Nesta terça-feira (12), o governo anunciou que vai apresentar um plano de socorro aos setores atingidos pelo tarifaço americano. É um pacote dividido em três frentes: linhas de crédito, benefícios tributários e compras governamentais. A contrapartida é a manutenção dos empregos.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 13/08/2025, 18h:05, Leitura: 2 min
O custo total? Trinta bilhões de reais. Para bancar isso, o ministro Fernando Haddad já adiantou que será aberto um crédito extraordinário. Traduzindo do economês: é uma autorização extra para gastar dinheiro público que não estava previsto no orçamento original. Pela lei, esse tipo de gasto pode ser financiado mesmo sem recursos guardados e não conta para o teto de gastos, embora pese na meta fiscal.
Era inevitável que o Planalto buscasse conter os danos de uma medida que atinge exportadores, indústrias e empregos. O ponto central é outro: nada disso precisava estar acontecendo. Do ponto de vista econômico, o tarifaço de Donald Trump não se sustenta. A balança comercial Brasil–EUA é superavitária para eles, e esse é um consenso raro entre economistas de todas as correntes. Sobram apenas motivações político-ideológicas para uma medida que prejudica inclusive os próprios americanos, que já enfrentam inflação alta.
No fim, temos um roteiro previsível: uma disputa ideológica vira briga comercial; a briga comercial vira problema fiscal; o problema fiscal vira dívida. O tarifaço pesa no caixa das empresas, no orçamento do governo e, inevitavelmente, no bolso de cada brasileiro. Não é questão de “se” a conta chega, é só de “quando” e “quanto”.
E, enquanto isso, Eduardo Bolsonaro atua para que o governo brasileiro não seja sequer recebido em Washington para negociar. Há quem ache esse comportamento patriótico. Pois bem: talvez o patriotismo devesse incluir, no mínimo, não trabalhar contra o próprio país.
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