Enfim!! Carla Zambelli presa: ela deverá ser deportada para o Brasil

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Por Política em Debate I Brasília, Em 29/07/2025, 20h:35

Finalmente, o espetáculo da queda da deputada bolsonarista Carla Zambelli recebeu seu capítulo decisivo. Presa em Roma após semanas foragida, Zambelli enfrenta agora o peso da justiça italiana — que, com base em uma jurisprudência clara e precedentes bem estabelecidos, deverá deportá-la ao Brasil para o cumprimento das penas que somam 18 anos de prisão. São 10 anos pela primeira condenação e 8 pela segunda, resultado de crimes graves ligados à condenação por perseguição armada de um jornalista em São Paulo e ataques ao Estado Democrático de Direito brasileiro.

O pretexto da dupla cidadania e a jurisprudência italiana

Embora Zambelli alegue ser cidadã italiana como pretexto contra a extradição, o entendimento pacificado da Justiça da Itália é que, em casos de dupla nacionalidade, prevalece a “cidadania de fato (prevalecente)” — ou seja, aquela em cujo território o cidadão reside, trabalha e tem vínculos reais. A jurisprudência já existe. Se trata do caso Pizzolato, que sendo brasileiro e com dupla cidadania, a Itália aplicou os princípios legais com rigor: Zambelli não reside na Itália, não trabalha nem mantém relações significativas ali. Portanto, não há amparo para impedir a extradição.

O jurista Walter Maierowicz foi categórico: não há “choro nem vela”. Ao contrário da hipótese da deputada, não se trata de crime político que mereça proteção; crimes eleitorais, de corrupção ou de conivência com golpes não recebem salvo-conduto internacional.

Isolamento político e a derrocada de Zambelli

Carla Zambelli, segunda deputada mais votada de São Paulo em eleições recentes, viu seu capital político despencar à medida que sua associação ao bolsonarismo se tornou onerosa demais até para seus correligionários. Isolada dentro da direita brasileira, perdeu apoios fundamentais, inclusive dos bolsonaristas “raiz”, e da direita italiana — notadamente do partido Liga Norte, que hoje prefere se distanciar de sua imagem contaminada.

Giorgia Meloni e a coalizão italiana, apesar da afinidade política entre Salvini e Bolsonaro, mantêm distância prudente da deputada, especialmente diante do peso do processo legal e da condenação transitada em julgado no Brasil.

No cenário internacional, o que resta a Zambelli é irrelevância política e um apelo desesperado por “perseguição política” que dificilmente encontrará eco fora do núcleo radical.

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O precedente importante para o combate à impunidade transnacional

A prisão e a esperada extradição da deputada têm enorme significado para o combate à impunidade de políticos que acreditam que as fronteiras podem protegê-los das consequências de seus atos. O caso Zambelli evidencia talvez uma mudança: não haverá lugar no mundo democrático para fugitivos da justiça que transformam discursos antidemocráticos em modus operandi.

A Itália, que recentemente enfrentou forte pressão por ter acolhido fugitivos do Tribunal Penal Internacional, mostrou firmeza e colocou a regra do direito internacional em primeiro lugar. A resposta italiana de não proteger Zambelli — mesmo diante de argumentos que misturam política e cidadania — reitera o fortalecimento das instituições contra tentativas de manipulação jurídica em nome de interesses ideológicos.

A estratégia de defesa

A defesa de Zambelli seguirá levando às autoridades italianas o discurso de perseguição política, tentando convencer que foi vítima de um suposto arbítrio institucional no Brasil. Mas, como destacou o próprio jurista, esse tipo de argumento já não tem força diante da evidência dos fatos processuais, que indicam crimes com tipificação equivalente na Itália e com processos regulares e abrangentes, respeitando o direito à ampla defesa.

É simbólico que seu discurso seja agora visto como mero artificio retórico para atrasar o cumprimento da pena. Isso reforça a crítica incisiva à sua trajetória política, marcada por conivência com golpes, ameaças às instituições e tentativa de subversão do Estado Democrático.

O impacto para o bolsonarismo

Com essa prisão, o bolsonarismo perde um de seus nomes mais midiáticos e controversos, e o que antes foi um movimento que combinava populismo com ideias autoritárias se torna palco de fragmentação e retirada de apoios. A prisão de Zambelli demonstra, mais uma vez, que a escalada do extremismo político não é caminho para protagonismo duradouro, mas rota segura para o isolamento e a punição penal.

Além disso, a prisão de Zambelli joga luz sobre o impacto das decisões judiciais contra os líderes bolsonaristas e articula uma narrativa de responsabilidade e cumprimento das leis, rompendo com as fantasias conspiratórias que alimentavam a impunidade.

Carla Zambelli descobriu da pior maneira a dura realidade: o exílio fugidio não é um destino, mas a antessala do retorno forçado para pagar por crimes cometidos. Se antes tentou usar a Itália como refúgio, agora enfrenta o começo da contagem regressiva para o cumprimento das penas no Brasil.

Seu caso é aviso para todos que acreditam que podem burlar a justiça nacional via cidadanias múltiplas, apoios internacionais ou fugas estratégicas. A democracia brasileira e a cooperação jurídica internacional mostram que o tempo da impunidade acabou — e que o respeito pelas leis deverá prevalecer sobre discursos e estratégias de fuga.

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