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Por PolitikBr I Brasília, Em 24/10/2025, 18h:20, Leitura: 4 min
A deputada federal Carla Zambelli vive o momento mais sombrio de sua carreira política — um verdadeiro inferno astral que expõe as contradições da extrema direita em ruínas e o preço da arrogância.
Por ter dupla cidadania, Zambelli fugiu do Brasil em maio deste ano, após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023.
Ela já havia sido condenada a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, quando perseguiu o jornalista Luan Araújo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo.
Presa na Itália, condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e agora alvo de um parecer favorável à sua extradição pelo Ministério Público Italiano, Zambelli simboliza a trajetória de um projeto político que confundiu imunidade parlamentar com impunidade. Zambelli deve ter imaginado que, amparada pelo seu mandato, e durante o governo Bolsonaro, poderia fazer o que bem quisesse, sem arcar com as consequências. Um grande engano.
Quando fugiu do Brasil, a parlamentar – que vergonha para a Câmara dos Deputados Zambelli ainda não ter perdido o mandato – apostava que a Itália seria seu refúgio seguro. Que estaria amparada por uma suposta “justiça justa”, como disse em vídeo gravado já em solo italiano:
“Eu não vou voltar para o Brasil para cumprir pena. Se eu tiver que cumprir qualquer pena, vai ser aqui na Itália, que é um país justo e democrático.”
Mas o tempo, que tudo revela, mostrou que o mito da impunidade não resiste ao peso da lei. O Ministério Público da Itália emitiu parecer favorável à extradição de Carla Zambelli para o Brasil, contrariando suas próprias palavras e frustrando o cálculo político de uma fuga que pretendia ser definitiva.
As condenações que corroem o discurso
Enquanto tentava escapar da justiça brasileira pelas duas condenações a ela impostas, Zambelli também era ré em um processo movido pela jornalista Vera Magalhães. E não deu outra. Mais uma condenação. Dessa vez pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que a condenou ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais. O motivo: ofensas proferidas nas redes sociais, em 2022, quando a deputada amplificou ataques machistas de Jair Bolsonaro contra a jornalista, que apenas havia questionado o então presidente sobre a baixa cobertura vacinal no país.
A decisão judicial destacou o machismo subjacente à conduta da deputada e à fala de Bolsonaro. A desembargadora Mônica de Carvalho sintetizou o caso ao afirmar que a tentativa de reduzir uma jornalista à condição de “apaixonada” por um político é uma forma clássica de desqualificar a mulher por meio da erotização da discordância. E foi além: reconheceu que é ainda mais grave quando uma mulher, como Zambelli, reproduz e legitima esse tipo de violência simbólica.
O bolsonarismo órfão de seus heróis
Zambelli não é um caso isolado. Ela faz parte da implosão moral e jurídica do bolsonarismo. Os mesmos que gritavam por “liberdade” nas redes sociais agora colhem os frutos de sua própria radicalização— e os protagonistas vão caindo um a um, enquanto o país reconstrói e reforça seus instrumentos judiciais.
A imagem que resta de Zambelli não é a de uma deputada combativa, mas a de uma fugitiva desmentida pela justiça. E, ironicamente, será a Itália — o país que ela exaltava como “justo” — que a extraditará de volta ao Brasil para cumprir as penas a que foi condenada.
O inferno astral de Carla Zambelli é, na verdade, o crepúsculo de um projeto político que se alimentou do ódio alimentado por mentiras, e que agora colhe a decadência e a repulsa da sociedade.
Esse artigo foi baseado em:
Agência Brasil: MP da Itália dá parecer favorável à extradição de Carla Zambelli
UOL Notícias: Carla Zambelli é condenada a pagar R$ 20 mil à jornalista Vera Magalhães
YouTube: Carla Zambelli surta em vídeo e afronta o STF
Por 9 votos a 2, Zambelli é condenada pela segunda vez no STF | Agência Brasil


