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Por Política em Debate I Brasília, Em 06/07/2025, 16h:38
A Nakba de 1948 representa uma das tragédias mais profundas e duradouras do povo palestino, marcada por um número alarmante de mortos e deslocados. Durante esse período, cerca de 750 mil palestinos foram expulsos de suas terras, o que corresponde a mais de 80% da população árabe que vivia no território que viria a se tornar o Estado de Israel.
Essa expulsão em massa foi acompanhada pela destruição de mais de 500 vilarejos palestinos e pela morte de aproximadamente 15 mil palestinos em massacres cometidos por milícias sionistas, que depois formariam o exército israelense.
O número de mortos é particularmente chocante quando se considera o contexto de massacres brutais como os de Deir Yassin e Tantura, onde civis, incluindo mulheres e crianças, foram assassinados de forma sumária e cruel, com relatos de tortura, estupros e execuções. Esses eventos não foram incidentes isolados, mas parte de um plano estratégico conhecido como Plano Dalet, que visava a expulsão sistemática dos palestinos para garantir a criação do Estado Sionista.
Além do impacto humano imediato, o massacre e a expulsão em massa deixaram um legado de sofrimento e injustiça que persiste até hoje, com milhões de palestinos vivendo como refugiados ou sob ocupação, privados do direito de retorno às suas terras ancestrais. A Nakba, portanto, não é apenas uma catástrofe histórica, mas uma ferida aberta na política e na consciência internacional, cuja gravidade é amplificada pelo elevado número de mortos e pelo caráter sistemático da violência empregada.
A partilha da Palestina proposta pela ONU em 1947, que destinava cerca de 55% do território ao futuro Estado de Israel e 45% aos palestinos, já representava uma violação do direito de autodeterminação dos palestinos, que eram maioria na região e rejeitaram o plano por considerá-lo injusto. A decisão da ONU, tomada em uma votação rápida e controversa, ignorou a realidade demográfica e os direitos históricos da população árabe local, concedendo a uma minoria judaica a maior parte das terras, apesar de representarem menos da metade da população.
A situação piorou dramaticamente com as guerras de 1948 e 1967. Israel não apenas consolidou sua existência como Estado, mas expandiu suas fronteiras de maneira ilegal, ocupando toda a Palestina histórica, além do Sinai egípcio e das Colinas de Golã sírias. Como resultado dessas conquistas militares, os palestinos ficaram confinados a menos de 7% do território original, restritos a enclaves fragmentados na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza, que funcionam como verdadeiros guetos, cercados por muros, postos militares e bloqueios severos.
Essa expansão territorial israelense, fruto de ações militares e políticas de ocupação, não apenas desrespeita o direito internacional, mas também perpetua uma situação de extrema desigualdade e sofrimento para o povo palestino, que vê seu território historicamente reduzido a uma fração mínima, enquanto sua capacidade de autodeterminação e soberania é sistematicamente cerceada. A partilha inicial da ONU, longe de resolver o conflito, marcou o início de uma longa tragédia para os palestinos, cuja terra e direitos foram progressivamente usurpados em nome de interesses geopolíticos e nacionalistas.
A tragédia palestina, marcada por mais de sete décadas de conflito, revela uma escalada brutal no número de mortos, que expõe a dimensão da violência sistemática e da limpeza étnica em curso. As Intifadas ilustram essa realidade: na Primeira Intifada (1987-1993), foram mortos mais de mil palestinos, enquanto na Segunda Intifada (2000-2005) o número de vítimas palestinas chega a cerca de 3.000, segundo dados das Nações Unidas e registros históricos.
Desde 2008, os bombardeios cíclicos contra Gaza agravaram ainda mais a situação, com mais de 6.000 palestinos mortos, incluindo um terço de crianças, conforme relatam organizações de direitos humanos.
A escalada recente é ainda mais alarmante: entre 2024 e 2025, o número de mortos já ultrapassa 50 mil, configurando o maior massacre desde a Nakba, com ataques constantes, bloqueios severos e destruição massiva da infraestrutura civil. A situação humanitária em Gaza é catastrófica, com hospitais sobrecarregados, falta de medicamentos e milhares de vítimas sob escombros, evidenciando um quadro de verdadeira catástrofe humanitária.
Esses números não são apenas estatísticas, mas refletem uma política contínua de apartheid, limpeza étnica e repressão violenta que tem como alvo a população civil palestina. A magnitude das mortes, especialmente entre crianças e civis, denuncia uma desproporcionalidade e uma violação flagrante dos direitos humanos internacionais. A persistência desse ciclo de violência e mortes massivas expõe a falência das soluções políticas e a urgência de um compromisso internacional efetivo para garantir justiça, direitos e dignidade ao povo palestino.
Solidariedade à Palestina: Ação Niterói
É em solidariedade a essa luta histórica e contra o genocídio em curso que o Comitê Niterói de Solidariedade aos Palestinos realizará seu lançamento oficial no dia 11 de julho, às 14h, na Faculdade de Direito da UFF. O evento reunirá vozes importantes do jornalismo e do ativismo para um grande debate sobre Gaza, o apartheid israelense e as estratégias globais de resistência.
“COMITÊ NITERÓI DE SOLIDARIEDADE AOS PALESTINOS
O Comitê Niterói de Solidariedade aos Palestinos convida todas e todos para o seu lançamento oficial no dia 11 de julho, às 14h, na Faculdade de Direito da UFF. Na ocasião, será realizado um grande debate sobre a Palestina com a participação dos jornalistas Breno Altman, Gizele Martins, Leila Salim e Miguel do Rosário. O debate se propõe a aprofundar as reflexões sobre o genocídio em Gaza, as políticas de guerra perpétua, de limpeza étnica e apartheid da ocupação israelense. Participe da nossa atividade e venha se somar ao movimento de solidariedade aos palestinos em Niterói, com caminhadas todos os domingos às 9h30 na Praia de Icaraí.
DEBATEDORES
Breno Altman | Gizele Martins
Leila Salim | Miguel do Rosário
Sexta, 11 de julho – 14h
Faculdade de Direito da UFF
R. Presidente Pedreira, 62, Ingá

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