As relações entre os Estados Unidos e o Canadá, já abaladas pelas investidas de Trump sobre anexação territorial e hostilidades comerciais, chegaram ao fundo do poço com a nova ofensiva sobre a indústria naval canadense. Trump exigiu que o Canadá gaste cerca de US$ 20 bilhões em estaleiros dos EUA para a produção de submarinos que irá substituir a frota já obsoleta, tentando transformar uma necessidade de defesa legítima do Canadá em mais uma peça de sua famigerada agenda “America First” — subordinação forçada, chantagem industrial e um impulso geopolítico tosco e colonialista.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 11/09/2025, 11h:54, Leitura: 2 min

O governo canadense, liderado por Mark Carney, rechaçou solenemente o pedido. Oficiais de Ottawa deixaram claro que seria um erro entregar o maior contrato militar da história do país ao vizinho instável, vulnerabilizando tanto a política industrial doméstica quanto a segurança nacional em troca de favores duvidosos. O Canadá escolheu para essa mega aquisição dois gigantes internacionais: a alemã Thyssen Krupp e a coreana Hanwha, consolidando seu setor de defesa como polo de soberania, diversificação tecnológica e estratégia de autonomia. A escolha de parceiros fora dos EUA evidencia o cansaço diante das pressões tarifárias, do protecionismo e das ameaças rotineiras vindas de Washington.
A tentativa de Trump de impor a sua vontade ao Canadá vai além do desejo de se criar empregos através desse contrato. Ela mostra a intenção de abortar o claro declínio da capacidade dos EUA em manter seus antigos aliados “na linha” — seja pela política industrial, seja pelos ataques à própria segurança coletiva da OTAN. As consequências dessa abordagem de risco, no entanto, tem se mostrado desastrosa: estaleiros americanos perderam contratos em negociação, sindicatos do setor naval lamentam oportunidades perdidas e o debate sobre fragmentação de cadeias de defesa ganha força na Europa e na Ásia.
O Canadá, que já não pode contar com os EUA nem como parceiro comercial nem como aliado estratégico, reforça a aposta na regionalização das cadeias produtivas, buscando maior resiliência diante dessas crises.
A crise EUA-Canadá, desde que Trump assumiu o poder, é sintoma de uma nova era: aliados tradicionalmente submissos mudam de rumo, priorizam seus interesses nacionais e contribuem para o enfraquecimento do poderio global dos Estados Unidos. Trump, ao tentar transformar o Canadá em extensão industrial de seu projeto político, só acelera a fragmentação que ele próprio teme — as alianças do sistema multilateral.
