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Por Política em Debate I Brasília, Em 20/07/2025, 18h:07
A operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, realizada em 18 de julho de 2025 a pedido do STF e da Procuradoria-Geral da República, provocou um terremoto político no Brasil. Segundo levantamento da Quaest, que analisou mais de 1,3 milhão de publicações nas redes sociais, o sentimento do país ficou dividido, refletindo um cenário de polarização e narrativas antagônicas.
O cenário nas redes: apoio majoritário, mas com resistência ferrenha
De acordo com a pesquisa, 59% das menções demonstraram apoio à operação, ou seja, a maioria absoluta, enquanto 41% defenderam Bolsonaro e criticaram a ação judicial. Os dados mostram que o debate não se limitou a uma mera controvérsia politica, mas se transformou em uma verdadeira guerra de narrativas, com as menções contrárias incluindo termos como “censura”, “ditadura” e “abuso de poder” em cerca de 10% dos posts.
Um levantamento paralelo da agência Ativaweb reforça essa divisão: em apenas cinco horas, foram 11,6 milhões de menções no X, Facebook e Instagram, distribuídas quase que equitativamente entre apoio (41,5%) e crítica (41,3%), com 17,2% de conteúdo neutro. A mobilização impressiona, inclusive pelo volume e emoção explícita dos debates.
O contexto da operação: uma resposta ao golpe em curso
A ação da PF autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes investigava um esquema pretensamente liderado por Bolsonaro e seu filho Eduardo, para pressionar o governo dos Estados Unidos a interferir no julgamento de acusações associadas à tentativa de golpe de Estado, a favor de Jair Bolsonaro, usando como “moeda de troca” (barganha) o fim da sanção de 50% imposta aos produtos brasileiros, a partir de 01 de agosto de 2025. Entre as medidas tomadas pela PF, se destacaram a busca e a apreensão de potenciais provas e a colocação de tornozeleira eletrônica em Bolsonaro, para monitoramento e restrições ao acesso às redes sociais e contatos com diplomatas.
Segundo o jurista Pedro Serrano, ficou “barato” para Bolsonaro, já que ele deveria ter sido preso preventivamente, assim como seu filho Eduardo Bolsonaro, foragido nos Estados Unidos.
Opositores do extremismo de direita saudaram a operação como uma vitória do Estado de Direito e da democracia. A deputada Maria do Rosário e o deputado Lindbergh Farias celebraram publicamente a diminuição do risco de fuga e a responsabilização do ex-presidente pelos seus pretensos crimes. Para eles, a decisão representa o enfrentamento necessário contra o golpismo transnacional e a impunidade.
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A narrativa dos apoiadores de Bolsonaro
Do outro lado, aliados do ex-presidente reforçaram a narrativa de perseguição política, classificando a operação como um “ato absurdo”, “abuso de poder” e “regime de exceção”.
Nas redes sociais, muitos defensores de Bolsonaro questionaram a legitimidade da ação do STF, alegando que, sem condenação formal, as medidas cautelares extrapolam o direito legal e configuram censura, o que é um absoluto equívoco. Na verdade mais um narrativa que nada tem a ver com o ordenamento jurídico. Enfim. Pura ignorância.
Divisão e desigualdade informacional
Segundo pesquisa do Instituto Ideia, a percepção da operação variou conforme classe social, escolaridade e faixa etária: as classes AB (alta renda e escolaridade) acompanharam mais a notícia (64,9%), enquanto as classes DE registraram apenas 35% de conhecimento sobre o episódio. Entre os maiores de 45 anos houve maior exposição à informação — 51,4% — do que na média nacional.
Ainda assim, a opinião pública está fragmentada: cerca de 25,8% consideram a ação correta, 16,5% querem rigor ainda maior, mas quase 29% acham a operação exagerada ou absurda, e quase 29% não têm opinião formada ou preferem não comentar.
O legado do episódio
A operação contra Bolsonaro não apenas colocou o ex-presidente sob o devido rigor jurídico – Para Pedro Serrano de forma até suavizada – ; mas evidencia a existência de uma sociedade polarizada – marca das democracias em que a extrema direita vem ganhando espaço – , onde a legitimação das instituições e das medidas judiciais se torna campo de batalha ideológica. A resposta nas redes sociais revelou que nenhum dos lados tem respostas unânimes, e que a convivência democrática segue fragilizada.
Em última análise, a maioria da população vê na operação da PF a derrota do autoritarismo e o avanço da democracia. Enquanto isso, as instituições continuam sua caminhada árdua para garantir que o jogo democrático funcione — mesmo em meio ao ruído crescente das redes, levadas a extremos pela instrumentalização política.