O “Homem da Coca-Cola” e a sabotagem ao Brasil

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Por PolitikBr I Brasília, Em 09/10/2025, 19h:29, Leitura: 5 min

Há um momento em que as máscaras caem. E Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo que tenta se travestir de gestor técnico e equilibrado, finalmente revelou a quem realmente serve. A recente derrota da Medida Provisória que previa a taxação dos 1% mais ricos, das bets e das fintechs, não foi um acidente político ou mera desarticulação de governo. Foi sabotagem. Fria, calculada e promovida por quem finge neutralidade enquanto age como operador dos interesses mais obscuros do capital financeiro e das elites endinheiradas.

Sim, Tarcísio foi o articulador junto ao Centrão que garantiu a vitória dos ricos e super ricos sobre o país. E não se trata de retórica: os próprios líderes do PL, partido de Bolsonaro, o agradeceram publicamente pela articulação que derrubou a MP — um gesto que, para quem acompanha a política nacional, diz mais do que qualquer discurso.

Quando o líder do PL – Sóstenes Cavalcante – agradece Tarcísio pela sabotagem, ele reconhece que o governador de São Paulo trabalhou contra o Brasil, contra o governo e, sobretudo, contra os mais pobres.

Fernando Haddad chamou o movimento de “sabotagem que prejudicará o Brasil”. E está certo. Ao impedir a taxação dos ricos e super-ricos, Tarcísio e seus aliados blindaram bilionários e empresas de apostas online, deixando o ônus fiscal para o cidadão comum, o trabalhador e o pequeno empresário. É a velha lógica perversa da elite: lucro para poucos, sacrifício para muitos.

A metáfora do “Homem da Coca-Cola”, usada por Moisés Mendes no Diário do Centro do Mundo, ganha aqui um contorno ainda mais cruel. O caso da MP mostra algo mais profundo: a ligação orgânica entre a elite econômica, os lobbies do mercado financeiro e o projeto político da extrema direita no Brasil. Essa convergência é o verdadeiro motor por trás da sabotagem. Não se trata apenas de divergência ideológica, mas de um plano de poder. Um plano que busca estrangular o governo Lula – favorito para as eleições de 2026 – inviabilizar políticas redistributivas e, assim, alimentar o discurso de “incompetência do Estado” que justifica a volta do autoritarismo de mercado. Ou seja, as mesmas políticas predatórias neoliberais que marcaram as gestões de Temer e, em especial, de Bolsonaro.

É o mesmo manual que destrói economias ao redor do mundo: fragilizar o Estado, precarizar o trabalho, diminuir os direitos sociais e programas sociais e manter intactos os privilégios das elites. A sabotagem de Tarcísio à MP não é, portanto, um ato isolado, mas uma peça dentro de uma engrenagem que visa reconduzir o país à lógica perversa — onde o povo paga muito, os mais ricos pagam quase nada – de impostos– , o “mercado” lucra e o governo serve de fachada.

Quando Lula afirma que “a derrota não é do governo, é do Brasil”, a frase é, na verdade, uma denúncia. O que se perdeu com a queda da MP não foi uma simples proposta tributária, mas uma chance real de corrigir desigualdades históricas. Tarcísio e seus aliados impediram que o país desse um passo rumo à justiça fiscal. E o fizeram de forma cínica, alegando “defesa da economia” — quando na verdade defendiam os cofres de quem sempre ganha às custas do sacrifício dos que menos tem. Dos mais pobres. Esses sim são os que pagam mais impostos.

O “Homem da Coca-Cola” sabe o que faz. Ele não age por ingenuidade, mas por convicção. Sua trajetória no Ministério da Infraestrutura sob Bolsonaro, marcada por privatizações apressadas e promessas de investimento estrangeiro, mostra sua fidelidade ao capital externo. Hoje, à frente de São Paulo, repete a receita: vender o Estado, sucatear o público, endeusar o privado.

O Brasil vive um dilema ético e político. De um lado, o governo Lula tentando corrigir a distorção social de décadas. Do outro, uma elite encastelada, representada por homens como Tarcísio, Sóstenes e tantos outros, que preferem ver o país sangrar a permitir que os ricos contribuam um pouco mais.

A extrema direita não tem nenhum projeto de país. Nada a favor do povo. O projeto mestre da extrema direita é manter intocáveis os privilégios dos mais ricos, continuar concentrando cada vez mais renda na mão de poucos, e garantir que o Brasil continue a ser submisso a potências estrangeiras, neocoloniais, como os EUA. O que ela faz é tentar, a todo custo, sabotar o governo e facilitar a vida de postulantes a 2026, como Tarcísio de Freitas. Mas o faz de uma forma desonesta, danosa, não por propostas, mas via sabotagem ao povo, que lhe paga as benesses e gordos salários.

A sabotagem não é apenas política. É moral. É a negação do pacto social. E é, sobretudo, a confissão de que serve a quem paga a conta: os bancos, os fundos de investimento, os conglomerados multinacionais, as Bet´s. O mesmo eixo que Milei obedece na Argentina.

O povo precisa entender que Tarcísio não é “gestor”, não é “técnico”, e muito menos “moderado”. Ele é o rosto amável de um projeto radicalmente elitista, que se disfarça de eficiência enquanto cava a cova social de milhões. A sabotagem à MP foi o seu grito de fidelidade: não ao Brasil, mas à elite que o patrocina.

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