Zelensky rejeita a paz de Trump e Putin
A paz na Ucrânia permanece um horizonte distante e sangrento, apesar da aproximação diplomática entre Donald Trump e Vladimir Putin durante a cúpula do Alasca. Trump parece que entendeu as preocupações de segurança da Federação Russa diante do avanço contínuo da OTAN para suas fronteiras, contexto que culminou na chamada “Operação Militar Especial Russa” iniciada em 24 de fevereiro de 2022 – mas na prática, o impasse se aprofunda.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 23/08/2025, 08h:42, Leitura: 4 min
Zelensky bate de frente com Trump e Putin
Segundo o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em entrevista à imprensa internacional, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeitou, durante visita à Casa Branca após a cúpula entre Trump e Putin, todos os princípios propostos para negociar o fim do conflito. As propostas dos EUA incluíam a não adesão da Ucrânia à OTAN, discussões territoriais (com cessão de regiões a Moscou), garantias de segurança e concessões relacionadas à legislação linguística russa.
Lavrov foi categórico: “Zelensky disse não a tudo”, reforçando que, aos olhos do Kremlin, Kiev não estaria disposta ao diálogo real e justo.
O cenário militar e o perigo da capitulação
Neste ritmo, não parece restar outra alternativa a não ser o desfecho não negociado, isto é, no campo de batalha: a destruição militar da Ucrânia, seguida pela capitulação obrigatória ao poderio russo. O risco é plausível, dada a escalada brutal em baixas:
- Segundo o coronel Douglas MacGregor, a Ucrânia perdeu 1,8 milhão de combatentes, com igual número de inválidos ou gravemente feridos.
- O lado russo registra aproximadamente entre 1/10 a 1/7 das baixas ucranianas, ou seja, entre 180 mil e 257 mil mortos. Não há dados sobre os feridos e inválidos.
- As perdas ucranianas são brutais e, em relação ao percentual da população masculina, uma verdadeira catástrofe quando comparado às perdas dos russos, e se agravam dia-dia diante do poderio de Moscou e da exaustão da linha de frente.
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Odessa, a saída para o mar negro, sob ameaça
Com o prolongamento do conflito é provável que os russos avancem sobre Odessa, ao sul, a principal cidade costeira e naval da Ucrânia, não apenas consolidando o domínio sobre o Mar Negro, mas estrangulando completamente a economia ucraniana e eliminando sua última entrada e saída logística marítima. Odessa é considerada uma cidade histórica russa, e recuperá-la e a reintegrar à Rússia seria um enorme prêmio, tanto para a Rússia quanto político para Putin. Nessa hipótese, a Ucrânia perderia acesso ao Mar Negro e se tornaria um país interior, isolado e vulnerável. Inclusive diante da cobiça territorial de vizinhos, hoje seus aliados, como a Polônia e a Romênia. Fala-se ainda que ao norte, mesmo a cidade de Carcóvia (Kharkiv) poderia cair em mãos russas, apesar de Putin dizer que isso não é objetivo dele.
O fracasso diplomático
A negociação proposta por Trump – e recusada por Zelensky – revela o impasse insolúvel entre a “realpolitik” de Washington, a pressão militar russa e a resistência ucraniana.
Lavrov já fala em flexibilidade tática russa, mas insinua que qualquer acordo só ocorrerá perante a derrota e rendição ucraniana. Nem mesmo a pressão dos EUA, que historicamente cobram concessões dos aliados ucranianos, foi suficiente para quebrar o dilema existencial do Estado ucraniano.
O roteiro mais provável, diante da negativa ucraniana às propostas dos EUA e da Rússia, é a intensificação da guerra e do sofrimento social, militar e econômico da Ucrânia.
Um eventual avanço russo sobre Odessa e mesmo Carcóvia selaria o destino do país, com consequências devastadoras – e, ironicamente, confirmaria a tese russa de segurança frente à OTAN que Trump reconheceu, mas foi incapaz de transformar em paz.
Por ora, a guerra segue, e o relógio da capitulação militar e diplomática ucraniana avança cada dia mais rápido.