Senador Bernie Sanders: Trump, não arraste os EUA para a guerra de Netanyahu
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Por Política em Debate I Brasília, Em 19/06/2025, 16h00
Bernard “Bernie” Sanders é um senador norte-americano independente pelo estado de Vermont, nascido em 8 de setembro de 1941 no Brooklyn, em Nova York. Filho de imigrantes judeus de origem polonesa, Sanders construiu uma carreira política singular nos Estados Unidos ao se posicionar claramente como socialista democrático — algo raro no cenário político norte-americano, fortemente marcado pelo bipartidarismo entre democratas e republicanos e por um viés econômico liberal.
Ao longo de sua vida pública, Sanders foi deputado (1991–2007) e, desde 2007, ocupa uma cadeira no Senado. Embora sem filiação formal ao Partido Democrata, é considerado parte do seu bloco parlamentar e disputou as primárias democratas à presidência em 2016 e 2020, com campanhas que mobilizaram milhões de eleitores, especialmente jovens, latinos e trabalhadores.
Nesse artigo do Política em Debate, o senador Sanders fala desse momento trágico para os democratas do mundo. Vamos às ponderações do Senador…
Enquanto o Oriente Médio arde em chamas e o mundo assiste, apreensivo, a mais uma escalada militar entre Israel e o Irã, surge uma voz dissonante do establishment político americano: o senador Bernie Sanders.
Em pronunciamento veiculado no Senado e transmitido em suas redes, Sanders denunciou a natureza ilegal da guerra iniciada por Benjamin Netanyahu, classificou o primeiro-ministro israelense como um “criminoso de guerra” e alertou para o perigo catastrófico que representa a entrada dos Estados Unidos nesse conflito incendiário, iniciado por um aliado irresponsável.
“Netanyahu lançou um ataque ilegal e unilateral contra o Irã, sabotando negociações diplomáticas conduzidas pelos EUA e arriscando uma guerra regional de proporções imprevisíveis.”
Um ataque que atropelou a diplomacia
Sanders revela que, nas semanas anteriores ao ataque, os Estados Unidos haviam conduzido cinco rodadas de negociações com o Irã sobre seu programa nuclear, e uma sexta rodada estava agendada. Netanyahu, em ato deliberado, sabia disso — e atacou mesmo assim, assassinando inclusive o líder da delegação iraniana nas negociações.
O objetivo? Sabotar o processo diplomático e arrastar os EUA para um conflito de extermínio contra o Irã — uma nação que, segundo o próprio serviço de inteligência norte-americano, não está desenvolvendo armas nucleares.
“Trump precisa se lembrar de suas próprias palavras. Ele se apresentou como pacificador. Apoiando Netanyahu agora, será lembrado como o presidente que colocou o mundo à beira da guerra global.”
Israel, Gaza e o histórico de crimes impunes
O senador também escancarou o histórico de crimes cometidos por Israel em Gaza. Segundo ele, Netanyahu é responsável pela fome deliberada de milhares de crianças palestinas e pelo bloqueio de ajuda humanitária da ONU. No mesmo dia do discurso, tanques israelenses abriram fogo contra civis famintos, matando ao menos 59 pessoas. Silêncio das potências ocidentais.
Netanyahu, lembra Sanders, é indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra. Ainda assim, age com total impunidade, agora desafiando não apenas o direito internacional, mas a própria soberania dos EUA, ao ignorar os apelos de Washington por uma solução diplomática com Teerã.
O que está em jogo
Sanders deixou claro que, se Trump decidir apoiar militar ou financeiramente essa guerra, estará violando a Constituição americana, que exige autorização expressa do Congresso para qualquer ação ofensiva.
“Os EUA já deram bilhões de dólares a Israel. Enquanto isso, há americanos dormindo nas ruas, sem acesso à saúde, sem comida. Basta.”
Ele conclui com um apelo: o mundo precisa de paz, não de mais guerras alimentadas por vaidades e interesses de extremistas armados. A guerra de Netanyahu não é dos Estados Unidos, e Trump precisa ser contido antes que arraste o planeta inteiro para o abismo.
NOTA DO BLOG:
Nós concordamos com o Senador Sanders sobre o contexto geral desse conflito entre Israel e o Irã. Entretanto, na nossa opinião e de diversos analistas independentes, Israel age como proxy dos Estados Unidos no estratégico Oriente Médio e que, de fato, essa agressão ao Irã sempre teve o conluio e aprovação descarada do governo dos Estados Unidos.
Desestabilizar o Irã é, na verdade, uma ação contra o BRICS, contra a China, contra a Rússia e pela manutenção da hegemonia do dólar. Uma mudança de regime no Irã, certamente, seria extremamente danosa ao processo de condução do mundo para a multipolaridade, ou seja, o fim da hegemonia dos Estados Unidos.
Fonte desse artigo:
Trump: Don’t Drag the US Into Netanyahu’s War with Iran | Sen. Bernie Sanders



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