O ataque sem precedentes do “império do Caos” – EUA – ao Irã e ao BRICS
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Por Política em Debate I Brasília, Em 26/06/2025, 10h50
A guerra contra o Irã não foi só um ataque “preventivo” para conter o programa nuclear de Teerã. O ataque surpresa de Israel ao Irã, em conluio com os Estados Unidos, foi um ataque direto ao BRICS. O analista em geopolítica Pepe Escobar ratifica esse ponto: o que os Estados Unidos e Israel estão fazendo no Oriente Médio é uma escalada desesperada contra o avanço do BRICS e da ordem multipolar. Isso é mais do que óbvio para quem acompanha o dia à dia da geopolítica.
🔎 Quem é Pepe Escobar?
Pepe Escobar é um jornalista e analista geopolítico brasileiro com atuação internacional. Colunista do Asia Times, com passagens por veículos como RT, Sputnik e Strategic Culture Foundation, é uma das vozes mais respeitadas na análise do mundo multipolar. Seu trabalho se destaca por desafiar as narrativas ocidentais dominantes e denunciar os mecanismos do que ele chama de “Império do Caos” — expressão usada para descrever a política externa belicista e desestabilizadora dos Estados Unidos e seus aliados.
E se você acompanha o blog Política em Debate, sabe que a gente já havia antecipado essa leitura aqui:
👉 O ataque dos EUA e de Israel ao Irã é um ataque ao BRICS, ao mundo multipolar
Agora, Escobar aprofunda o argumento: o “Império do Caos” — como ele chama os EUA e o Eixo do Mal – EUA-Israel-OTAN — não consegue mais conter o avanço diplomático, energético e estratégico de países que ousam existir fora da cartilha neoliberal ocidental.
A guerra como ferramenta de contenção geoeconômica
Pepe Escobar conecta os pontos com precisão. O Irã é hoje um dos pilares do BRICS+, ao lado de Rússia, China, Índia, Brasil, África do Sul e outros membros em ascensão como a Arábia Saudita. Mas há algo que torna Teerã ainda mais perigoso para os interesses dos EUA: sua posição estratégica no comércio de energia, sua aliança com Moscou e Pequim, e sua recusa em se ajoelhar ao dólar.
Então o que o Ocidente faz? Bombardeia. Sabota. Promove sanções. E quando tudo isso falha, parte para a provocação militar direta, tentando criar uma reação interna da dissidência iraniana que justificasse a “intervenção democrática” que há anos está engasgada em Washington e Tel Aviv. E essa tentativa de mudança de regime, como pedido por Netanyahu e Trump durante os 12 dias de conflito aberto, levaria o mundo à terceira grande guerra: A Rússia e a China não iriam assistir a isso de braços cruzados. Esse tempo já passou. O jogo agora é outro.
O que o Ocidente teme: a convergência entre Irã, China e Rússia
Escobar alerta: com o ataque ao Irã, o Ocidente está acelerando a integração energética e militar entre Teerã, Moscou e Pequim. Ou seja, o tiro pode sair — mais uma vez — pela culatra.
A visita do chanceler iraniano a Moscou, os exercícios conjuntos com forças russas e chinesas, a movimentação em torno do fechamento do Estreito de Hormuz — tudo isso aponta para uma nova etapa de articulação do mundo não alinhado com a OTAN. O que antes era apenas diplomacia agora é estratégia conjunta com potencial militar real.
O BRICS, que nasceu como bloco econômico, está se convertendo — por pressão do Ocidente — em uma aliança geopolítica defensiva, capaz de reagir em conjunto às agressões do “Império do Caos” e do Eixo do Mal.
O desespero do dólar e o colapso da hegemonia
Escobar aponta ainda o nervo exposto do império: o dólar. Com Irã e Rússia vendendo energia fora do sistema SWIFT, com a Arábia Saudita flertando com o yuan e o BRICS preparando sua própria moeda de lastro real, a hegemonia monetária dos EUA balança. E é esse o verdadeiro motivo para a guerra.
Não é sobre direitos humanos. Nunca foi. É sobre petróleo, gás, comércio e projeção de poder no “core” do mundo – Eurásia e África – , já que os Estados Unidos estão isolados em uma “ilha”.
A multipolaridade ou caos
A análise de Pepe Escobar é mais que pertinente. O ataque ao Irã não é um ato isolado. É uma peça de uma engrenagem maior — a tentativa de sufocar o nascente mundo multipolar antes que ele se consolide.
Mas o que o Ocidente parece não entender é que quanto mais bombas jogam, mais costuram alianças entre seus “inimigos”. O mundo está mudando, com ou sem Washington. E, nesse cenário, a única escolha real que resta ao “Império do Caos” é essa: ou aceita a nova realidade multipolar — ou afunda no próprio colapso que está criando.


