Macron para Lula: “Você é um grande guerreiro”

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Por PolitikBr I Brasília, Em 24/09/2025, 20h:17, Leitura: 4 min

A 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas não foi apenas mais uma edição protocolar do evento que anualmente reúne líderes mundiais. Para o Brasil, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a sessão deste ano ganhou um contorno simbólico. Ao lado de sua fala firme na abertura — tradição brasileira desde Oswaldo Aranha em 1947 —, Lula recebeu uma declaração inesperada e carregada de significado: Emmanuel Macron, presidente da França, se dirigiu a ele e disse: ” E vi seu discurso”, e a seguir chamou Lula de “um grande guerreiro“. Os dois líderes andaram de braços dados, mostrando a sintonia das agendas entre o Brasil e a França.

Esse gesto não deve ser visto apenas como cortesia diplomática. Macron, líder de um país com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, escolheu a expressão de forma calculada. Ao chamar Lula de guerreiro, o francês reforça a imagem de um presidente que, apesar das turbulências internas, consegue projetar a sua liderança no palco internacional, clamando por uma nova ordem multilateral.

Lula tem se posicionado como mediador em conflitos e como voz do Sul Global. Em seu discurso de abertura, ele destacou: “O mundo não aguenta mais guerras. É hora de escolhermos o caminho da paz”. A fala, direcionada tanto à guerra na Ucrânia quanto ao crescente conflito no Oriente Médio, busca reafirmar a tradição diplomática brasileira de defesa do multilateralismo e da paz mundial.

Raízes do discurso de Lula

O discurso de Lula na ONU não brotou do nada. Ele foi fruto de uma trajetória histórica do Brasil na arena internacional. O país sempre buscou se apresentar como voz dos emergentes, com uma narrativa de independência em relação às grandes potências, mas ao mesmo tempo de busca por reconhecimento como ator indispensável nas negociações multilaterais.

Essa linha foi reforçada em trechos como: “É inaceitável que ainda não consigamos reformar o Conselho de Segurança da ONU, que continua a refletir o mundo de 1945, e não o de 2025”.

Lula também reiterou a urgência do mundo combater as desigualdades globais e de enfrentar a crise climática, pontuando: “Enquanto milhões passam fome, a humanidade gasta trilhões em armamentos. Essa equação é imoral e insustentável.”

Lula, Macron e a diplomacia como campo de batalha

O elogio de Macron, chamando Lula de guerreiro, deve ser entendido num duplo sentido. Primeiro, como reconhecimento pessoal de sua trajetória política: líder sindical perseguido, um presidente que voltou ao poder após a sua prisão, vítima de perseguição judicial (lawfare), e como sobrevivente político de uma das maiores campanhas de difamação já vistas na política não só latina, mas mundial. Segundo, como leitura estratégica: Macron enxerga em Lula um aliado para a tentativa de se reequilibrar a ordem mundial, em acelerado processo de erosão, fruto da agressividade e pela subversão de regras, que vem sendo promovida pelo presidente Donald Trump. Coroar Lula como “guerreiro” é, ao mesmo tempo, reconhecê-lo como peça-chave e transferir a ele parte da responsabilidade de ser voz ativa na reforma da governança global.

Uma visão integrada

A fala de Macron e o discurso de Lula na ONU – que você pode ler na íntegra nesse link – convergem para um ponto central: a política internacional é antes de mais nada disputa de narrativas, e Lula vem construindo com justiça a narrativa de que o Brasil e todo o sul global são atores indispensáveis na busca pela paz e por reformas buscando um sistema multilateral. Macron, ao reconhecê-lo, reforça essa visão.

O gesto, portanto, vai além da diplomacia de ocasião. É simbólico. É histórico. E coloca o Brasil — novamente — na posição de protagonista global. Oportunidade desperdiçada, destruída, pelo governo anterior do inepto Jair Bolsonaro, agora condenado a 27 anos e 03 meses de prisão, justamente, pela tentativa fracassada de um golpe de estado contra Lula. Um guerreiro. Sem dúvida nenhuma.


Esse artigo foi baseado em:

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