Bolsonaro: a tese do boicote e da ilegitimidade do resultado da eleição de 2026

Na análise do historiador e professor João Cezar de Castro Rocha, em entrevista ao UOL News, a extrema-direita bolsonarista, aparentemente, estaria abandonando a estratégia de eleger o máximo possível de senadores como prioridade absoluta; e também o de buscar um compromisso ao apoiar um nome da direita, como Tarcísio de Freitas, de que o novo presidente anistiaria Bolsonaro. Nessa estratégia, Ronaldo Caiado saiu na frente. Ele declarou que se for eleito presidente em 2026 fará uma anistia ampla geral e irrestrita aos envolvidos no 08 de janeiro de 2023. Entretanto, ao que parece, a nova e perigosa aposta da extrema direita (bolsonaristas) seria a de criar uma narrativa de ilegitimidade do resultado da eleição presidencial de 2026 caso Bolsonaro não participe do pleito. Essa proposta parte da premissa que quem quer que seja eleito em 2026, esquerda ou direita, faria parte do mesmo grupo de poder que sempre dominou a política brasileira.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 22/08/2025, 19h:54, Leitura: 1 min

A mudança estratégica: do Senado ao boicote e à crise de legitimidade

Até recentemente, o plano era ocupar o Senado com aliados radicais, manietando o Judiciário e garantindo proteção para Bolsonaro e sua rede. Contudo, revelações recentes mostram que o foco mudou. Agora, a extrema-direita pode lançar mão de uma tática de boicote:

  • Bolsonaro NÃO apoiaria nenhum candidato da direita convencional (como Zema, Caiado, Ratinho Junior ou Tarcísio de Freitas) que venha a disputar em seu lugar.
  • O objetivo passaria a ser afirmar que a extrema-direita foi alijada do processo eleitoral, deslegitimando qualquer resultado presidencial sem a sua participação.

A meta, portanto seria buscar retirar qualquer legitimidade institucional do processo de 2026, ampliando ao máximo o conflito político e social.

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A extrema-direita brasileira estaria arquitetando o seguinte plano: os EUA não reconheceriam oficialmente o resultado da eleição presidencial de 2026, caso a extrema-direita alegue ter sido excluída das urnas. Esse movimento, articulado com setores da extrema-direita internacional, visaria tensionar a democracia brasileira e pressionar as instituições, importando o modelo de deslegitimar eleições.

Impactos possíveis: crise institucional e ataque à democracia

Mesmo que a direita tradicional vença — com figuras como Zema, Caiado, Ratinho Junior ou Tarcísio — Bolsonaro e seu grupo manteriam o mesmo discurso: “sem Bolsonaro, não há legitimidade eleitoral”. O resultado esperado é que se gere um permanente clima de instabilidade e suspeita, com amplificação por fake news, pressão internacional e sabotagem das instituições.

Assim, na análise do professor, a extrema-direita brasileira estaria de braços dados com Trump, como aliás já está hoje, e preparando terreno para sabotar a democracia brasileira antes mesmo das urnas serem abertas em 2026. Ao abandonar o modelo de ocupação institucional pelo Senado e investir na estratégia de ilegitimidade eleitoral, com o aval da administração Trump que não reconheceria o vencedor, se tensionaria até o limite a política, já fragilizada pelo radicalismo e sabotagem que os parlamentares da extrema direita exercitam todos os dias.

Segundo João Cezar de Castro Rocha, entretanto, essa é uma aposta insensata e arriscada, pois dependeria de fatores externos imprevisíveis; e radicalizaria ainda mais a guerra política e social no Brasil.

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