PolitikBr aborda neste artigo o caso estarrecedor de Renê da Silva Nogueira Júnior, empresário que confessou ter matado, covardemente, o gari Laudemir de Souza Fernandes, com um tiro de uma pistola calibre .380 durante uma banal discussão de trânsito, provocada de forma truculenta por ele. O que chocou ainda mais a opinião pública foi a sua auto apresentação nas redes sociais como “cristão, esposo, pai e patriota” — identidade valorizada em discursos da extrema direita (bolsonarismo e trumpismo), agora maculada, mais uma vez, dentre tantas vezes, por sangue e violência.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 19/08/2025, 16h:16, Leitura: 2 min
O crime e o perfil do assassino
A cena se desenrolou em Nova Lima, na Grande BH: enquanto um caminhão de coleta de lixo fazia seu trabalho diário, o condutor de um BYD, impaciente com o trabalho dos garis, saiu armado do carro e ameaçou a motorista do veículo: “se você esbarrar no meu carro eu vou dar um tiro na sua cara, duvida?”. Mesmo com os demais trabalhadores do caminhão tentando acalmar o motorista, e pedissem para que ele seguisse seu caminho, ele, a seguir, efetuou o tiro fatal contra Laudemir. Câmeras de segurança registraram o crime com lúcida frieza: o gari caiu, ainda correu ferido, e morreu no hospital .
Violência recorrente contra mulheres: o histórico falado diz muito
O que torna o caso ainda mais dramático, além da violência gratuita, sem motivação a não ser ódio, é que esse “patriota” e “cristão” acumula registros de violência de gênero: no histórico policial figuram casos de lesão corporal grave contra uma mulher, agressão à ex-companheira e ameaça à ex-sogra — ou seja, um perfil extremamente violento.
O revólver como símbolo: patriota armado é ameaça real
Armar-se para “ser patriota” é o que faz o extremismo flertar com a barbárie. A arma usada pertencia à própria esposa, delegada da PCMG. A autoridade moral do agressor, que se apresenta como pai de família, esconde o que realmente move recalcamentos, impulsos autoritários e misoginia — valores que se cristalizam com um dedo no gatilho.
A hipocrisia sangrenta
A tragédia só evidencia o quanto jargões como “família tradicional, valores cristãos e patriotismo” se presta a legitimar mentes violentas. Enquanto ele tem grife ideológica, Laudemir, um trabalhador, que lutava dia-a-dia para sustentar a sua família, morreu sem defesa.
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