O jornalista João Filho, no Intercept Brasil, em sua newsletter ” Nikolas Ferreira mentiu e ajudou o PCC“, descreveu na sua visão como o deputado bolsonarista – extremista de direita – Nikolas Ferreira desempenhou um papel decisivo — ainda que indireto — no fortalecimento da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), via a lavagem de bilhões de reais ilegais usando uma fintech. A conexão não se deu por meio de malas de dinheiro, mas pela política da mentira: a cruzada contra o Pix e contra os mecanismos de controle que poderiam ter freado a ascensão financeira da maior facção criminosa do país.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 30/08/2025, 16h:36, Leitura: 4 min

“Nikolas Ferreira mentiu e ajudou o PCC”
Logo no início do texto João Filho diz:
“Nikolas Ferreira mentiu e ajudou o PCC. Não se sabe se ele teve intenção, mas é fato que sua cruzada desonesta sobre o Pix favoreceu o grupo que virou uma multinacional do crime.”
Eis o ponto: não importa se houve dolo ou não, a consequência foi real. A retórica bolsonarista contra a Receita Federal abriu brecha para que bilhões fossem lavados por fintechs associadas ao PCC.
O vídeo que derrubou a fiscalização
Em janeiro, Nikolas publicou um vídeo em tom alarmista:
“O governo vai fiscalizar e tributar todas as operações do Pix”.
Era mentira. O que a Instrução Normativa da Receita Federal determinava era a comunicação de operações acima de R$ 5 mil no Pix e R$ 15 mil em transações empresariais, exatamente para monitorar movimentações suspeitas. Ao distorcer a medida, Nikolas transformou fiscalização em “perseguição ao trabalhador informal”.
Resultado: a mobilização digital bolsonarista obrigou o governo a recuar. A norma durou apenas 15 dias.
Vitória do bolsonarismo, vitória do PCC
João Filho relembra como os aliados comemoraram:
- André Fernandes (PL-CE): “Parabéns ao grande Nikolas Ferreira”.
- Gustavo Gayer (PL-GO): “O governo arregou por causa de vocês”.
Para eles, foi vitória política. Para o PCC, foi o salvo-conduto para operar sem o incômodo da fiscalização.
O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, cravou:
“As operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras.”
O PCC como multinacional do crime
A investigação que resultou na operação Carbono Oculto mostrou que o PCC já não vive apenas do tráfico de drogas.
- Atua no setor de combustíveis, comprando postos, usinas de etanol e intimidando produtores rurais.
- Transaciona imóveis, participa de fundos de investimento e usa fintechs próprias para lavar dinheiro.
- Ganhou sofisticação e capilaridade: empresas de fachada espalhadas pelo país, contratos públicos fraudulentos e influência política.
Nas palavras de João Filho:
“O PCC se tornou uma multinacional do crime, incrustado na economia formal e certamente com poder de influência sobre políticos brasileiros.”
A contribuição bolsonarista
O Intercept lembra ainda como o “liberou geral” das armas no governo Bolsonaro beneficiou o PCC:
- O custo de fuzis caiu de R$ 35–59 mil no mercado paralelo para R$ 12–15 mil com nota fiscal.
- Graças ao afrouxamento no registro de CACs, armas passaram a ser adquiridas legalmente por laranjas.
O promotor Lincoln Gakiya resumiu: o PCC passou a comprar metralhadoras “no balcão da esquina” em vez de depender do Paraguai.
Nikolas e o trenzinho da canalhice
Nikolas Ferreira não só mentiu: ele ajudou a legitimar uma narrativa falsa que enfraqueceu o combate ao crime organizado:
“Todos sabiam perfeitamente que Nikolas estava mentindo, mas não deixaram de embarcar no trenzinho da canalhice.”
É aqui que a análise política encontra a policial: o bolsonarismo não apenas age como uma facção — ele também facilita o caminho para outras.
Não é exagero dizer que a mentira de Nikolas Ferreira teve impacto direto na expansão financeira do PCC. Ao sabotar a fiscalização do Pix, o deputado e seus aliados bolsonaristas ofereceram ao crime organizado o que ele mais precisava: tempo e invisibilidade.
O resultado é um país onde uma facção criminosa se profissionaliza como “multinacional” enquanto deputados se orgulham de ter “derrotado o governo” em nome de uma causa inventada. E como disse João Filho, talvez o próximo passo inevitável seja desmascarar o braço político do PCC em Brasília.

