Reinaldo Azevedo Fala de Máfia, Motta, Derrite e Tarcísio

PolitikBr é uma mídia independente. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 16/11/2025, 19h:00, leitura: 6 min

O Brasil chega a 2025 com a segurança pública firmemente instalada no topo das preocupações nacionais. Lula, claro favorito para as próximas eleições presidenciais, enfrenta um fantasma conhecido: a eterna tentativa da direita de explorar o tema da violência para fins eleitorais. O retrato mais brutal dessa estratégia está na recente operação policial no Rio de Janeiro, orquestrada pelo governador Cláudio Castro, que aterrorizou a população e ganhou aplausos vitais para a sua popularidade.

Não por acaso, a operação no Rio foi um divisor de águas para Cláudio Castro, que colheu um bônus político imediatista a custo das comunidades mais vulneráveis, onde o medo virou moeda de troca para a aprovação popular. Reinaldo enfatiza que tais ações violam os direitos da população e protegem os verdadeiros chefes do crime: “Tem governador que está querendo considerar o menor de idade terrorista, enquanto o projeto protege cabeças do crime organizado. É inacreditável; e tenta pegar peixe pequeno.”

Mas a crítica vai além do confronto policial simplista. O jornalista alerta que o combate efetivo deve passar por reformas profundas e estruturais: Lula precisa, segundo Reinaldo, escutar seus aliados que defendem a criação de uma agência nacional antimáfia, órgão autônomo inspirado no FBI americano e em modelos europeus, dotado de independência funcional e administrativa para centralizar, articular e racionalizar o enfrentamento do crime organizado, que hoje permeia os estados, as prefeituras e até entes da administração pública.

Reinaldo é enfático ao condenar a classe política que negligencia a segurança pública: “O que vocês fizeram pra segurança pública? Nada. O Brasil tem cinco presídios federais, não adianta me xingar, me contestar, mandar mensagem pra lá e pra cá.”

Ele denuncia a inércia e a tentativa de esconder o problema atrás da retórica fácil, enquanto o brasileiro comum vive o inferno da insegurança, como mostram recentes pesquisas: 6 em cada 10 brasileiros não se sentem seguros nas suas cidades, e a violência já é maior preocupação do país.

A operação truculenta no Rio, segundo ele, “é um espetáculo grotesco” que consegue esconder a ineficácia das ações de segurança ao usar a força bruta, criando um cenário onde a população vibra com o medo: “É o regime da impunidade que é a tirania. É preciso apurar responsabilidades. É assim que se faz democracia.”

A extrema direita, enquanto tenta se reinstalar como voz dominante explorando a insegurança e o medo, falha em propor soluções reais. A última jogada foi protagonizada pelo Secretário licenciado de segurança pública de São Paulo, deputado Guilherme Derrite, que, em explícito conluio com Hugo Motta e Tarcísio de Freitas, foi escolhido relator do Projeto da Lei antifacção enviado pelo governo à Câmara dos Deputados, o deformando de tal forma – em menos de um dia após receber a relatoria – , que gerou uma imensa revolta da população, já que, na primeira versão alterada do texto, Derrite, na prática, afastava a competência da PF em investigar organizações criminosas, a não ser que isso fosse pedido pelo governador onde ocorria a ação criminosa.

Derrite alterou o texto original do projeto de lei do governo (do PL 5582/2025) por quatro vezes consecutivas. As modificações foram altamente criticadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e por especialistas, pois enfraqueciam a atuação do Estado no combate ao crime organizado, blindando, na prática, as facções criminosas e limitando prerrogativas essenciais da PF, do Ministério Público e da Receita Federal.

Reinaldo Azevedo, em suas análises, denunciou esse cenário: “… Por que tanta dedicação em impedir um projeto contra o crime organizado? O que se fez foi fazer um projeto que, na prática, é a favor do crime organizado.”

Reinaldo expôs a gravidade da situação, denunciando que ao invés de fortalecer o combate às organizações criminosas, caso o projeto de lei, alterado por Derrite, fosse aprovado, promoveria a proteção aos verdadeiros chefes do crime.

Foi uma trapaça. O governo fez a proposta da lei antifacção, tinha aquela porcaria da conversão do crime de facção… Na segunda versão, a Polícia Federal teria de pedir autorização aos governadores para investigar; e se eles falassem não, não haveria investigação. Isso é um absurdo. Essa montagem do trio Derrite-Tarcísio-Motta foi claramente para enfraquecer as forças de segurança e beneficiar o crime organizado. Eu nunca vi nada tão descarado. Além disso, a indicação da relatoria para Derrite foi prerrogativa de Tarcísio, mostrando o alinhamento político entre eles para controlar o projeto.” (Reinaldo Azevedo)

Objetivamente, se essa proposta avançasse, quem sairia ganhando?, questionou Reinaldo. Quem teria realmente ganhado com isso?

A questão tomou grande repercussão na opinião pública, ficou cristalino o que se pretendia fazer, e a reação foi generalizada. Em resposta à pressão, Derrite anunciou seu recuo.

Ninguém pode mexer com a competência da Polícia Federal, especialmente no que tange aos crimes de facção, que saíram do capítulo da lei antiterrorismo (Lei 13.260) — capítulo este onde jamais deveriam ter sido inseridos, nem como objetivo inicial do projeto. Em seu lugar, foi proposto um tipo penal autônomo, ao qual Derrite, de forma equivocada, tentou dar uma roupagem mais “nobre”, falando em controle estrutural de territórios e outros termos nebulosos”. (Reinaldo Azevedo)

Diante do impasse, houve intensa pressão da base parlamentar do governo, da opinião pública e da PF sobre Derrite, que, como dissemos, recuou – uma estrondosa derrota para Tarcísio de Freitas e a extrema direita – , restabelecendo autonomias e revendo enquadramentos — mas o estrago político e social já estava feito, gerando um mal-estar profundo, indignação do público e das forças de segurança. Derrite agora, mais perdido do que nunca, irá apresentar uma quinta versão do seu texto.

Um fato curioso ocorreu no calor da discussão: figuras políticas importantes como Zema, Caiado, Michelle Bolsonaro, e Nicolas não se manifestaram sobre o tema, evidenciando o abandono de Derrite à própria sorte — que, junto com o deputado Motta, foi deixado sozinho nesse embate.

Não estranhem se depois dessa patuscada protagonizada por Derrite e parças, a popularidade de Lula, que havia caído ligeiramente, como favorito absoluto para as eleições de 2026, volte a subir. Foi um tiro no pé de Derrite e seus associados.

O combate à violência sistêmica e às quadrilhas que lucram com o narcotráfico, com adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro via fintechs, é complexo, doloroso; e exige mais do que arroubos de violência.

A segurança pública não deve ser tratada como combustível político, mas como um problema social e institucional que demanda coragem política e reformas estruturais.

Lula, portanto, tem a responsabilidade de não sucumbir a esses atalhos demagógicos. Sua vitória e legado eleitoral dependem da capacidade de implementar políticas que combinem inteligência institucional, coordenação federativa e um verdadeiro pacto nacional contra o crime organizado, afastando a tentação autoritária que seu adversário politico sempre promove.


Esse artigo foi baseado em:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *