A reação do Brasil pode convencer Trump a recuar do tarifaço, diz Nobel de Economia

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Por Política em Debate I Brasília, Em 26/07/2025, 07h:29

Na esteira da escalada das sanções econômicas anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil, incluindo a aguardada tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 01/08, surge uma análise relevante do economista americano Paul Krugman, especialista em comércio internacional, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2008 e professor da Universidade da Cidade de Nova York, que aponta que a chance do presidente americano recuar aumenta significativamente se o Brasil demonstrar uma reação firme e articulada.

Segundo essa perspectiva, o recuo de Trump não dependeria apenas de negociações diplomáticas isoladas ou pedidos de boa vontade, mas de uma ação política, econômica e diplomática robusta por parte do Brasil — capaz de mostrar o custo real para os EUA, pressionando o governo Trump a reconsiderar suas medidas punitivas, de natureza puramente política. Essa estratégia alinharia interesses internos de setores produtivos, governo e Congresso – a depender da bancada bolsonarista do Congresso, se vê claramente a disposição dos deputados radicais e até de senadores, de sabotarem o Brasil justificando a agressão de Trump, a favor da anistia a Bolsonaro, além de buscar alianças internacionais para mostrar que o custo do tarifaço pode reverberar negativamente para os próprios Estados Unidos.

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O especialista argumenta que um Brasil passivo ou sem respostas claras deixa a impressão de que as sanções são aceitas sem resistência, o que incentiva Trump a manter ou mesmo aumentar a pressão. Por outro lado, a adoção de medidas de reciprocidade, mobilização do setor produtivo e coordenação diplomática incrementa o peso do protesto brasileiro, criando um cenário no qual a continuidade da sobretaxa se torna politicamente e economicamente desfavorável para Washington.

O conceito enfatiza que, historicamente, o presidente Donald Trump já recuou em disputas comerciais quando sentiu que suas ações poderiam custar votos ou prejudicar setores estratégicos americanos.

Apesar dessa análise otimista, integrantes do governo Lula continuam tratando as tarifas impostas como um cenário mais provável de seguir adiante, ao menos a curto prazo, sem sinais claros de recuo imediato. Por isso, o discurso de pressão e mobilização interna assume papel central como estratégia preventiva e negociadora.

No panorama político-econômico, esse tipo de resposta pode fortalecer o jogo brasileiro nas negociações, ampliando as chances de se obter concessões e, quem sabe, um adiamento ou flexibilização da entrada em vigor da sobretaxa prevista para agosto de 2025.

O Brasil não deve esperar passivamente o impacto das sanções, mas sim agir de forma coordenada, articulada e firme. É essa postura que aumenta as chances de Trump “TACO” — isto é, voltar atrás — evitando prejuízos maiores para a economia brasileira e abrindo espaço para um diálogo mais equilibrado.

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