Petra Costa: A Teologia do Domínio e os Crimes de Bolsonaro

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Por Política em Debate I Brasília, Em 15/07/2025, 18h:18

A denúncia da conexão entre fundamentalismo religioso e política no Brasil

A cineasta Petra Costa, reconhecida internacionalmente pelo filme “Democracia em Vertigem“, voltou ao centro do debate político ao lançar nos EUA o documentário “Apocalipse nos Trópicos”.

Em entrevista ao programa Democracy Now!, Petra expôs o avanço da chamada “teologia do domínio“, originada no fundamentalismo cristão evangélico dos Estados Unidos, e como esse movimento tem se enraizado no cenário político brasileiro no entorno de Jair Bolsonaro.

Segundo Petra Costa, a aliança entre líderes evangélicos — como o pastor Silas Malafaia — e Bolsonaro representa não apenas uma articulação de poder, mas um projeto claro de tomada das três esferas do governo (Executivo, Legislativo e Judiciário), à semelhança do que ocorre nos EUA com Donald Trump e seus apoiadores religiosos.

“Bolsonaro se tornou o principal instrumento desse plano. Ele ganhou apoio eleitoral ao se aliar com segmentos evangélicos radicais, importando do evangelicalismo americano a chamada ‘teologia do domínio’, que busca subjugar o Estado às diretrizes religiosas” — destacou Petra, traçando paralelos entre a ascensão da direita religiosa no Brasil e nos EUA.

Crimes e atentados à democracia

No documentário, Petra reconstitui os principais episódios que levaram à tentativa de golpe de Estado no Brasil, incluindo o incentivo ao descrédito do sistema eleitoral, ataques sistemáticos ao Judiciário, à imprensa e à ordem democrática. Ela ressalta que, durante quatro anos, Bolsonaro deixou claro que não aceitaria um resultado eleitoral desfavorável, replicando a retórica do trumpismo e levando o país ao limite institucional.

Petra também denuncia os crimes atribuídos ao ex-presidente: tentativa de golpe, apoio a atentados e articulação para assassinar autoridades como o presidente Lula, o vice-presidente e ministros do Supremo Tribunal Federal.

Nossos tribunais são independentes. Bolsonaro, como qualquer cidadão, tem direito a julgamento justo, mas sem interferência externa”, enfatizou Petra Costa, reagindo à intervenção de Trump na crise brasileira.

O papel de Eduardo Bolsonaro e a pressão internacional

A entrevista abordou ainda o papel de Eduardo Bolsonaro, que teria deixado o mandato parlamentar para fazer lobby nos Estados Unidos em favor do pai, pressionando Donald Trump a retaliar economicamente o Brasil como forma de intimidar o Judiciário e condicionar a política nacional a interesses estrangeiros.

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Lula: discurso forte contra os Bolsonaro

Durante evento recente, o presidente Luís Inácio Lula da Silva fez críticas contundentes a Jair Bolsonaro e a seu filho Eduardo, ressaltando a articulação de ambos em envolver os EUA no processo judicial brasileiro — citando, inclusive, a articulação para impor tarifas como forma de pressionar pelo arquivamento das acusações.

“Mandou o filho dele para os Estados Unidos pedir para o Trump fazer ameaça: se não liberarem o Bolsonaro, eu vou taxar vocês. […] Que tipo de homem é esse que não tem vergonha de enfrentar o processo de cabeça erguida e provar sua inocência?”, declarou Lula.

O presidente também rebateu a narrativa norte-americana sobre o déficit comercial entre os países, destacando que o Brasil, e não os Estados Unidos, é quem apresenta saldo negativo nas relações bilaterais, e reforçou o posicionamento de soberania nacional diante de ameaças externas.

Teologia do domínio, democracia e resistência

O documentário de Petra Costa lança luz sobre como a instrumentalização da fé serve a interesses autoritários, alimentando o ataque a instituições e ao processo democrático brasileiro. Para Petra, entender e expor a teologia do domínio é fundamental para defender a democracia diante do avanço da extrema direita e do populismo religioso.

O Brasil precisa terminar o julgamento, garantir justiça, e não aceitar interferência estrangeira — seja de Trump, seja da aliança evangélica transnacional.”

O alerta de Petra Costa, ecoado por lideranças políticas e pelos movimentos democráticos, serve como chamado à mobilização pela soberania, pela justiça e pela separação entre Estado e religião — pilares essenciais para a defesa do Brasil diante das ameaças recentes.

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