Trump adia mais uma vez o início do tarifaço contra o Brasil

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Trump Always Chickens Out ( TACO ). Mais uma vez, Donald Trump recua. O presidente dos EUA adiou novamente a entrada em vigor do chamado “tarifão” contra o Brasil — uma medida de retaliação comercial, com cunho político e não econômico real, que vinha sendo propagandeada como sinal de “força” diante da “concorrência desleal” brasileira. Na prática, se trata de uma chantagem econômica grotesca, agora reembalada sob o discurso da “negociação diplomática“.

Por PolitikBr I Brasília, Em 02/08/2025, 18h:31

A nova taxação, que atingiria produtos brasileiros com uma tarifa de 50%, acabou sendo desidratada com quase 700 exceções, o que dá uma tarifa média de 34%, mesmo assim absurda e abusiva. Segundo a Revista Fórum e outros veículos internacionais. A medida, que estava prevista para entrar em vigor dia 01/08, foi novamente postergada para o dia 07/08, e o que era um “pente-fino para punir”, virou uma colcha de retalhos cheia de furos — consequência direta da pressão de lobbies internos nos EUA e do risco de retaliação comercial por parte do Brasil e de seus parceiros do Sul Global.

Café na mira e lobby em Washington

Entre os produtos brasileiros visados pela tarifa americana, um dos principais alvos é o café — símbolo do agronegócio exportador nacional e insumo vital para a indústria alimentícia e de hospitalidade nos EUA. Mas aí está o problema para Trump: café brasileiro não é facilmente substituível. A robustez, variedade e escala da produção brasileira transformaram o grão em um ativo estratégico no mercado americano.

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Segundo informações de bastidores, há forte pressão de importadores, redes de cafeterias e multinacionais alimentícias para que o café seja retirado da lista de tarifação. Essa pressão ganhou ainda mais força com o risco de aumento de preços para o consumidor americano em plena campanha presidencial — algo que o populismo econômico de Trump não pode permitir.

Lula entra no jogo: negociação à vista

O que antes era “inaceitável” agora virou “negociável”. Trump, que afirmava não conversar com líderes de governos que considerava “antiamericanos” ou “comunistas”, já admite dialogar com o presidente Lula. Segundo fontes diplomáticas, as equipes de comércio exterior dos dois países estão costurando uma rodada de negociação bilateral, em que o tarifão pode virar moeda de troca para outros interesses da Casa Branca.

A essa altura para Trump já está mais do que claro que o Brasil não aceita qualquer ingerência sobre o judiciário (anistia a Bolsonaro). Portanto, uma “moeda de troca” pode ser que os EUA tentem algum tipo de acesso privilegiado às cobiçadas terras raras que o Brasil possui, e que já são exportadas, em especial, para a China.

A reaproximação entre Lula e Washington acontece no contexto de um Brasil fortalecido dentro do BRICS+, com relações sólidas com a China e a Rússia, e uma articulação em curso para criar rotas comerciais alternativas ao dólar. Trump, que insiste em atacar esse projeto com ares paranoicos, sabe que perder o Brasil pode ser um erro geopolítico caro.

Tarifão é blefe e tentativa de submissão

Não é de hoje que o presidente republicano usa tarifas como arma de intimidação — fez isso com a China, com o México e até com a União Europeia. Agora, tenta aplicar a mesma cartilha com o Brasil. Mas o contexto é outro: Lula não é Bolsonaro, e o Brasil não está mais sob comando de um capacho da Casa Branca. Há margem para resposta, inclusive com represálias comerciais coordenadas no Mercosul e na UNASUL.

A tática de Trump lembra mais um leilão geopolítico do que uma política comercial séria. Joga duro para depois recuar e parecer magnânimo, num teatro em que o público-alvo não são os países afetados, mas o eleitor americano médio, que ele tenta convencer de que “está colocando a América em primeiro lugar”.

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