A hora da verdade do golpismo: O julgamento de Bolsonaro

Hoje começou no Supremo Tribunal Federal o julgamento de Jair Bolsonaro e mais sete cúmplices da tentativa de golpe de Estado contra o vencedor das eleições presidenciais de 2022, Luís Inácio Lula da Silvade. O processo, que já entra para a história como divisor de águas, marca o momento em que o Brasil confronta, de forma institucional, aqueles que tentaram subverter a Constituição e instalar um regime autoritário.

Além de Bolsonaro, no banco dos réus temos ainda: Anderson Torres, general Augusto Heleno, general Braga Netto, general Paulo Sérgio Nogueira, Almirante Almir Garnier, Alexandre Ramagem e o tenente coronel Mauro Cid.

O processo é o maior já enfrentado por um ex-presidente desde a redemocratização, e a expectativa é pela condenação exemplar, não só de Bolsonaro mas de todo seu aparato militar e político que aderiu à aventura golpista.

PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 02/09/2025, 18h:53, Leitura: 4 min

Réus ausentes e a simbologia da covardia

Logo de saída, o espetáculo da ausência: Bolsonaro não compareceu nesse primeiro dia de seu julgamento ao STF. Ao seu lado, no esvaziamento simbólico, também ficaram de fora nomes centrais da trama: o general Augusto Heleno, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o almirante Almir Garnier. Todos escolheram fugir da exposição ao vivo, e estão sendo representados por seus advogados. Braga Netto assiste do presídio no RJ, e Mauro Cid será acompanhado por videoconferência.

A ausência física desses réus é um retrato da fraqueza e do medo da responsabilização — é inútil tentar salvar imagens já irremediavelmente destruídas, longe do escrutínio público. A ausência pode ser vista também como um gesto político de quem sempre agiu nas sombras, insuflando seguidores e instigando o caos, mas incapaz de sustentar a farsa diante da Justiça.

Expectativa: condenação de Bolsonaro e militares

Segundo apuração, até a própria cúpula do Exército já admite que todos os militares réus devem ser condenados, junto com Bolsonaro. É a tentativa tardia de preservar alguma imagem institucional, após o vexame de quartéis servindo de acampamento golpista.

A estratégia dos comandantes é a de “salvar a farda”. Mas o estrago já foi feito: o pacto de 1988, que proibia intromissões militares na política, foi violentado por militares formados em uma escola do tempo acostumados à doutrinas de golpes e de desprezo pela autoridade dos civis.

O comandante do Exército Tomás Paiva proibiu atos políticos em quartéis durante o julgamento, sinalizando que não haverá proteção corporativa nem espaço para manifestações golpistas — uma demonstração de que as Forças Armadas pretendem virar a página do bolsonarismo e recuperar a institucionalidade perdida depois do 8 de janeiro.

Penas e consequências

Os réus respondem por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático, golpe de Estado, dano grave contra o patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. Se condenados, as penas podem passar de 30 a 40 anos de prisão.

Apesar da infrutífera coerção e ingerência de Trump, e da sórdida campanha anti patriótica de Eduardo Bolsonaro – que, nos EUA, continua recebendo os salários como deputado federal pagos pelo erário público, um acinte ao povo brasileiro -, e dos bolsonaristas no parlamento, Jair Bolsonaro chegou a esse momento fragilizado, em prisão domiciliar, vigiado pela polícia do Distrito Federal e da Polícia Federal diante da possibilidade de fuga; abandonado por antigos aliados, e com a narrativa de vítima se esfarelando.

O julgamento de Bolsonaro e de seus associados do chamado núcleo central não é apenas sobre ele, mas sobre o destino da democracia brasileira: se o STF recuasse o país mergulharia em uma era de permissividade golpista.

A percepção popular: a maioria já vê Bolsonaro como culpado

Um termômetro desse momento é a última pesquisa de opinião da Quaest, que mostra que 52% dos brasileiros acreditam que Bolsonaro participou da tentativa de golpe. E, para 55%, a prisão domiciliar é uma punição justa .

Os números desmontam o mito de que o ex-presidente ainda teria apoio majoritário. O bolsonarismo resiste como seita, mas não mais como força hegemônica. A opinião pública já o reconhece pelo que é: um conspirador fracassado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *