Vandalismo no 08 de janeiro de 2023 em Brasília. Radicais da extrema direita, à semelhança dos EUA no 06 de janeiro de 2021, invadem a Esplanada, vandalizam, depredam, saqueiam o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF. Era o ápice da tentativa de golpe de estado contra os vencedores das eleições de 2022, Luís Inácio Lula da Silva (presidente) e Geraldo Alckmin (vice).
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Por PolitikBr I Brasília, Em 25/09/2025, 19h:54, Leitura: 4 min
O Senado selou, com rara unanimidade, o enterro da infame PEC da Blindagem ou da bandidagem, como já vinha sendo chamada pelos brasileiros manobra tão suja. O Brasil disse “não” ao projeto que buscava dar carta branca à impunidade parlamentar, blindando deputados e senadores contra qualquer responsabilização judicial durante o mandato.
As ruas mostraram que a sociedade não aceita regras feitas sob medida para proteger políticos investigados por crimes, golpes ou corrupção. E esse recado ecoa, agora, sobre a próxima pauta de interesse direto do centrão: a chamada “PEC da Anistia”. O nervosismo, entretanto, reina entre os líderes da Câmara e os operadores do fisiologismo parlamentar — e com razão. Afinal, em peso, a opinião pública é contra anistiar golpistas, dentre eles Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 03 meses de prisão. Mas os fisiológicos do chamado centrão, que seria justo os chamar de “espertalhões de plantão”, tentam ignorar o clamor popular em sua sanha de se beneficiar, de uma forma ou de outra, desse momento político, avesso ás pretensões descabidas deles.
A PEC da Anistia, em sua versão original, criava uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelo envolvimento na tentativa de golpe de Estado contra o vencedor das eleições de 2022, Luís Inácio Lula da Silva; e nos ataques antidemocráticos subsequentes, em especial, o 08 de janeiro de 2023.
E não poderia se esperar nada diferente de extremistas de direita e de oportunistas: Parlamentares bolsonaristas e grupos do centrão querem reescrever a história e reabilitar aliados, generais, financiadores civis e políticos já punidos, desrespeitando as decisões da justiça. A proposta, no entanto, enfrentou e enfrenta a rejeição da opinião pública, que eles também pretendem desrespeitar. Assim, aprovada a tramitação em regime de urgência, em uma manobra vergonhosa da Câmara, o relator, deputado Paulinho da Força, percebeu que tal PEC infame teria o mesmo destino que teve a PEC da Blindagem, que acabou sendo rejeitada pelo Senado. Ele então “desidratou” o texto e o rebatizou: agora, ela se chama “PEC da Dosimetria”, o que em nada agradou aos mais radicais da extrema direita, que viram nessa manobra, uma vitória do STF.
A nova versão da PEC da Anistia não prevê mais uma anistia total, mas sim uma redução nas penas e eventuais flexibilizações processuais para condenados. Mas é, no fundo, uma anistia disfarçada. Sai o perdão irrevogável, entra a diminuição do tempo de prisão e das restrições jurídicas — tentando apaziguar críticas, mas mantendo o privilégio de impunidade seletiva. A manobra, longe de convencer a sociedade, aumentou a desconfiança, pois transfere o debate da absolvição para a da “diluição do castigo”. Uma cretinice e um cinismo absurdos.
A elite do centrão já antecipa, entretanto, um cenário desastroso: a repetição da derrota da PEC da Blindagem, com o Senado pronto para rechaçar a PEC da Dosimetria. O projeto, re-elaborado por Paulinho da Força, enfrenta resistência não apenas entre os senadores, mas também dentro da Câmara, onde as lideranças já discutem se devem priorizar a votação sobre a isenção do IR, antes de entrar na questão dos condenados pela tentativa fracassada de golpe. A reunião de conciliação entre os presidentes das Casas e o relator foi cancelada, sinalizando tensão e desorganização institucional.
O medo é claro: o desgaste político pode alvejar de vez as lideranças do centrão às vésperas de votações essenciais, enfraquecer ainda mais o “bloco da impunidade” e fortalecer a pressão da sociedade sobre o Congresso, que deve escolher entre os interesses dos punidos pela tentativa fracassada de golpe e as necessidades reais dos cidadãos.
A rejeição da PEC da Blindagem mudou o clima político: a “blindagem da vergonha” uniu a sociedade, os movimentos sociais e até parlamentares independentes contra o retrocesso institucional. Agora, o debate sobre “dosimetria” revela a tentativa de suavizar o crime — mas sem perder de vista que, em essência, se trata do mesmo truque legislativo: salvar cúmplices, proteger aliados e dar sobrevida ao golpismo. O risco de derrota da nova PEC envolve não apenas a desmoralização do centrão, mas o fortalecimento das agendas de justiça e de transparência legislativa que o Brasil cobra, desde as ruas, das redes e, esperamos, que cobre nas urnas.
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