A Queda de Prokovsk e a Manipulação da Informação

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Por PolitikBr I Brasília, Em 18/11/2025, 19h:27, leitura: 4 min

O conflito entre a Federação Russa e a Ucrânia se tornou palco não apenas de combates militares, mas de uma verdadeira guerra de narrativas, na qual a manipulação da informação, tanto de um lado quanto do outro, é arma fundamental.

A cobertura ocidental, representada por veículos como a CNN, BBC, e outros revelam, em geral, um viés tendencioso.

A realidade no campo de batalha é que não há mais como os ucranianos continuarem a tentar defender a cidade fortaleza de Prokrovsk. Ela está virtualmente perdida, mas quando esse cenário é descrito pela CNN mundo, se nota ou o falseamento da informação ou a omissão dos reais fatos.

Desde o início da ofensiva russa para a tomada de Prokovsk, as narrativas ocidentais pintam um quadro de intensos combates urbanos e perdas crescentes para Moscou, buscando criar uma imagem de resistência ucraniana heroica em um cenário que, na prática, é muito diferente. A tática russa, ao contrário do que se divulga, tem sido a de pequenas unidades de infiltração — grupos de três a seis soldados — que se infiltram para localizar as posições ucranianas entrincheiradas, para assim, tendo as coordenadas, se realizar ataques cirúrgicos com drones, aviação, artilharia e mísseis; minimizando seu próprio custo humano.

Um ponto crucial para entender esse desequilíbrio é a discrepância nas baixas sofridas por ambos os lados. Há cerca de dois meses, as baixas ucranianas já ultrapassavam a casa dos dois milhões de combatentes mortos, segundo analistas independentes em geopolítica — um número assustador que evidencia o preço humano exorbitante pago por Kiev. No início do conflito, as baixas russas foram estimadas entre 1 para 7 e 1 para 10 em relação às ucranianas; hoje, esses índices se elevam para entre 1 para 20 e 1 para 25, refletindo uma ofensiva russa mais eficiente e seletiva.

Os relatos exagerados da CNN sobre a “intensa luta dentro da cidade” não parece corresponder à realidade; e escondem que, nessa fase do avanço Russo, a operação é mais uma limpeza estratégica, após o cerco logístico em pinça e finalmente a tomada da cidade, com o objetivo de impedir o reabastecimento de munições, armas, comida, suprimentos médicos; e a “rotação” das tropas ucranianas que ainda resistem na cidade, parcialmente destruída. Esse modo de combate em campo pelos Russos é mais lento, mas reduz confrontos diretos e evita perdas russas em massa, contrariando a cobertura midiática que tenta sugerir batalhas corpo a corpo constantes.

Além disso, se observa na notícia analisada, a minimização do valor estratégico da queda de Prokovsk, numa tentativa óbvia de moldar a percepção da opinião pública e evitar o golpe psicológico que a perda da cidade representa para o exército ucraniano. Chamar tal derrota de “batalha simbólica” desvaloriza a relevância de um centro logístico crucial, importante por suas conexões rodoviárias e ferroviárias que sustentam a defesa ucraniana no Donbass.

O comandante Robinson Farinazzo, oficial da Reserva da Marinha do Brasil, e analista militar, destaca a importância vital de Prokovsk no teatro de operações do Donbass. Segundo ele, junto com Dimitrov, forma uma aglomeração urbana essencial para o abastecimento de reforços e munições, além de ser pilar da defesa ucraniana na região. A perda dessa cidade pode deixar a Ucrânia sem apoio ocidental suficiente, uma vez que interrompe suas linhas de suprimento fundamentais.

Em nossa análise – Confisco pela UE dos Ativos Russos: Uma Ilusão de Zelensky nós também salientamos que a hesitação da União Europeia em transferir os ativos russos confiscados para Kiev – diante da virtual vitória Russa da guerra – evidencia um dilema financeiro de grande escala, cujas consequências vão além da estratégia militar, ameaçando o equilíbrio econômico global e o domínio financeiro do Ocidente, em franca decadência.

Somado a isso, a insistência em reportar que as tropas russas ainda estariam “infiltrando-se” em Prokovsk, quando praticamente já ocuparam toda a cidade, revela uma manipulação evidente para manter a percepção de resistência ativa e prolongar o moral ucraniano e o apoio internacional.

A manipulação das narrativas é uma arma que transcende o campo de batalha, e que tenta moldar as percepções locais e globais sobre o conflito, tanto de um lado quanto do outro. É tarefa da crítica rigorosa e elegante expor essas distorções para que o público compreenda a realidade multifacetada da guerra, se recusando a aceitar visões unilaterais simplistas, distorcidas e mesmo mentirosas.

A queda de Prokovsk não é apenas uma vitória militar russa; é um ponto de inflexão estratégico e geopolítico que expõe as fragilidades da coalizão ocidental e sinaliza o avanço Russo em um momento decisivo do conflito.

O custo humano, as perdas de infraestrutura, militares e humanas; e o desgaste psicológico para a Ucrânia se tornam insuportáveis. Há uma profunda desumanidade em prolongar uma resistência inútil. Um autêntico “moedor de carne“, que apavora aquele combatente que se encontra cercado e quer viver. Não morrer por nada. Esse é o dilema de Zelensky. Mas ele parece pouco ligar para quantos ucranianos ainda serão chacinados, o que tem levado milhares de homens em idade militar a fugirem para os países vizinhos, ou serem mortos tentando fugir, como a Polônia e a Romênia. É desolador tudo isso.


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