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O modus operandi da extrema direita no Brasil e nos Estados Unidos tem um fio condutor comum: negar a ciência, desacreditar dados oficiais que denunciam crises reais e punir profissionais que revelam essas realidades incômodas para seus governos autoritários.

Por PolitikBr I Brasília, Em 04/08/2025, 13h:38
Em 2019, o físico Ricardo Galvão, diretor do INPE, foi exonerado por Jair Bolsonaro após a divulgação de dados pelo INPE que mostravam o avanço explosivo do desmatamento e das queimadas na Amazônia. Bolsonaro, aquele que declarou que entendia nada de nada, questionava a cientificidade dos dados, acusava o instituto – uma das mais renomadas instituições científicas do mundo, assim como é Harvard – de mentiras e de servir a interesses de ONGs estrangeiras. Galvão, respeitado e combativo, não cedeu e defendeu o trabalho do INPE. Ainda assim, foi demitido injustamente, sob a alegação de “quebra de confiança”, gerando indignação no Brasil e no exterior.
Da mesma forma, em 2025, a economista-chefe do Bureau of Labor Statistics (BLS) dos EUA, Erika McEntarfer, foi demitida por Donald Trump após divulgar dados negativos sobre o desemprego, números que contrariavam o discurso triunfalista da gestão. Trump a acusou sem provas de manipulação política, num desdobramento do negacionismo econômico.
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As duas situações ilustram o mesmo padrão radical da extrema direita: atacar a inteligência, a cultura, as artes e as ciências para preservar uma narrativa falsa e conveniente, fugindo do confronto com a realidade. Penalizar dados e silenciar vozes qualificadas tem um custo alto para as instituições e para a sociedade, que fica desprotegida diante de problemas estruturais.
Bolsonaro e Trump mostraram que preferem a mentira conveniente e o controle ideológico da verdade aos fatos científicos e estatísticos. A democracia e o desenvolvimento pagam o preço dessa estratégia de manipulação e censura.