O fim da guerra da Ucrânia: Trump foge da derrota, Putin ganha no tabuleiro geopolítico

O mais recente capítulo do tabuleiro geopolítico expõe um contexto em que Donald Trump faz de tudo para evitar sair derrotado da Ucrânia, como Joe Biden saiu derrotado do Afeganistão; e os EUA humilhado internacionalmente. Para salvar sua imagem, Trump agora aceita a única via que pode lhe dar um discurso vitorioso: o fim do conflito à qualquer preço para Kiev, mesmo que os ucranianos paguem com quase 30% de perda territorial, com perdas de quase 2 milhões de vidas e derrotados de forma vergonhosa junto com os seus patrocinadores europeus.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 17/08/2025, 08h:03, Leitura: 3 min

A “saída honrosa” que Trump persegue passa por convencer Volodymyr Zelensky e aliados europeus de que a melhor opção é reconhecer as áreas ocupadas do Donbass como russas – exatamente como Putin exige. Só assim poderá vender aos americanos a ilusão de que encerrou a guerra que Biden alimentou e que ele, Trump, afinal restaurou a paz. É o roteiro que o Kremlin deseja e, paradoxalmente, o próprio governo americano começa a trilhar em busca de alívio do peso geopolítico e orçamentário da guerra.

Trump já ensaia uma guinada brutal: mudou o discurso e ameaçou explicitamente sancionar agora não os russos, mas os aliados da própria OTAN – Reino Unido, França, Alemanha, Polônia – por supostamente atuarem para sabotar qualquer compromisso que sele a vitória militar e geopolítica Russa e o fim do conflito. É o estilo truculento e intempestivo Trump : se Washington sancionar o acordo de cessão de territórios ucranianos, ninguém na aliança ocidental poderá atravancar a nova fase, sob pena de retaliação econômica americana.

As razões para tamanha pressa saltam aos olhos. Com a frente europeia estagnada, a Ucrânia já derrotada militarmente, e Trump tentando se concentrar nos conflitos geopolíticos no oriente médio (Irã e Gaza) e na Ásia (Taiwan), as próximas guerras, os EUA tentam se livrar do imenso custo da aventura na Ucrânia. A escolha geoestratégica não é de força, mas de necessidade: não há margem para novos atoleiros, sanções que azedam a economia e a percepção do próprio eleitorado; e um rastro de fracassos internacionais repetindo a debandada do Afeganistão.

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Putin, diante disso, joga confortavelmente com as cartas da vantagem: já consolidou ganhos territoriais, vê o Ocidente dividido e transformou a diplomacia do Alasca em vitória simbólica, mesmo sem acordo formal. O simples fato de Trump admitir negociar com Moscou, inclusive chantageando aliados da OTAN, já rebaixa o patamar da pressão internacional contra o Kremlin. Isso ocorre enquanto a Rússia mantém o fôlego na economia de guerra, com apoio da China e do Sul Global, e amplia o desgaste político do bloco atlântico perante a própria opinião pública mundial.

A história se repete: enquanto a população ucraniana amarga o custo humano e material desse rearranjo, Trump busca uma narrativa que lhe favoreça, Putin arranca concessões e a Europa paga pela hesitação e pelos jogos duplos na guerra.

No grande cassino geopolítico, quem aposta na diplomacia dos ultimatos acaba, quase sempre, servindo de escada para quem joga com paciência, sangue-frio e estratégia de longo prazo.

Esse artigo foi baseado nas seguintes publicações:

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