O Ataque dos EUA e de Israel ao irã é um Ataque ao BRICS. Ao Mundo Multipolar

Política em Debate é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por Política em Debate I Brasília, Em 23/06/2025, 10h00

Em um mundo cada vez mais polarizado, onde alianças geopolíticas significam sobrevivência estratégica, o Irã desponta como peça-chave no tabuleiro euroasiático. A recente análise publicada pela Russia Today (RT) — intitulada If Iran falls, we’re next— reflete com clareza a preocupação de políticos e especialistas russos com o avanço das ações ocidentais sobre Teerã. E não é por acaso.

Para Moscou, a estabilidade do Irã não é apenas desejável: é uma questão de segurança nacional. O Irã representa um bastião contra a expansão ocidental no Cáucaso, no Golfo Pérsico e na Ásia Central. Uma mudança de regime que leve ao poder um governo pró-Ocidente transformaria o Irã de aliado estratégico em ameaça direta. Não apenas à Rússia, mas à China, consolidando um cerco geopolítico ao coração do projeto multipolar.

Ataque ao Irã: um ataque ao BRICS e à China

O ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã é mais do que uma ação militar pontual — trata-se de uma ofensiva estratégica contra o BRICS, que já é uma ameaça concreta à hegemonia ocidental e especialmente, ao poderio econômico dos EUA. Se o dólar deixar de ser moeda de reserva de peso significativo nas trocas comerciais, acaba todo o poderio dos Estados Unidos. O dólar é a principal arma de soft power que ainda sustenta os Estados Unidos como potência – quase – hegemônica no mundo atual. O abandono do dólar pelos países do mundo significaria a irremediável ruína dos Estados Unidos.

Mais do que isso: o Irã é parceiro direto da China, não apenas em termos energéticos, mas dentro da infraestrutura crítica da Nova Rota da Seda, que conecta a Ásia à Europa e ao Oriente Médio por corredores terrestres seguros e livres da interferência da OTAN.

Derrubar o atual governo do Irã significa cortar esse elo. Enfraquecer o BRICS. Isolar a Rússia e impedir que a China consolide sua expansão logística e diplomática em regiões historicamente dominadas por Washington.

Trump confirma o plano: mudar o regime no Irã

A declaração do presidente Donald Trump não deixa dúvidas quanto aos reais objetivos da Casa Branca. Em recente entrevista, ele elogiou os ataques norte-americanos ao Irã e sugeriu abertamente apoio a uma mudança de regime no país, dizendo:

“Esses ataques são um bom começo. O povo iraniano quer mudança. Apoiar uma nova liderança pode trazer estabilidade à região.”

A fala é clara: a guerra híbrida contra o Irã é parte de um projeto imperialista antigo, agora reciclado para frear o avanço das potências emergentes. E é também um recado à Rússia e à China. O problema é que o mundo mudou, e os Estados Unidos não são mais tão poderosos quanto eram. Os EUA se encontra em franca decadência.

Um Triângulo em Jogo: Moscou, Teerã e Pequim

O atual eixo de resistência global ao domínio unipolar do Ocidente é formado, essencialmente, por Rússia, Irã e China. Esse triângulo articula não apenas resistências militares e diplomáticas, mas também integrações econômicas decisivas, como a Iniciativa do Cinturão e Rota, o BRICS ampliado e os acordos energéticos bilaterais em moeda local.

Se Teerã for derrubado — seja por bombardeios, sanções sufocantes ou subversão interna —, os Estados Unidos não apenas eliminam um inimigo declarado, mas ferem de morte a arquitetura da resistência global. O Irã, com seus 90 milhões de habitantes, vastas reservas de petróleo e gás e posição geográfica central entre o Oriente Médio, o Cáucaso e o Sul da Ásia, é literalmente insubstituível.

Mudança de Regime: O Fim de Uma Era?

“Se o Irã cair nós seremos os próximos”. Se Putin pensa assim como esses analistas, a Rússia não vai permitir que isso aconteça, já que se trataria de uma ameaça existencial

Os russos estão certos em temer uma mudança de regime no Irã. O que se vê no horizonte não é apenas a queda de um parceiro, mas a inauguração de uma era de isolamento regional para Moscou. A presença americana se expandiria rumo ao Mar Cáspio, ameaçando diretamente o sul da Rússia e seu entorno estratégico.

Em caso de colapso do regime iraniano, a retirada do país do BRICS seria quase certa, bem como a ruptura com os projetos chineses de integração econômica. O Irã voltaria a ser uma peça controlada por Washington, como nos tempos do xá, e poderia se tornar um novo bastião militar contra a Rússia e a China.

Os Alvos de Sempre: Energia, Independência e Soberania

A ofensiva ocidental contra o Irã — com sanções, sabotagens, assassinatos de cientistas e ameaças de guerra — não é nova. Mas o momento atual é mais perigoso: com Israel agindo como cão de guarda de Washington na região, qualquer escalada pode ser o estopim para um conflito de proporções globais.

Se Teerã cair, a energia barata e independente que abastece projetos alternativos ao dólar será capturada. O acesso da China à energia por corredores terrestres será interrompido. E a Rússia perderá seu único parceiro estratégico na fronteira sul que possui poder militar real e vontade de resistir ao imperialismo.

A frase estampada na RT não é exagero, é alerta:

“Se o Irã cair, nós seremos os próximos.”

Se Putin pensa como esses analistas, a Rússia não vai permitir que isso aconteça, já que se trataria de uma ameaça existencial à Rússia. Da mesma forma que uma Ucrânia na OTAN o é.

Referências desse artigo:

‘If Iran falls, we’re next’: What Russian experts and politicians are saying about the US strikes

Trump sugere apoio à mudança de regime no Irã e elogia ataques dos EUA a bases nucleares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *