Covardia, Chantagem e Crise de Soberania

Deu na mídia.

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Por Política em Debate I Brasília, Em 16/07/2025, 18h:12

Difícil ler o artigo “Covardia”, de autoria do jornalista Nicolau da Rocha Cavalcanti e publicado em O Estado de S. Paulo, e não sentir uma mistura de indignação e desalento diante do rumo que o Brasil tomou, segundo o articulista, sob a influência de uma política externa degradada a instrumento de interesses pessoais e familiares.

Veja só a ironia dos tempos atuais: um deputado federal eleito, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, teria fugido pelo mundo reclamando perseguição, enquanto, na visão do articulista, executa um dos papéis mais vergonhosos já vistos de um parlamentar brasileiro. Nos Estados Unidos, ele se moveu não para defender o país, mas para articular sanções contra o próprio povo, segundo o jornalista, tornando-se peça-chave na ofensiva de Donald Trump, que impôs ao Brasil uma tarifa de 50% aos produtos e bens brasileiros, como moeda de troca pela anistia do pai — um desejo – na avaliação do articulista – claro do clã em ver Jair Bolsonaro escapar das garras da justiça.

A reportagem ressalta o óbvio: quem pagará a conta não são os articuladores dessa jogada, mas sim a população, os produtores, o setor produtivo e a reputação do Brasil já tão arranhada. O pano de fundo, segundo o artigo, seria uma chantagem aberta: ou o Judiciário cede, ou a economia sangra. Para o articulista, trata-se de covardia em seu estado mais puro, mascarada sob o argumento de proteção familiar, mas que revelaria incapacidade de encarar a justiça e escolher o caminho da dignidade.

Até onde chega o desprezo pelo interesse público? Segundo o artigo, Eduardo Bolsonaro, responsável por celebrar abertamente a sanção, teria usado sua posição de deputado para pressionar, do exterior, por mais represália ao próprio país. O texto provoca o leitor a refletir: será esse comportamento passível de ser encarado de outra forma que não como uma grave afronta à pátria? O que mais se lê, se ouve, é a palavra traição.

No centro do artigo, há uma crítica afiada — o custo político dessas ações deveria pesar exclusivamente sobre quem arquitetou e comemorou a sanção, e não sobre a sociedade. Mas, conforme aponta o articulista, quem sofre é o povo. Ainda assim, se tenta convencer que uma questão judicial se resolve com manobras nos bastidores de Washington, e não com respeito às instituições brasileiras. Na verdade, sendo francos, ingerência descabida, desprezo pelas instituições brasileiras, pelo seu povo. Pelo Brasil.

A narrativa constrói o retrato de uma elite política que, na visão do articulista, teme mais a justiça do que o próprio ridículo internacional. O exílio, para ele, não é o de um perseguido; seria o de alguém disposto a qualquer negociação para salvar o próprio sobrenome. Se para isso for necessário recorrer à chantagem internacional, que se dane o prejuízo nacional.

Quanto ao prejuízo, outro ponto gritante do artigo diz respeito à corrosão da imagem do Brasil. Não bastassem anos de turbulência política e erosão institucional, temos o nome do país atrelado, infelizmente, a movimentos dignos de repúblicas de banana, em que decisões estratégicas viram moeda de troca por interesses familiares e políticas de retaliação repletas de ameaças públicas e constrangimentos diplomáticos.

No final, o artigo faz um chamado urgente: é preciso reacender a dignidade do debate público. Mais ainda, é necessário que cada brasileiro possa enxergar o quanto custa, em reais, empregos e reputação, cada gesto de covardia e submissão promovido no exterior em nome de “proteção da família”. Nas palavras do articulista: esse custo não vai para a conta dos protagonistas; sobra para todos nós.

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