Lula diz que vai disputar o 4º mandato em 2026

Lula diz que vai disputar o 4º mandato em 2026

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Por PolitikBr I Brasília, Em 23/10/2025, 17h:40, Leitura: 6 min

Durante discurso em Jacarta nesta quinta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o anúncio que muitos aguardavam: ele pretende disputar um quarto mandato presidencial nas eleições de 2026.

“Eu quero lhe dizer que eu vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que eu estou com a mesma energia de quando eu tinha 30 anos de idade. E vou disputar um quarto mandato no Brasil”, declarou Lula, arrancando aplausos durante o evento na Indonésia.

A fala, embora breve, tem enorme peso político. Não apenas confirma a disposição de Lula em continuar conduzindo o país, mas revela também o cálculo estratégico de quem observa o vácuo oposicionista e a fragmentação da extrema direita.

Lula reforça a percepção dos analistas e do mercado de que 2026 poderá repetir o fenômeno de 2022 — uma eleição polarizada, mas desta vez com ampla vantagem a seu favor.

A energia política e o simbolismo do anúncio

O contexto do discurso — feito fora do país, durante uma agenda diplomática — não é casual. Lula quis projetar a imagem de um estadista em movimento, conectado ao mundo, que combina experiência com vitalidade.

A frase sobre “a energia dos 30 anos” não foi uma metáfora gratuita: ela ecoa no imaginário do eleitorado que o vê como símbolo de resiliência, rejuvenescido; aquele que sobreviveu à perseguição judicial, à prisão injusta orquestrada por uma parcela corrupta do judiciário, e ao ódio orquestrado nas redes sociais da extrema direita, com toda a sordidez que lhe é peculiar, e mesmo assim voltou ao poder com legitimidade e força popular.

A mensagem é dupla. Aos aliados, indica que Lula não pretende se afastar da linha de frente política tão cedo. Aos adversários, sinaliza que o tabuleiro de 2026 já tem um líder consolidado — e ele se chama novamente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pesquisas mostram Lula favorito — e a direita sem rumo

As projeções eleitorais recentes indicam que, se as eleições fossem hoje, Lula venceria no primeiro turno.

Esse cenário tem se mantido estável em diferentes levantamentos e análises políticas, como mostram os artigos do PolitikBr (“A maré positiva e os rumos da reeleição de Lula em 2026”, “2026: o vazio da extrema direita e a reconquista de Lula”, e “O efeito Lula e a falência moral da extrema direita, de Bolsonaro a Tarcísio”).

Os números refletem algo mais profundo que a mera intenção de voto: mostram a recomposição da confiança popular após o período de caos institucional, negacionismo científico e destruição das políticas sociais; algumas das marcas mais nocivas do governo Jair Bolsonaro.

Enquanto Lula retoma investimentos, gera empregos, põe, de novo, comida na boca do povo; devolve o protagonismo ao país no cenário internacional e fortalece o diálogo com o setor produtivo, seus adversários da extrema direita patinam em contradições e disputas internas.

O que a extrema direita tem a oferecer, afinal, ao trabalhador? Ao povo? Nada. Absolutamente nada.

A extrema direita governa para a minoria, para os endinheirados, que são os 1% de ricos e bilionários. É só lembrar da alta no preço da carne, um dos fatores que mais contribuíram para a inflação de alimentos durante o governo Bolsonaro, especialmente em 2020 e 2021.  

Em agosto de 2022, Bolsonaro disse: “não tem filé mignon para todo mundo“, mas seus filhos tinham. A fala, que criticava a ilusão de acesso irrestrito a alimentos caros, gerou controvérsia na época. Isso levou ao aumento da insegurança alimentar, com os brasileiros tendo que substituir a carne por ovos ou outros itens mais baratos. Os mais pobres recorreram à sopas de ossos e a busca de pelancas; restos que sobravam dos açougues dos supermercados.

No governo Bolsonaro, milhões de brasileiros mergulharam de volta na fome. É a mesma coisa que acontece agora com a Argentina de Milei, onde as pessoas em um bairro popular na periferia de Buenos Aires, oferecem verduras ou ferramentas ao longo de mais de 20 quarteirões juntamente aos “manteiros”: ambulantes que estendem uma manta no chão e vendem pertences que trazem de suas casas, objetos que recolhem do lixo.

A extrema direita, que já foi uma força unificada sob a sombra de Jair Bolsonaro, hoje se encontra desidratada, sem discurso, nem líder. Ela se digladia entre si.

Bolsonaro, condenado politicamente e pela justiça a 27 anos e 3 meses de prisão, se tornou um fantasma incômodo dentro do campo conservador.

Tarcísio de Freitas, oscilante entre disputar a reeleição para governador de São Paulo e a presidência da república, se perdeu ao mergulhar no radicalismo do bolsonarismo. Ele, embora tente agradar, de todas as formas, à Bolsonaro, de olho no seu espólio eleitoral, sofre resistência tanto da família do ex-presidente condenado, como da base bolsonarista, que o enxerga como um oportunista; Michele Bolsonaro, aposta de setores evangélicos, enfrenta rejeição fora dos templos e o escândalo das revelações bombásticas de Joice Hasselmann; Caiado não tem o apoio nem de sua coligação, e Romeu Zema ou Ratinho Jr., nomes ventilados como “terceira via”, não possuem densidade eleitoral nacional.

O resultado é um quadro de desconexão e dispersão — a extrema direita marcha, mas cada um em sua própria direção.

Talvez percebendo esse cenário é que Ciro Gomes tenha deixado o PDT e migrado para o PSDB. Afinal, ele é mais agressivo à Lula hoje do que os extremistas de direita.

Um líder que transcende a política

Lula vai completar 80 anos em 27 de outubro. Ele encarna a síntese de um Brasil que resistiu à barbárie e reencontrou a esperança. Seu nome, mais que um projeto eleitoral, se torna, de novo, o foco do projeto da continuidade do desenvolvimentismo, como opção humana do capitalismo.

O anúncio de Jacarta não é apenas uma candidatura — é a reafirmação do ideal de justiça social, soberania e reconstrução democrática.

A eleição de 2026 promete ser mais do que uma disputa por votos: será a escolha entre a continuidade de um processo civilizatório e o retorno ao abismo do autoritarismo, disfarçado de falso moralismo.

E, pela primeira vez em muito tempo, o Brasil parece ter aprendido o suficiente para não cair duas vezes na mesma armadilha.


Esse artigo foi baseado também em:

Política em Debate — O efeito Lula e a falência moral da extrema direita, de Bolsonaro a Tarcísio

Notícia Brasil — Lula diz que vai disputar 4º mandato em 2026

Política em Debate — A maré positiva e os rumos da reeleição de Lula em 2026

Política em Debate — 2026: o vazio da extrema direita e a reconquista de Lula

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