A reportagem do Intercept sobre o clã Bolsonaro , do jornalista João Filho, é o retrato fiel do que já se sabe, infelizmente poucos, mas que agora ganha registro documental: a hipocrisia e a degradação interna do clã Bolsonaro. O lema “Deus, Pátria e Família”, usado como peça publicitária por integralistas e depois reciclado pelo bolsonarismo, cai por terra quando confrontado com os áudios e prints obtidos pela Polícia Federal no celular de Jair Bolsonaro.
As conversas revelam, segundo o jornalista, o partor Silas Malafaia em modo “chefe de quadrilha”, gritando palavrões e ameaçando Eduardo Bolsonaro. O líder espiritual não oferece bênção, conselho ou reflexão — apenas intimidações. Fica nítido que a Bíblia serve mais como biombo moral do que como fonte de conduta. O “Deus acima de todos” foi reduzido a slogan de palanque.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 24/08/2025, 06h:20, Leitura: 4 min
(Editado em 24/08/2025, 15h:55)
O que os diálogos mostram é ainda mais grave: a disposição explícita de prejudicar o Brasil em troca da salvação de Jair Bolsonaro. Não houve qualquer preocupação com os efeitos econômicos das sanções de Trump ou muito menos com o destino dos militantes presos, processados e condenados pelo 8 de janeiro de 2023 em Brasília. O que há é cálculo frio: usar Donald Trump para pressionar o STF e obter impunidade. A “pátria amada” nunca entrou na equação — o que importa é blindar e salvar o chefe.
Em um dos trechos do artigo, o autor cita:
“Deus, Pátria e Família” é um lema que atravessou gerações do fascismo brasileiro. Do integralismo ao bolsonarismo, todos a usaram como uma peça de marketing para dourar suas ideologias podres.”
As mensagens trocadas entre Jair e Eduardo Bolsonaro expõem uma família dilacerada pelo poder. Insultos brutais substituem afeto. O discurso da “família tradicional” colide com a realidade de um núcleo político onde os laços de sangue valem menos que os ganhos de cada um. O bolsonarismo não construiu um clã familiar, mas uma sociedade por ações onde cada herdeiro disputa uma fatia de influência.
Em outro trecho do artigo de João Filho, temos essa pérola:
“O que se viu nas conversas entre Bolsonaro, seu filho Eduardo e seu pastor Silas Malafaia foram violentos ataques contra Deus, a pátria e a família. Malafaia tem linguajar de bicheiro e fala com seus fiéis como quem fala com a sua quadrilha. “Arrombado”, “babaca”, “merda” e “cacete” foram alguns dos termos que esse homem de Deus usou para se referir, aos berros, a Eduardo Bolsonaro em uma conversa com o ex-presidente.
O pastor chega a contar – a Bolsonaro – que mandou um áudio para Eduardo com a seguinte ameaça: “a próxima que você fizer isso, eu gravo um vídeo e te arrebento”. Malafaia participou ativamente dos planos bolsonaristas para coagir membros do Legislativo e do Judiciário.
Em nenhum momento dos diálogos se viu uma palavra de benção, um conselho ou algum gesto que se espera de um líder espiritual. Só se viu esporros, ameaças, palavrões, gritaria, ódio.“
E citamos mais esse:
“As conversas entre Eduardo e Jair mostram uma relação sem respeito e sem afeto. É normal que pai e filho que trabalham juntos eventualmente discutam, mas o que se viu no diálogo foi um nível de desrespeito inaceitável para qualquer família, ainda mais uma que prega os bons valores da tradicional família brasileira.
“VTNC, SEU INGRATO DO CARALH*”, escreveu Eduardo para o pai depois de ser chamado de imaturo por ele em uma entrevista. Em público, o deputado grava vídeos chorando de tanta saudade do pai, no seu exílio de mentirinha. A hipocrisia grita.“
O artigo acerta ao apontar que, com o fim da linha política de Jair Bolsonaro, se abre uma guerra interna. Malafaia, sem mandato, tenta se firmar como liderança. Os filhos brigam entre si. E a base que um dia se encantou com o mito começa a perceber que “Deus, Pátria e Família” era apenas uma embalagem vazia. O que sobra é autofagia — e ela começa a se tornar pública, cruel e inevitável.
Neste momento, o clã Bolsonaro expõe à sociedade sua face mais autêntica: a de um grupo acostumado a vender moralidade, apenas para comprar tempo diante da Justiça e engabelar os ainda que acreditam nas falácias que eles pregam.
O artigo completo de João Filho pode ser lido clicando na imagem abaixo.
E, claro, há vários vídeos sobre a farsa de “Deus, Pátria e Família”, que é o bolsonarismo. Um deles é esse:
Prá terminar esse artigo, seria bom mencionar que o jornalista Leonardo Sakamoto publicou um artigo em que ele cita uma fala de Eduardo Bolsonaro: “Torce para a inteligência não levar isso aqui a Trump’, diz Eduardo a Jair. E na mesma matéria é citado que, segundo o relatório da PF, Eduardo Bolsonaro articulou com seu pai uma estratégia para enganar autoridades estrangeiras, visando aplicar sanções ao Brasil e obter impunidade para Jair Bolsonaro. A investigação aponta que houve intenção clara de induzir em erro autoridades dos EUA, mas sem caracterizar que “enganaram Trump” de forma veemente — ainda que a motivação pessoal esteja explícita. Então, Trump faria um favor ao Brasil se entendesse quem, de fato, essa gente. Ele – Trump – foi manipulado? Talvez, por algum assessor ou parlamentar do partido republicano.

