Publicado em 30/03/2025, 10:12h
A recente entrevista concedida por Jair Bolsonaro à Folha de S.Paulo revela mais do que suas já conhecidas tentativas de minar o processo democrático. É uma confissão pública, explícita e estarrecedora. A avaliação da ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, sintetiza o espanto que tomou conta de muitos brasileiros diante da naturalidade com que o ex-presidente admitiu planejar medidas ilegais e autoritárias para se manter no poder.

Nas palavras de Gleisi, “é espantoso admitir que tentou sim impor estado de sítio, estado de defesa, aplicação indevida do artigo 142, intervenção militar e outras ‘alternativas’ para não entregar o poder ao presidente eleito”. Essa fala, mais do que uma crítica política, aponta para um fato jurídico de extrema gravidade. A entrevista à Folha é, em essência, uma confissão e, como bem pontua a ministra, deveria ser considerada como agravante no processo ao qual Bolsonaro agora responde no Supremo Tribunal Federal (STF).
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Bolsonaro se tornou réu por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros crimes graves descritos pela Procuradoria-Geral da República. A entrevista em questão escancara que sua conduta não se tratava de bravatas, mas de planos reais e deliberados para impedir a posse do presidente democraticamente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O plano incluía até um eventual assassinato de Lula, de Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Estarrecedor.
A tentativa de normalizar esses ataques à ordem constitucional, tratando-os como uma simples “narrativa” ou “história da carochinha”, é não apenas perigosa, mas também ofensiva à memória das vítimas da violência de 8 de janeiro de 2023 e à inteligência da sociedade brasileira. Não se trata de opinião política, mas de fatos que devem ser apurados, julgados e punidos com o rigor da lei.
A democracia brasileira foi colocada à prova. Agora, cabe às instituições fazerem valer o Estado de Direito, reafirmando que ninguém está acima da Constituição – nem mesmo um ex-presidente da República e seus cúmplices militares.

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