Trump liga para Lula. Que mudança hem? E Eduardo? E Jair?

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Por PolitikBr I Brasília, Em 06/10/2025, 19h:50, Leitura: 4 min

Houve um tempo em que Donald Trump e Jair Bolsonaro pareciam dois lados de uma mesma moeda: populismo, negacionismo e o uso calculado da raiva como instrumento político. Pareciam — porque, nesta nova fase do tabuleiro internacional, o cálculo mudou. Trump ligou pessoalmente para Lula, em um diálogo de trinta minutos repleto de cordialidade, cooperação e pragmatismo. O gesto foi amplamente noticiado pelo Palácio do Planalto e confirmado pelo próprio Trump em sua rede social, a Truth.

A nota oficial do governo brasileiro destacou o tom amistoso da conversa, a lembrança do bom encontro entre os dois na ONU e o reconhecimento mútuo de que o Brasil e os Estados Unidos são as duas maiores democracias do Ocidente.

Lula foi direto: pediu a retirada da sobretaxa de 40% sobre os produtos brasileiros e das sanções impostas a autoridades nacionais. Trump, por sua vez, designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para conduzir as tratativas com Mauro Vieira, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin. Ambos concordaram em se encontrar em breve.

Trump, em sua mensagem pública, foi ainda mais explícito:

Tive uma ótima conversa telefônica com o presidente Lula do Brasil. Discutimos muitos assuntos, mas o foco principal foi economia e comércio entre nossos dois países. Gostei da conversa. Nossos países se darão muito bem juntos. Vamos nos encontrar em um futuro não muito distante, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.”

A mudança de tom é notável. O mesmo Trump que, meses atrás, evitava qualquer sinal de aproximação com Lula, agora fala em “ótima conversa”, “futuro próximo” e “parceria”. Não é retórica. É pragmatismo político em estado puro — o tipo de pragmatismo que Bolsonaro e seu filho Eduardo jamais compreenderão, por que são limitados.

Enquanto Trump fala em comércio, superávit e estabilidade, Eduardo Bolsonaro segue usando o mandato parlamentar para atacar as instituições brasileiras e alimentar teorias conspiratórias. Será que o tal deputado ainda não percebeu o óbvio: que nem os seus pares aguentam mais ele? Ele é um caso único, vergonhoso, deplorável. O de um deputado – ainda– em mandato que ganha salário para torpedear o próprio país — e, ironicamente, o mesmo que acreditava ser “o elo privilegiado” com o presidente norte-americano. Se enganou redondamente senhor Eduardo. Pretensão demais atrapalha. O telefonema de Trump a Lula destrói esse falso mito com a mesma facilidade com que se sopra a poeira de um velho palanque vazio.

Trump é, antes de tudo, um homem de negócios. E negócios, acima de tudo, é pressão de quem o apoia. De quem lhe “sustenta no poder“. E isso, no frigir dos ovos, fala mais alto do que ressentimentos. A nova realidade dos EUA — inflação e desemprego em aceleração pelas tarifas , um cenário interno de enfrentamento e contestação ao governo (já se começa a falar em invocar a 25a Emenda – destituição do Presidente ou de sua morte ou renúncia) , o cerco geopolítico e as tensões comerciais crescentes — obriga o republicano a buscar parceiros estáveis. O Brasil de Lula, com superávit favorável aos americanos e peso no BRICS, se encaixa perfeitamente nessa lógica. Tal movimento ainda dilui o protagonismo da China e da Rússia, ao dar maior peso político ao Brasil.

Bolsonaro, por outro lado, é um ativo tóxico. Um ex-presidente condenado a 27 anos e 03 meses de prisão, por chefiar a quadrilha que tramou um golpe de Estado contra Lula e Alckmin, e considerado até por antigos aliados “carta fora do baralho“. A extrema direita brasileira, que apostava na volta de Trump ao poder como uma espécie de redenção política, acorda agora com a dura constatação de que o “salvador americano” não moverá mais uma palha a favor Bolsonaro. E isso deve estar apavorando o “capitão” — muito menos seu filho radical pode esperar qualquer novo gesto, mesmo que vindo dos radicais trumpistas como Marco Rubio, reconhecidamente avesso à Lula.

Essa aproximação Lula–Trump marca uma virada. Mostra que Trump compreendeu o valor do diálogo mesmo com adversários ideológicos. Para o Brasil é um movimento estratégico: amplia o espaço na seara internacional, revigora o comércio exterior e reafirma que ideologias não podem ser obstáculo à parcerias produtivas.

Enquanto isso, os órfãos do trumpismo tropical perdem relevância. Perdem narrativas, perdem sobretudo a ilusão de que a política internacional se molda ao fanatismo ideológico. A ligação de meia hora entre Lula e Trump foi, no fundo, uma aula de realpolitik — daquelas que deixam os adversários sem chão.

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