Trump Descobriu Que não é Tão Poderoso Quanto Pensava

Trump descobriu que não é tão poderoso quanto pensava

O encontro realizado no Alasca entre Donald Trump e Vladimir Putin – com o “showzinho” dos B2 escoltados por caças em vôo rasante sobre Putin – deixou claro que, apesar do show midiático, não há gigante político capaz de determinar sozinho os rumos da guerra na Ucrânia. Mesmo declarando à Fox News que não sairia satisfeito sem um cessar-fogo, Trump logo percebeu que promessas e expectativas são eclipsadas pela dura realidade: as divergências entre Moscou e o Ocidente Coletivo, incluindo a Ucrânia, continuam intransponíveis, apesar de virtualmente a Ucrânia não ter mais como lutar essa desgastante guerra.

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Por PolitikBr I Brasília, Em 16/08/2025, 12h:33, Leitura: 3 min

Após quase três horas de conversa à portas fechadas, o resultado do tão aguardo encontro dos dois líderes não passou de declarações genéricas sobre “avanços” e “produtividade”—sem detalhes concretos, sem acordos, sem paz. Putin aproveitou para responsabilizar a administração Biden pela crise nas relações EUA-Rússia e reforçou a narrativa de que, se Trump estivesse no comando em fevereiro de 2022, a guerra sequer teria começado. Na coletiva de imprensa, Trump pareceu incomumente contido, evitando bravatas e revelando pouco sobre o conteúdo das negociações. Ele parecia esperar poder dar uma declaração triunfante fruto do encontro, mas nada disso aconteceu.

O que ficou evidente é que não haverá acordo possível enquanto a Rússia não obtiver as salvaguardas à sua segurança, que ela vem exigindo desde o começo da operação especial em 24 de fevereiro de 2022. Dentre essas exigências, agora depois de 03 anos de guerra, é que a “realidade do terreno” seja reconhecida, isto é, Lugansk, Donetsk, parte de Kerson e parte de Zaporizhzhia, já incorporadas formalmente à Federação Russa em referendos, sejam reconhecidas pela Ucrânia como perdas territoriais. Por sua vez, Zelensky deseja garantias de segurança e um cessar-fogo prévio; já Putin quer negociar em meio ao fogo cruzado e sem qualquer envolvimento ocidental na defesa da Ucrânia.

Trump, ao voltar para Washington, carrega um misto de frustração e alívio: o diálogo não ruiu completamente (como ocorreu antes com Kim Jong-un), mas os principais objetivos—cessar-fogo imediato e novo encontro com Zelensky presente—não foram atingidos. O conflito segue sem solução.

O fundo da questão é simples: por mais que Trump se autoproclame um negociador único, são Putin e as lideranças europeias, que tutelam Zelensky, que efetivamente controlam os desdobramentos e o fim da matança. Trump pode pressionar, encantar e prometer, mas é um coadjuvante diante das escolhas internas de Moscou e dos patrocinadores europeus, em especial. Enquanto os europeus continuarem obtendo vantagens econômicas e políticas com essa guerra, que já ceifou a vida de, pelo menos, 1,8 milhão de combatentes ucranianos, o conflito não terá fim. A continuidade do conflito, apesar da posição de Trump, que não pode lutar em três frentes, e quer se voltar para o oriente médio (Irã) e a Ásia (Taiwan), encontra ainda a resistência interna do poderoso lobby armamentista americano. Sem as armas, a logística, e o financiamento americano, o conflito já teria se exaurido, por si só, faz tempo.

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