O deboche canadense: “Aqui temos café barato do Brasil; Trump que se vire!”
No mais novo episódio da diplomacia tarifária às avessas, Donald Trump vem tentando infligir um golpe econômico ao Brasil – uma verdadeira chantagem política – para tentar livrar das garras da justiça o seu aliado, o radical de extrema direita, e ex-presidente, Jair Bolsonaro, que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) em 02/09/2025; mas quem sangra mesmo são os próprios consumidores americanos.
O tarifaço sobre o café brasileiro transformou o mercado nos Estados Unidos numa verdadeira ciranda: a busca desenfreada pelo café brasileiro atravessou fronteiras, fazendo americanos invadirem supermercados do Canadá só para pagar a metade do preço no grão nacional. Enquanto nos EUA 1/2Kg de café arábica custa US$ 28.00, no Canadá custa US$ 14.00, a metade. Aqui no Brasil eu pago US$ 9.00 por 1/2Kg do café arábica, selo de qualidade ABIC.
Esse fenômeno é tão intenso que foi manchete de jornais canadenses, com as redes locais já limitando a venda do café brasileiro a cinco pacotes por pessoa — não pelo amor ao protecionismo, mas para conter o esvaziamento das gôndolas que virou uma espécie de contrabando informal, com consumidores dos EUA comprando compulsivamente. O deboche canadense resume a situação: “Aqui temos café barato do Brasil; Trump que se vire!”.
PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 16/08/2025, 17h:06, Leitura: 3 min
A ironia é que esse bloqueio tarifário impulsionou o comércio do Brasil e do Canadá. As exportações de café verde para o Canadá atingem recordes históricos, alimentando não só o consumidor canadense, mas servindo de atalho para suprir o gigante americano, que insiste em pagar mais caro por um produto abundantemente disponível na América do Norte — só que do outro lado da fronteira. E enquanto os Estados Unidos amargam a alta de preços e escassez, o Brasil diversifica rotas e garante receita inédita não só no Canadá, mas também na China, que amplia suas compras para driblar a volatilidade internacional causada pelo tarifaço trumpista.
No tabuleiro da soja, Trump tenta proteger o agricultor americano, mas a China mudou radicalmente o jogo global. Ela vem preterindo a soja dos EUA e realizando compras maciças do produto brasileiro, fortalecendo seu principal parceiro comercial e fundador do BRICS como ela. E ainda deve ocorrer à médio prazo a criação de uma bolsa de mercadorias no âmbito do BRICS, que irá, em muito, diminuir o peso do ocidente em estabelecer preços de commodities, reduzindo assim o peso do dólar, uma péssima notícia para os EUA.
No mercado de carnes, o protecionismo está longe de servir ao consumidor americano. Ao sancionar a carne bovina do Brasil, Trump só pavimentou o caminho para recordes de exportação: o México surge como grande comprador, as cotações da arroba do boi gordo seguem em alta, e a indústria agropecuária goza de dividendos que antes seriam capturados pelo mercado dos Estados Unidos.
Saiba mais:
Boicote no Canadá Desafia Tarifas de Trump e Impacta os EUA
Trump “TACO”: O Amarelão das Tarifas e o Tiro no Pé
Enquanto nos EUA a inflação é retroalimentada pela política tarifária, as prateleiras se esvaziam e o consumidor paga caro (literalmente) por cada retaliação do “Trumpistão”, o Brasil diversifica as suas parcerias, ampliando o raio de ação global e diminuindo, cada vez mais, o peso das vendas para os EUA no comércio exterior— e o México, Canadá, China e outros países querem o nosso café, soja, carnes e tudo o mais que o Brasil quiser vender.
Não é coincidência que Lula tenha sancionado um pacote emergencial de ajuda aos setores afetados pelas sanções americanas. O resultado, até aqui, é transparente: a estratégia de Trump virou um colosso de fracasso. O Brasil rejeitou a pressão e ampliou receitas, enquanto o protecionismo trumpista penalizou o americano comum, devastou o mercado local e empurrou a inflação ainda mais para as mesas dos Estados Unidos.