PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.
Enquanto os EUA e a União Europeia apertam ainda mais o cerco de suas exigências, nasce uma rebelião silenciosa do outro lado do continente. Países que, por anos, foram levados a rastejar diante de Bruxelas e Washington, agora enxergam no BRICS não só a promessa de desenvolvimento, mas, acima de tudo, o resgate de sua soberania.

Por PolitikBr I Brasília, Em 06/08/2025, 11h:25
Turquia e Sérvia: Cansadas da Sala de Espera

A Turquia, há décadas presa no limbo do processo de adesão à União Europeia, cansou de promessas vazias e portas semiabertas. Reformou sua economia, se adaptou às normas europeias, só para ser subjugada à fadiga dos adiamentos e à chantagem política. Agora, com a firmeza de quem controla as principais rotas energéticas e fronteiras vitais para o Ocidente, Ankara olha para os BRICS com a clareza de quem não aceita mais ser o “parceiro júnior”. Erdogan quer um assento pleno — não mais migalhas diplomáticas —, e encontra nos BRICS um palco livre de humilhações cíclicas.

A Sérvia, por sua vez, sofre o desdém de Bruxellas, diante das intermináveis demandas de reconhecimento de Kosovo independente e da exigência de reformas ditadas impositivamente pela UE. A cada condicionante, a cada humilhação pública, cresce em Belgrado o discurso de que esperar pela UE se tornou um exercício de submissão. O apoio dos BRICS aparece não só como alternativa econômica, mas como uma saída existencial: participar de uma coalizão onde respeito mútuo e soberania não são itens à venda. Não há pré condicionantes. Nem imposições que desrespeitem a nacionalidade e valores do parceiro.
Saiba mais:
BRICS: A Ameaça à Hegemonia do Dólar e o Pânico em Washington
BRICS: O Desafio à Hegemonia Unipolar dos EUA

BRICS: Parceria Sem Correntes, Voz Sem Censura
Ao contrário das instituições ocidentais — que exigem reformas estruturais, alinhamento e concessões políticas —, o BRICS tem por base a parceria sem grilhões. Não há exigência para que países mudem sua identidade, abram mão de aliados históricos, ou se submetam ao ritual de autonegação que tantas vezes define o ingresso no clube do Ocidente. Para a Turquia e a Sérvia, o alívio é palpável: o BRICS não impõe a troca de soberania por acesso, mas oferece respeito e pragmatismo.
O Novo Banco de Desenvolvimento e o Acordo de Reserva Contingente aparecem como trampolins para autossuficiência, liberdade diante das chantagens recorrentes do FMI e do Banco Mundial. Se trata de construir um novo centro de gravidade, onde nem Washington nem Londres e nem Berlim ditam as regras.
O Ocidente, Cobrador da Porta, Perde Relevância
À medida que as economias ocidentais desaceleram, o crescimento pulsa em outras direções: Ásia, África, América Latina. A Europa, outrora farol do progresso, agora mais parece o zelador do condomínio em ruínas, preocupado em manter os “outros” fora do clube exclusivo. Só que, desta vez, são os vizinhos que começam a dar as melhores festas.
A aproximação da Turquia e da Sérvia e o interesse claro em fazer parte do BRICS não é apenas sobre novas oportunidades comerciais, mas, principalmente, sobre dizer “basta!” ao modelo que subjuga a todos, mas aceita a poucos. O BRICS vira símbolo de uma ordem internacional dos que nunca quiseram ser submissos ao Ocidente, oferecendo o que a UE e seus parceiros nunca conseguiram: tratamento de igual para igual.
Multipolaridade é o Nome do Jogo
A possível adesão desses e de outros países europeus ao BRICS sinaliza um esgotamento do fascínio pelas instituições ocidentais. Não se trata de substituir a velha guarda, mas de reconfigurá-la — e, se preciso, ignorá-la. É uma recusa às estruturas hierárquicas travestidas de meritocracia, e uma aposta clara em autonomia, respeito e pluralidade real.
Ao contrário da narrativa dominante, a ampliação dos BRICS não é o prenúncio do caos, mas sim a resposta à décadas de exclusão e cinismo institucional do Ocidente. Para a Turquia, a Sérvia e tantos outros, é a chance de exercer protagonismo sem permissão; de escrever a história, e não mais apenas lê-la de fora.
Que os Estados Unidos e seus aliados sintam o peso desse momento histórico: o mundo está mudando de mãos. O BRICS não é só um bloco, é o espelho quebrado das falsas promessas de uma ordem global que só beneficiava até aqui os donos do poder unipolar.
Esse artigo foi baseado nessa publicação:
Expansão dos BRICS começa na Europa: 2 países europeus querem aderir ao bloco