O governo Trump está seguindo tim por tim o manual da extrema direita e dos ideólogos fascistas, assim como fez Bolsonaro: atacar e fragilizar as instituições democráticas, o judiciário, atacar os direitos civis e impor a vontade de um homem acima da lei. Nos EUA de 2025, a democracia está sob cerco. O presidente não esconde que quer ser um autocrata.
PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 29/08/2025, 18h:10, Leitura: 4 min
O ataque ao FED: quebrar a espinha da independência econômica

Um dos movimentos mais desestabilizadores da confiança dos investidores está sendo Trump investir contra o Federal Reserve, pilar de estabilidade econômica dos EUA, não somente pressionando Jerome Powell para baixar a taxa de juros americana, mas tentando formar maioria na diretoria do banco. Ele destituiu de forma ilegal Lisa Cook, uma das diretoras, que agora o processa por violar garantias de independência institucional. Trump já tem três nomes afinados com ele dos sete membros do conselho. Se ela realmente for afastada ele ganha maioria e pode forçar Powell a baixar a taxa de juros, como ele quer. A doutora Cook, negra, é o alvo perfeito, afinal esse fascista é um supremacista descarado.

Dessa forma, Trump agride diretamente o coração da governança financeira americana, já que, embora o Federal Reserve remeta o seu nome a um banco controlado pelo Estado e o presidente indique os conselheiros, que depois são confirmados pelo senado, o banco é, na verdade, uma entidade autônoma com poderes independentes do governo federal. O Fed possui uma estrutura única com 12 Bancos da Reserva Federal que operam de forma privada, e que define a política monetária — Trump, assim, tenta colocar a política monetária a serviço de sua agenda eleitoral e personalista. Como todo líder autoritário, ele quer aparelhar a máquina econômica para governar sem freios .
A militarização das cidades democratas: Chicago como alvo
Mas não parou aí. Trump ameaça enviar tropas federais para Chicago, alegando um suposto aumento da criminalidade: Tenho o direito de fazer o que eu quiser. Sou, o presidente dos EUA, declarou Trump, furioso porque o governador do Estado de Illinois, o democrata JB Pritzker, ousou desafiar as vontades de sua “majestade“. O problema é que os indicadores sobre a violência em Illinois mostram o oposto: os homicídios caíram 32% no último ano, os tiroteios foram reduzidos quase pela metade desde 2021, os roubos, os arrombamentos e os furtos também despencaram.
Saiba mais:
4chan: o inspirador de Bannon, Trump e Bolsonaro — o laboratório sombrio da extrema direita digital
Como o 4chan e o QAnon se Voltaram contra Trump: Provando do Próprio Veneno
Ou seja: não há emergência. O que existe é cálculo político. Trump quer militarizar uma cidade azul, em um estado azul (democrata), para intimidar e calar os adversários políticos, com a ocupação autoritária de centros urbanos.
A resposta de Illinois: “Trump é um ditador”
O governador J.B. Pritzker não deixou barato. Em um discurso histórico, chamou Trump de ditador e garantiu que Illinois vai resistir:
“Não há insurreição em Chicago. O que há é um presidente procurando justificativa para enviar o exército a uma cidade azul e intimidar rivais. Isso é ilegal, é inconstitucional, é antiamericano.”
Pritzker deixou claro: a resistência será pacífica, mas firme. Se Trump quiser transformar Chicago em laboratório da repressão, enfrentará não apenas tribunais, mas a mobilização política e comunitária de todo o estado.
Da democracia à autocracia
O roteiro é conhecido: primeiro, enfraquecer as instituições de controle (como o FED). Depois, criminalizar opositores e proibir manifestações (como os protestos pró-Palestina, que Trump reprime e pela promoção de coerção econômica, com cortes de verbas destinadas às universidades e museus). Por fim, usar as Forças Armadas como instrumento político contra governadores dissidentes.
Esse não é um governo conservador — é um projeto de autocracia fascista. Trump encarna a corrupção moral da extrema direita: vingativa, rancorosa, disposta a corroer o Estado de Direito para consolidar poder pessoal.
O contraste com o Brasil
No Brasil, o extremismo foi contido. Bolsonaro, que tentou golpear a democracia, segundo as acusações da PGR e do STF, será julgado em setembro de 2025 e pode enfrentar até 42 anos de prisão. Lá nos EUA, porém, o líder – Trump – do 6 de janeiro foi eleito novamente — e agora transforma a Casa Branca em quartel-general do autoritarismo.


