Publicado em 25/03/2025, 13:21h
Carla Zambelli, deputada federal pelo Partido Liberal, o mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenada pela maioria do pleno do STF (6×0) por perseguição armada às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, Zambelli sacou uma arma e perseguiu o jornalista Luan Araújo nas ruas do bairro Jardins, em São Paulo. O julgamento formal ainda não terminou porque o ministro Kássio Nunes pediu vistas do processo, quando já haviam sido proferidos 04 votos pela condenação da deputada.
De quase nada valeu o pedido de vistas de Kássio Nunes, uma vez que os ministros Zanin e Dias Toffoli anteciparam seus votos, que agora está em 6×0 pela condenação, faltando ainda os votos dos demais ministros. Zambelli está sendo apenada a 05 anos de reclusão e, com isso, perde o seu mandato de parlamentar, já cassado pelo TSE de São Paulo, em definitivo. Se serviu de alguma coisa o pedido de vistas de Kássio Nunes é que, em até 90 dias, a ainda deputada não corre o risco de prisão, já que o julgamento ainda não está terminado.

Ao longo de sua carreira, Zambelli esteve envolvida em diversas controvérsias e processos judiciais:
- Perseguição armada em 2022: Às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, Zambelli sacou uma arma e perseguiu o jornalista Luan Araújo nas ruas do bairro Jardins, em São Paulo. Em agosto de 2023, tornou-se ré no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Em março de 2025, o STF formou maioria para condená-la a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto e à perda do mandato parlamentar.
- Cassação do mandato em 2025: Em janeiro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou o mandato de Zambelli e a declarou inelegível por oito anos, devido à divulgação de desinformação sobre o processo eleitoral de 2022. A decisão ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
- Divulgação indevida de dados pessoais: Em agosto de 2024, Zambelli foi condenada pela Justiça de São Paulo a pagar indenização por danos morais a uma professora, após divulgar o número de telefone da educadora nas redes sociais. O episódio ocorreu após a professora enviar uma mensagem privada à deputada, que, em resposta, tornou pública a conversa.
Além desses casos, Zambelli enfrentou acusações de difamação, como em 2017, quando foi detida por ordem do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) após acusá-lo de roubo durante uma sessão no Congresso. Em 2018 ela foi condenada por difamar o ex-deputado Jean Wyllys, acusando-o de pedofilia nas redes sociais.
Além das condenações citadas, Carla Zambelli está sendo investigada pela Polícia Federal (PF) por seu suposto envolvimento em ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado e aos eventos de 8 de janeiro de 2023. Em julho de 2024, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a abertura de uma investigação para apurar a possível participação da parlamentar nesses atos.
Em novembro de 2024, a PF revelou que Zambelli teria pressionado o então comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, para que apoiasse a tentativa de golpe de Estado em 2022, afirmando que o militar “não podia deixar o presidente Bolsonaro na mão“. O comandante, no entanto, se recusou a participar de qualquer ação ilegal.
A trajetória de Carla Zambelli reflete sua atuação como uma militante ativa da extrema direita brasileira, marcada por posições controversas e envolvimento em diversos processos judiciais ao longo de sua curta carreira política.
Quanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ele acusa Zambelli de ser a responsável pela sua derrota eleitoral para Lula em 2022. Há muita controvérsia se a “perseguição armada de Zambelli em 2022” teria realmente prejudicado a campanha do ex-presidente.