
PolitikBr comenta a newsletter do Intercept Brasil, assinada pelo jornalista Leandro Becker, que traça um guia sobre o julgamento histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 01/09/2025, 18h:01, Leitura: 3 min
Logo de início, Becker ironiza:
“O grande dia em que Jair Bolsonaro vai ser um golpista condenado nunca esteve tão perto.”
Mas adverte que a cerveja para comemorar deve ser guardada para dois momentos: a condenação e, algum tempo depois, a prisão definitiva, já que os recursos protelatórios inevitavelmente atrasarão o desfecho.
O julgamento: datas e crimes
O roteiro: “o julgamento começa nesta terça-feira, 2 de setembro, mas só deve terminar na próxima semana”. A 1ª Turma do STF, composta por cinco ministros — Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino — será responsável por analisar os cinco crimes atribuídos a Bolsonaro:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado por violência e grave ameaça e
- Deterioração de patrimônio tombado.
Becker observa:
“Para ser condenado pela trama golpista, basta o voto de 3 dos 5 ministros.”
Recursos: a velha estratégia de protelar
A prisão imediata é improvável.
“O fim do julgamento não significa o trânsito em julgado do processo. Hoje, o entendimento do STF é que a prisão só deve ocorrer após o trânsito em julgado.”
Bolsonaro poderá lançar mão dos embargos de declaração — para alegar supostas contradições — e dos embargos infringentes, que só prosperam em caso de votação apertada (3 a 2).
Becker lembra:
“Na prática, a única possibilidade de os embargos infringentes reverterem uma punição é se Bolsonaro for condenado pela 1ª Turma por 3 a 2 nos cinco crimes.”
Ou seja, a chance de absolvição é mínima.
Quando Bolsonaro será preso?
No melhor cenário, a condenação se dará até 12 de setembro e a prisão, após o trânsito em julgado, entre outubro e novembro de 2025. No pior, se houver pedido de vista, a decisão pode ser empurrada para 2026, às vésperas da eleição.
Becker sintetiza:
“No melhor cenário, Bolsonaro será condenado pelo STF até 12 de setembro, e o trânsito em julgado ocorrerá entre a segunda quinzena de outubro e o começo de novembro, quando, então, ele irá para a cadeia.”
O bolsonarismo diante do inevitável
O interessante de todo esse processo judicial é como ele desmonta a falsa aura de invencibilidade que ainda cerca Bolsonaro. Não há espaço para heroísmo ou narrativa de mártir: o processo é claro, as provas são contundentes e a lei, finalmente, está sendo aplicada.
O bolsonarismo, que sempre usou a mentira como escudo, agora enfrenta a realidade dura: a cadeia. E o país, cansado da chantagem golpista, se prepara para virar a página da impunidade de vez.


