostas ao ministro e à sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O pedido para suspender as medidas foi encaminhado à Casa Branca e está sob avaliação, em meio a negociações diretas entre o Presidente Lula e Donald Trump.
Por que o Financial Times escolheu Alexandre de Moraes como herói global?
Em sua lista anual de influenciadores e “heróis”, o Financial Times apontou Moraes como uma das personalidades mais importantes de 2025, reconhecendo que, em um mundo onde democracias caem como dominós, a defesa inflexível do Estado de Direito é, em si, um ato de coragem.
A imprensa internacional observou algo que parte do Brasil custou — ou não quis — reconhecer: o país por pouco não mergulhou em uma ditadura. E a atuação do STF, especialmente de Moraes, foi crucial para impedir o desfecho desejado pelos golpistas.
A matéria que repercutiu esse reconhecimento no Brasil, publicada pelo Estado de Minas, destaca como Moraes foi retratado como uma das vozes mais firmes contra o autoritarismo, se tornando assim referência global no enfrentamento ao extremismo político contemporâneo .
O significado histórico do reconhecimento
O prêmio concedido ao Ministro Alexandre de Moraes não é uma homenagem a um indivíduo, mas a um modelo de atuação institucional. Ele representa a validação internacional de que o Brasil — apesar de todos os retrocessos dos últimos anos — resistiu. E resistiu porque as suas instituições republicanas encontraram em figuras como Moraes, a disposição de colocar o interesse público acima das conveniências e pressões políticas.
A democracia brasileira ainda enfrenta ameaças. O radicalismo não desapareceu. A desinformação continua corroendo a opinião pública. A extrema direita trabalha diariamente para reescrever a história.
Mas o reconhecimento global ao Ministro Moraes simboliza algo poderoso: as democracias não estão condenadas; elas podem — e devem — reagir.
Moraes não é celebrado por ser infalível, simpático ou consensual. Ele é celebrado porque, quando a Constituição foi atacada, ele não recuou. Ele fez cumprir a lei.
Esse artigo foi baseado em:
- https://www.em.com.br/politica/2025/12/7307393-jornal-elege-moraes-um-dos-mais-influentes-do-mundo-na-categoria-herois.html
- https://politicaemdebate.org/2025/07/31/apos-sancoes-dos-eua-alexandre-de-moraes-vai-a-jogo-do-corinthians/
- https://politicaemdebate.org/2025/11/22/a-prisao-de-bolsonaro-e-a-reafirmacao-democratica/
- https://politicaemdebate.org/2025/08/12/moraes-diz-que-novo-populismo-extremista-ameaca-a-democracia/
- https://politicaemdebate.org/2025/07/23/magno-malta-desafia-moraes-poe-a-mao-em-bolsonaro-tenta-a-sorte/
- Lei Magnitsky: EUA estudam retirar sanções contra Moraes e esposa