Lula 3: Recorde de Salários, Mas Baixa Popularidade. O Que Está Acontecendo?

Apesar do governo estar indo muito bom, considerando o congresso hostil e sabotador da gestão, o presidente Lula não consegue repetir os ótimos índices de aprovação de suas gestões nos governos Lula 1 e Lula 2.

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Por Política em Debate I Brasília, Em 30/06/2025, 17h37

O bom desempenho do governo e do presidente Lula melhora o Brasil que não reconhece o esforço que se faz

Mais uma boa notícia para o Brasil. Sob o terceiro mandato do presidente Lula, não só o emprego bate recorde, mas também a massa salarial atinge o maior valor da história. Segundo levantamento divulgado pelo Brasil 247 (link aqui), os salários pagos aos trabalhadores brasileiros superaram a marca de R$ 320 bilhões mensais, um aumento de mais de R$ 25 bilhões em relação ao pico anterior, registrado em 2014, também sob gestão petista.

É fato: o Brasil voltou a crescer. O desemprego está no menor patamar desde 2014. O salário mínimo real subiu acima da inflação. Os programas de transferência de renda estão mais robustos e os investimentos em infraestrutura começam a aparecer nos canteiros de obra Brasil afora. O programa de Nova Industrialização segue de vento em popa. Aliás, Trump nos EUA tenta fazer a mesma coisa que Lula e Alckmin no Brasil: voltar a privilegiar a manufatura como fator crucial à riqueza para todos. Um país que só “planta e exporta bananas” e não “bananadas” nunca será, de fato, rico e próspero para seu povo.

Mas… por que, então, Lula amarga índices tão baixos de aprovação?

Vamos aos números.

A análise dos dados mais recentes das pesquisas Datafolha, Ipec e Quaest revela um cenário de desgaste e fragmentação da aprovação do governo Lula em 2025, especialmente quando se observa o recorte por classe social. Os números refletem a tendência de polarização e perda de apoio nas classes média e alta, com resiliência entre os mais pobres.

Avaliação geral do governo:

Datafolha (junho/2025): 28% avaliam como “bom ou ótimo”, 40% como “ruim ou péssimo” e 30% como “regular”.

Ipec: 25% de avaliação positiva, 43% negativa, 29% regular.

Quaest: 26% positiva, 43% negativa, 28% regular.

Aprovação da forma de governar (Ipec): 39% aprovam, 55% desaprovam.

Por classe social:

Classe alta (acima de 10 salários mínimos): A avaliação positiva chegou a subir entre fevereiro e abril, mas caiu para 20% em junho, indicando que cerca de 80% não consideram o governo “bom ou ótimo”. Ou seja, a reprovação é claramente majoritária.

Classe média (5 a 10 salários mínimos): A avaliação positiva recuou para 19% em junho, após ter chegado a 31% em abril. A avaliação negativa é predominante.

Classe baixa (até 2 salários mínimos): A avaliação positiva é mais resistente, com 32% considerando o governo “bom ou ótimo” em junho, mas ainda assim a maioria não expressa apoio entusiasmado. O apoio, portanto, é relativo e longe de ser robusto.

O patamar de aprovação estável (em torno de 25%-28%) indica que o governo não consegue ampliar sua base de apoio, ficando aquém dos índices necessários para garantir governabilidade confortável ou capital político para reformas estruturais.

Em todas as pesquisas, a soma de avaliação negativa e regular do governo supera amplamente a avaliação positiva, mostrando que o governo Lula 3 enfrenta um ambiente de desconfiança e ceticismo.

O atual patamar de aprovação é o mais baixo de Lula em seus três mandatos, e a desaprovação supera a aprovação em todos os recortes, exceto nos segmentos mais pobres e no Nordeste.

Em síntese:

Os dados oficiais confirmam a tendência de reprovação majoritária entre as classes média e alta e apoio relativo entre os mais pobres. Há uma percepção tanto da classe média quanto da classe alta que o governo governa só para os pobres. Na verdade essa percepção nos parece ser amplificada na medida em que os formuladores da estratégia de publicitação das ações do governo, e do presidente Lula, dão ênfase excessiva aos resultados envolvendo os mais pobres, o que é lícito, óbvio, mas que leva a uma percepção errônea pelas classes média e alta, de que o governo só trabalha e “gasta dinheiro com os pobres”.

O governo enfrenta, em decorrência, dificuldades para reverter a percepção negativa e ampliar sua base social. O quadro é de estabilidade negativa, com poucas oscilações, e indica um desafio crescente para o governo até o final do seu mandato, e que pode colocar em risco um novo mandato da centro esquerda no poder pós 2026.

Por quê?

Primeiro, porque o governo Lula 3 enfrenta um congresso dominado pelo Centrão e pela extrema direita, que sabotam sistematicamente qualquer proposta com maior impacto redistributivo. Projetos para taxar os super-ricos, por exemplo, são desfigurados no parlamento.

Há ainda uma campanha sistemática, híbrida, nas redes sociais, dos parlamentares do Centrão e da extrema direita em desacreditar o governo, escondendo ou distorcendo os bons resultados da gestão e explorando, de forma até criminosa, temas como a falácia da taxação do pix. Eles usam essas artimanhas para barganhar com o governo mais recursos para emendas, e como forma de pressão sobre o ministro Flávio Dino para aliviar as restrições quanto à destinação da verba do famigerado “Orçamento Secreto”, criado no curso do governo Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal está investigando cerca de 80 parlamentares e ex-parlamentares por suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares, incluindo aquelas relacionadas ao chamado “orçamento secreto”.

O assunto é explosivo. O Supremo Tribunal Federal está investigando cerca de 80 parlamentares e ex-parlamentares por suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares, incluindo aquelas relacionadas ao chamado “orçamento secreto”.

Segundo levantamento divulgado em fevereiro de 2025, sete ministros do STF conduzem inquéritos que envolvem deputados e ex-deputados, por suspeitas de corrupção, desvio de recursos e uso indevido de emendas parlamentares. Alguns desses parlamentares são alvos de múltiplas investigações simultâneas.

As investigações já resultaram em deputados tornados réus por organização criminosa e corrupção passiva, como no caso dos deputados do PL Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa. Além disso, operações recentes da Polícia Federal, autorizadas pelo STF, atingiram outros parlamentares e prefeitos, reforçando o alcance e a gravidade das apurações.

Segundo, porque vivemos tempos de comunicação pulverizada e polarizada. A máquina de fake news bolsonarista nunca parou de funcionar. Ela cria, todos os dias, narrativas de ódio contra Lula, contra o PT e contra qualquer medida que implique mínima redução do fosso entre ricos e pobres.

Terceiro, porque há limitações internas: o governo ainda reluta em confrontar interesses poderosos do sistema financeiro e do rentismo. E mesmo que confrontasse nada prosperaria no congresso, já que a maioria, isto é, a aliança fisiológica do Centrão e da extrema direita, legisla contra o povo e a favor dos mais ricos. E há vários e vários ricos e super ricos entre eles. Então, o governo insistir nesses pontos se torna inútil, além do desgaste e do “palanque” dado toda vez que o ministro Fernando Haddad vai debater esses e outros temas na Câmara dos Deputados e no Senado.

Outro ponto que o governo segue de mãos atadas é a taxa Selic recorde, que impõe a sociedade, aos empreendedores, aos industriais, aos pequenos negócios, a maior taxa de juro real do planeta. Essa Selic recorde drena bilhões e bilhões de reais do esforço da nação em direção ao capital especulativo financeiro e dos rentistas, em um movimento que só enfraquece a capacidade do governo em investir mais em saúde, educação, no financiamento à reindustrialização e etc. Concentrando cada vez mais a renda e amplificando as desigualdades sociais.

O resultado?

O Brasil está melhor, mas muitos não percebem ou não reconhecem. Outros, beneficiados, não atribuem os avanços ao governo – fruto de anos de despolitização e lavagem cerebral midiática.


O fato é que:

✔️ Mais gente trabalha.
✔️ Mais gente ganha melhor.
✔️ O Brasil cresce.

No frigir dos ovos, a governança de Lula 3 se equilibra num fio de navalha. Há sabotagem aberta do congresso, mídia hostil ou neutra, além de um judiciário conservador que atua politicamente. Enquanto isso, parte do povo, mesmo vendo o pão na mesa, segue de costas para quem viabilizou esse pão.

Fica aqui a reflexão.

Por que quem governa para a maioria tem tanta dificuldade de comunicar isso à própria maioria? E até quando continuaremos reféns de um sistema político que só atende aos donos do dinheiro e das fake news?

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