Bolsonaro se tornou tóxico

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Neste domingo (03/08), mais um ato em defesa da anistia a Jair Bolsonaro está programado em Brasília e em outras cidades. Mas o que deveria ser um “grande levante popular” provavelmente será mais um evento esvaziado, raivoso e patético, marcado por divisões internas, traições explícitas e abandonos estratégicos — inclusive por parte dos poucos aliados que ainda fingem apoiar o bolsonarismo.

Por PolitikBr I Brasília, Em 03/08/2025, 12h:32

(editado em 04/08/2025, 06h:04)

Nem Romeu Zema, nem Tarcísio de Freitas e outros governadores bolsonaristas, de carteirinha, não devem comparecer ao evento. E com razão: o movimento já nasceu morto. Nas redes sociais, o engajamento murchou. Nos bastidores, o desânimo é generalizado. E o motivo do fiasco tem nome, sobrenome e um visto temporário para os Estados Unidos: Eduardo Bolsonaro.

Um golpista em surto e um movimento em ruínas

Foragido em solo americano, sustentado com a família pelo pai, com dinheiro obtido, ao que se sabe, por doações via pix de apoiadores, e apadrinhado por lobbies internacionais da extrema direita, Eduardo Bolsonaro se tornou um estorvo para o próprio movimento. Sua obsessão paranoica por sabotar tudo e todos, inclusive aliados como Zema e Tarcísio, transformou os atos em defesa do pai em eventos radioativos.

A última façanha do 03 foi atacar os governadores por aceitarem negociar com os EUA em torno da tarifa desidratada imposta por Donald Trump ao Brasil. Tarifa essa, diga-se, amaciada graças à diplomacia de Lula, não ao delírio conspiratório dos exilados de Orlando.

Enquanto o Brasil tenta salvar sua balança comercial e proteger empregos do setor do agronegócio e da indústria, Eduardo Bolsonaro publica imagens com porta-aviões fictícios, incita o Congresso a rasgar a Constituição e pressiona parlamentares a aprovarem uma anistia absurda, inconstitucional e perigosa.

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O que se percebe nos bastidores é que os governadores não querem mais associar seus nomes à insanidade extremista claramente anti- Brasil. Contra os interesses do povo brasileiro. Ambos sabem que o eleitorado conservador que os elegeu não tolera mais golpismo à luz do dia, nem herança radioativa. Prova disso é que em recente consulta, 55% se declararam estar a favor de Alexandre de Moraes ter imposto o uso de tornozeleira eletrônica em Jair Bolsonaro. Já Tarcísio, de olho em 2026, tenta se descolar da ala lunática do bolsonarismo. Zema, cada vez mais submisso ao empresariado mineiro, não pode se dar ao luxo de defender um fugitivo que sabota até os interesses comerciais do Estado.

Ao atacar os únicos nomes com algum cargo executivo relevante na direita brasileira, Eduardo Bolsonaro cavou mais um buraco — e jogou dentro o que restava do prestígio político do clã. De lambuja favoreceu os planos de Lula em se reeleger em 2026. Ele bate todos os demais possíveis adversários no segundo turno.

A anistia desmorona — e o bolsonarismo implode de dentro para fora

Com o fracasso já esperado em mais essas manifestações, a narrativa da “vitimização” de Bolsonaro perde força. A população já entendeu que anistiar golpistas é repetir o 08 de janeiro de 2023, e que nenhum país que se preze perdoa quem tenta destruir sua democracia.

Eduardo Bolsonaro transformou o bolsonarismo em um culto de adoração narcisista, isolado, delirante e cada vez mais tóxico — até para seus próprios membros.

Se os governadores estão caindo fora, se o Congresso está sob pressão, se os atos já nascem esvaziados, é sinal de que o fim está próximo. Mas é preciso garantir que ele venha com justiça, responsabilização e sem anistia.

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