“Aqui quem manda é a gente”: a resposta do governo Lula à pressão de Trump e Bolsonaro

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Por Política em Debate I Brasília, Em 14/07/2025, 16h:18

Diante da ofensiva articulada supostamente por Donald Trump e Jair Bolsonaro, através de seu filho Eduardo Bolsonaro, refugiado nos EUA; que tentam vincular a suspensão das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros à aprovação de uma anistia para o ex-presidente, isto é, uma barganha amoral e descarada, o governo Lula lançou uma campanha publicitária incisiva: “Aqui quem manda é a gente”. O objetivo é afirmar a soberania nacional e reagir à tentativa de barganha política que coloca em risco a autonomia do Brasil.

O contexto da crise: tarifas e chantagem

Donald Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos, justificando a medida como resposta ao julgamento de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.

A família Bolsonaro e aliados da extrema direita passaram a defender abertamente que a única saída para evitar o tarifaço seria a anistia “geral e irrestrita” aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado, numa clara tentativa de pressionar o governo e o Judiciário brasileiros. Entretanto, nas entrelinhas, o que se quer mesmo é que Bolsonaro seja anistiado, já que Trump vê nele um aliado e um líder fraco, servil aos interesses americanos, que ele pode controlar.

A campanha “Brasil soberano”

O vídeo institucional lançado pelo governo Lula, com o mote “Brasil soberano”, foi divulgado nas redes sociais e será veiculado também em rádio e TV.

A peça publicitária mistura cenas do cotidiano brasileiro — do agronegócio à cultura popular — e traz frases de impacto, como a de uma criança: “Não mexe com o meu Brasil, viu?”.

A narração reforça: “O Brasil é um país soberano. E um país soberano é um país independente, que respeita suas leis. Um país soberano protege seu povo e sua democracia. Um país soberano não baixa sua cabeça para outros países. Ser contra a nossa soberania é ser contra o Brasil.”

O vídeo termina com a frase em inglês: “É, my friend, aqui quem manda é a gente”, e o slogan “O Brasil é dos brasileiros”.

Estratégia política e comunicação

A campanha marca uma virada na comunicação do governo Lula, que passou a liderar o debate nas redes sociais defendendo justiça tributária e união nacional diante do ataque externo, associando Trump e Bolsonaro à tentativa de interferência estrangeira nos rumos do país.

O Palácio do Planalto também intensifica o diálogo com empresários e prepara medidas técnicas para responder ao tarifaço, como a regulamentação da Lei da Reciprocidade Econômica.

A iniciativa busca ampliar a diferença entre a postura do governo federal e de opositores, que inicialmente culparam Lula pela taxação, mas agora falam em união para proteger empregos e a economia nacional.

Reação do governo e sociedade

Lula afirmou publicamente que “o Brasil não aceitará ser tutelado por ninguém” e que a justiça brasileira “precisa ser respeitada”, destacando que o país tomará todas as medidas necessárias para proteger seu povo e suas empresas.

A campanha também expõe a incoerência do discurso nacionalista da extrema direita, ao mesmo tempo em que especialistas apontam que a retaliação americana pode acabar prejudicando os próprios interesses do setor rural brasileiro, base eleitoral de Bolsonaro.

Com a campanha “Aqui quem manda é a gente”, o governo Lula transforma a crise em oportunidade para reafirmar a soberania nacional e reagir à tentativa de chantagem política que une Trump e Bolsonaro, deixando claro que o Brasil não aceitará imposições externas nem barganhas que coloquem em xeque a democracia e a independência do país.

Aqui quem manda é a gente”

Vídeo publicado pelo governo brasileiro: “Aqui quem manda é a gente” (em português)

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