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Por PolitikBr I Brasília, Em 28/09/2025, 20h:04, Leitura: 5 min
Nos bastidores da diplomacia internacional de 2025, poucas pautas suscitam tanto rumor e expectativa quanto a notícia da aproximação direta entre Luís Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O episódio, repleto de indecisões quanto ao formato — ora virtual, ora na mansão de Trump na Flórida, ora em um terceiro país — movimenta o xadrez político não só dos grandes centros, mas sobretudo do Brasil, onde sua repercussão já fragmenta e desnorteia a extrema-direita (bolsonaristas).
O que está em jogo: o Brasil autônomo e a personalização trumpista
Segundo Roberto Abdenur, ex-embaixador nos EUA, até um simples encontro fotográfico terá potencial de reconfigurar a relação de forças entre o Brasil e o governo norte-americano. Num cenário em que a Casa Branca — sob comando republicano — vem atuando para “debilitar o governo Lula e gerar condições para que em 2026 seja eleito um governo submisso aos Estados Unidos”. No entanto, a disposição de Trump em dialogar com Lula sugere um realinhamento pragmático, muito mais forte do que as velhas narrativas de antagonismo político automático.
Esse movimento atinge diretamente os interesses de Eduardo Bolsonaro e da ala mais extremista do bolsonarismo e do trumpismo, ambos articuladores de sanções e sabotagens contra o Brasil em nome de preferências ideológicas. O próprio Abdenur afirma: “Considero Eduardo Bolsonaro um traidor da pátria, expressão, aliás, usada também por Lula”, sem mencionar articulistas como o jornalista Josias de Souza e tantos outros.
Ao abrir a possibilidade do diálogo direto, Trump impõe uma derrota estratégica aos operadores brasileiros da extrema-direita, tanto internamente quanto no Brasil, forçando, na prática, o isolamento de Eduardo Bolsonaro e de seu grupo radical. Se Lula já vinha se beneficiando eleitoralmente da cruzada de Eduardo Bolsonaro contra o próprio país – prá desespero de seu pai, do pastor Silas Malafaia, do presidente do PL, e de tantos outros – essa articulação entre Trump e Lula muda os polos de influência do próximo ciclo eleitoral.
Se esse encontro entre Lula e Trump for exitoso, óbvio que isso fortalece as pretensões de Lula para disputar um possível quarto mandato em 2026. E, claro, Trump sabe disso. Então os frutos dessa negociação tem que ser um “ganha-ganha”.
Aliás, se as eleições fossem hoje, Lula venceria todos os adversários potenciais da direita moderada, se ela ainda existe, e da extrema direita: Tarcísio de Freitas – que diz que não irá disputar. Quem acredita? – Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Ratinho e qualquer um presidenciável, nesse momento.
A tática trumpista e o xadrez econômico
Trump opera a política externa com personalismo brutal e lógica comercial: calcula, pondera ganhos imediatos, não esconde simpatias e desafetos. Para o Brasil, isso abre um novo ciclo de possibilidades: do debate sobre tarifas, passando por “big techs”, acordos sobre terras raras, inteligência artificial e o papel do país nas cadeias globais de valor, talvez um assento no Conselho de Segurança da ONU junto com a Índia, proposta essa recente de Lavrov na Assembleia Geral desse ano.
Apesar do interesse evidente dos EUA, o Brasil de Lula é respeitado porque resiste e negocia com soberania. Não se submete. É por isso que mesmo gestos mínimos, como uma fotografia ou um afago amigável, tem enorme peso nas expectativas e nas narrativas públicas. E isso, claro, deixou de acontecer durante o governo do extremista – e condenado – Jair Bolsonaro, em que o Brasil perdeu todo o seu protagonismo internacional.
O efeito simbólico e o derretimento da extrema-direita
Na política nacional, a simples notícia da reunião entre Lula e Trump embaralha o discurso da oposição bolsonarista. Eduardo Bolsonaro sempre apostou na aliança automática com Trump como via para ampliar influência e intimidar adversários internos. Ao buscar Trump um canal institucional direto com Lula, “tende a se reduzir a influência não só de Eduardo Bolsonaro: existe uma facção no governo Trump que é extremista à direita e que trabalha pela agressividade contra o Brasil (Marcos Rubio)”. E, no tabuleiro eleitoral, imagens de Lula e Trump juntos, ainda que sem acordos substantivos, desmobilizam o bolsonarismo e sinalizam um Brasil capaz de negociar no mais alto nível de poder global.
O efeito “escanteio” é central: “essa disposição de Trump em dialogar com Lula, se for bem aproveitada, pode inverter o jogo e fazer com que os Estados Unidos e o Brasil passem a ser parceiros”, desafia Abdenur. Para nós, isso é esperar demais vindo de Trump. Entretanto, políticas populistas e agressivas perdem tração quando a institucionalidade prevalece e as pontes negociais bilaterais são retomadas.
O encontro dos dois líderes é uma lição às elites submissas e aos “vira latas” internos. O Brasil de Lula não aceita ser submisso, ser chantageado pelos EUA ou por qualquer outro país para continuar crescendo, enriquecendo. No jogo da geopolítica ser respeitado é fundamental. Negociar sim. Dialogar sim. Mas de igual para igual.
O encontro Lula-Trump é uma bomba atômica na extrema-direita, dependente de figuras externas e de discursos de guerra. O bolsonarismo está cada dia mais enfraquecido em virtude da condenação de Jair Bolsonaro – que se dizia que nunca seria condenado. É mesmo? Foi – e quase neutralizado, perdido em discussões internas ao movimento. Isso se dá em função de uma política nacionalista, sintonizada com os interesses reais do país que o atual governo vem promovendo, ao longo desses anos, apesar de todas as pressões e turbulências internas e externas.
Esse artigo foi baseado em:
https://www.cartacapital.com.br/politica/encontro-trump-lula-pode-
escantear-eduardo-e-mudar-o-panorama-de-2026-diz-ex-embaixador-nos-eua/
https://politicaemdebate.org/2025/09/28/performance-de-lula-na-onu-em-
defesa-do-brasil-desorienta-a-extrema-direita/
https://politicaemdebate.org/2025/09/26/josias-de-souza-eduardo-
bolsonaro-ladrilhou-seu-proprio-caminho-para-o-inferno/


