O Irã Enfrentou, Resistiu e Venceu

O Irã enfrentou. Resistiu e venceu.

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Por Política em Debate I Brasília, Em 24/06/2025, 19h40

Há momentos em que o mundo prende a respiração. E nos últimos dias, esse foi um deles.

Mísseis e drones cruzaram os céus do Oriente Médio. As manchetes gritaram “terceira guerra mundial” antes mesmo dos estilhaços tocarem o chão. O Irã, pressionado, encurralado, sancionado e ameaçado há décadas, respondeu com o que poucos imaginavam possível: atacou diretamente duas bases militares dos EUA. E atacou com força, precisão e uma coragem que desmontou, de uma vez, o mito da invulnerabilidade americana. Como já tinha destruído a imagem de invulnerabilidade de Israel. Nem a mídia hegemônica ocidental conseguiu esconder isso.

Essa não foi mais uma operação de retaliação indireta, com milícias ou proxys. Foi um recado gravado a fogo e aço: “nós não vamos mais aceitar ser pisados sem resposta.” Quando os mísseis caíram no Catar e no Iraque, as forças americanas não sabiam o que era mais chocante — o estrago ou o fato de que o Irã ousou fazer o que ninguém se atreveu por décadas.

O impacto não foi só militar. Foi psicológico. Os corredores do Pentágono tremeram mais pelo símbolo do que pelo estrago: um país do sul global, sob sanções, desafiou e enfrentou uma das maiores potências militares do planeta, ao lado da Rússia e da China. Mais: O Irã deixou claro que, se a guerra continuasse, não haveria vencedor claro, apenas destruição mútua.

E aí veio o cessar-fogo. Anunciado como “vitória diplomática” por Trump, que tentou roubar a cena como sempre faz — assumindo o palco depois do tiroteio para parecer o homem da paz. Mas qualquer um que tenha acompanhado com atenção sabe: Trump não anunciou paz, anunciou derrota. Uma derrota não estritamente militar, mas estratégica. O Irã saiu vencedor e muito mais forte.

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O alvo americano era uma mudança de regime e a destruição do programa nuclear iraniano, que segue praticamente intacto. As imagens de satélite mostram que os ataques a Fordow não destruíram absolutamente nada estrutural. Em Natanz, o dano foi menor que o ruído midiático. E o urânio já enriquecido? Guardado em local seguro, longe dos alvos bombardeados. O Irã sabia que seria atacado — e jogou com uma frieza estratégica que desmontou as fantasias de Washington.

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A verdade é que quem saiu perdendo foi Netanyahu, que prometia esmagar o Irã, mas acabou devolvendo o inimigo ao palco como protagonista geopolítico, agora mais respeitado e unido internamente. O povo iraniano, que vinha dividido por crises econômicas e descontentamento social, se uniu em torno dos Aiatolás. E não por doutrinação — mas porque, quando a ameaça vem de fora, a defesa se torna um instinto coletivo.

No mundo árabe, a reação foi ainda mais profunda. Da Tunísia à Indonésia, da Síria ao Iêmen, muitos viram no ato do Irã não apenas uma ofensiva militar, mas um ato de dignidade. Um país muçulmano, cansado de ser humilhado por potências ocidentais, finalmente deu uma resposta que todos queriam dar e nunca puderam. Não por amor ao Irã, mas por ódio à impunidade americana.

E agora, com o cessar-fogo anunciado em salas discretas no Catar, resta uma paz que ninguém acredita. Porque, como bem se disse nas entrelinhas diplomáticas: o cessar-fogo é uma vírgula, não um ponto final. Os mísseis podem ter parado de voar, mas as tensões seguem vivas, pulsando, aguardando o próximo pretexto.

O mundo multipolar viu um de seus pilares mais resilientes, o Irã, sair de um confronto direto com os EUA e Israel sem ser desintegrado, sem mudar de regime, sem perder sua soberania. E isso, para Washington, é imperdoável. Por isso, se engana quem pensa que a guerra acabou. Ela apenas mudou de fase.

Mas, pelo que vimos até aqui, se os EUA e Israel quiserem recomeçar, precisarão rever seus cálculos. Porque o Irã não é mais só resistência: agora é exemplo. Nesses dias caóticos: “Às vezes, segurar o gatilho é o verdadeiro ato de força.” Mas o Irã mostrou que, se preciso, sabe atirar.

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