Caças Russos portando mísseis hipersônicos kinzhal na Ucrânia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 13/10/2025, 19h:20, Leitura: 5 min
Editado em 17/10/2025, 19h08
O novo relatório do Atlantic Council, citado pela Newsweek reconhece abertamente o que os estrategistas do Pentágono evitavam admitir: a Rússia, a China e mesmo o Irã ultrapassaram os EUA no campo das armas hipersônicas, inaugurando uma nova era no equilíbrio militar global.
A declaração representa um colapso simbólico da hegemonia tecnológica ocidental, construída desde a Segunda Guerra Mundial e consolidada após a queda da União Soviética. Agora, o próprio establishment norte-americano alerta que “a assimetria no campo de batalha está se ampliando”, resultado direto da determinação de Moscou, Pequim e Teerã em desenvolver sistemas operacionais avançados hipersônicos, enquanto Washington se afoga em disputas orçamentárias, custos de construção ineficazes e muito superiores aos da Rússia, por exemplo, e atrasos em cronogramas de desenvolvimento e de fabricação desses novos armamentos.
O diferencial hipersônico
As armas hipersônicas não são apenas mísseis mais rápidos. Elas representam uma mudança de paradigma na lógica da guerra moderna. Elas voam à velocidades acima de Mach 5 — cinco vezes a velocidade do som, chegando a Mach 12, ou mais, como o míssil Russo oreshnik — e realizam manobras imprevisíveis, o que torna inútil as atuais defesas antimísseis, concebidas para interceptar projéteis percorrendo trajetórias parabólicas previsíveis, e não trajetórias aleatórias em elevadíssima velocidade.
A Rússia já opera um arsenal avançado de mísseis hipersônicos:
- o kinzhal, capaz de atingir alvos a 2.000 km em Mach 10;
- o tsirkon, lançado a partir de navios e submarinos, projetado para destruir porta-aviões;
- o avangard, o mais temido, que pode carregar ogivas nucleares manobráveis a Mach 20 e
- o já famoso oreshnik, depois da espetacular destruição em Dnipro (Ucrânia)
A China, por sua vez, consolidou seus sistemas hipersônicos DF-17 e DF-26, projetados para anular a vantagem naval dos EUA no Pacífico. Enquanto isso, os protótipos americanos ainda enfrentam problemas de estabilidade térmica, precisão e custo — um fiasco para o país que se orgulhava de estar à frente na corrida da “guerra tecnológica”.
Oreshnik: o míssil que mudou as regras
O caso mais impressionante e que, sim, realmente chocou a opinião pública ocidental foi o uso experimental do oreshnik, uma arma que transcende qualquer paradigma anterior.
Em 2024, ele foi utilizado contra uma fábrica metalúrgica fortificada na cidade ucraniana de Dnipro, e o resultado deixou os analistas militares ocidentais atônitos. Eles se deram conta de como a OTAN está vulverável perante o poderio militar Russo.
O Oreshnik, segundo relatórios técnicos russos, possui seis ogivas principais, que se subdividem em outras seis, totalizando 36 projéteis independentes, cada um capaz de atingir ativos diferentes. O vídeo publicado sobre esse ataque de precisão é realmente impressionante.
Viajando entre Mach 10 e Mach 12, o míssil não utilizava nenhuma carga explosiva, funcionando, nesse caso, como um projétil cinético — o poder destrutivo vem da energia cinética (Ec = mv²/2), isto é, a massa da ogiva multiplicada pela velocidade ao quadrado, dividido por 2, liberada pelo impacto. Essa quantidade de energia foi suficiente para pulverizar os bunkers reforçados – subterrâneos – da instalação; com temperaturas que superaram a da superfície do sol (6 mil graus celsius).
A mídia estatal russa, em tom de deboche, lembrou: bastariam 11 minutos para atingir uma base da OTAN na Polônia e 17 minutos para alcançar Bruxelas. Era mais que um recado — era um aviso: a era da invulnerabilidade da OTAN havia acabado.
Os ecos da Guerra dos 12 Dias
O poder tecnológico hipersônico não é exclusividade russa ou chinesa. O Irã, durante a chamada Guerra dos 12 Dias contra Israel, demonstrou na prática que domina essas tecnologias, um feito impressionante em ciência, pesquisa, inovação tecnológica e capacidade industrial militar, para um país sancionado pelo ocidente há décadas. Mísseis iranianos hipersônicos, lançados em ondas com centenas de drones avançados isca, conseguiram superar com facilidade todas as defesas antimísseis israelenses, dentre elas o Domo de Ferro — o mais celebrado sistema antiaéreo de Israel, tido, até então, como invencível. Foi uma humilhação tanto para Israel quanto para os Estados Unidos, que rapidamente propuseram o fim ou pausa no conflito, face aos danos infringidos contra alvos estratégicos dentro do território israelense (militares, energéticos e portuários) provocando destruição generalizada.
O episódio foi um choque geopolítico. Pela primeira vez, Israel experimentou vulnerabilidade real. E o mundo viu que a defesa antimíssil ocidental, base da doutrina de dissuasão de Washington e da OTAN, está irremediavelmente obsoleta diante da nova geração de mísseis hipersônicos, e que mesmo imensos e formidáveis porta aviões americanos, podem ser afundados por esses novos mísseis.
O desequilíbrio do poder não se faz mais só com infantaria, tanques, aviões e porta-aviões, mas também com velocidade, precisão e dispersão inteligente de ogivas potentes e insuperáveis, dessa nova geração de armamentos hipersônicos.
A vulnerabilidade da Europa e a corrida contra o tempo
A Europa, outrora confortável sob o guarda-chuva de proteção americano, agora se vê exposta, vulnerável. Mesmo as defesas integradas da OTAN — o Aegis, o Patriot, ou o Arrow — não são projetadas para interceptar projéteis manobráveis a Mach 10 ou mais.
O alcance estimado do Oreshnik é de 5.500 km, o que significa que um único disparo a partir de Kaliningrado, por exemplo, poderia atingir todas as capitais europeias em minutos. E como o míssil pode carregar ogivas cinéticas, explosivas ou nucleares, o tempo de reação das defesas ocidentais seria virtualmente nulo a uma tentativa de resposta eficaz.
Enquanto o Pentágono debate orçamentos, contratação de subcontratos, atrasos de produção e problemas de qualidade, a Rússia, a China e o Irã produzem esses armamentos em série. O resultado é um colapso estratégico, algo que os relatórios americanos já reconhecem com preocupação. “Precisamos agir decisivamente agora”, afirmou Stephen Rodriguez, diretor da força-tarefa sobre armas hipersônicas do Atlantic Council. A declaração soa menos como uma proposta e mais como um pedido de socorro.
Esse artigo foi baseado em:
- https://noticiabrasil.net.br/20251013/revista-russia-e-china-assumem-lideranca-mundial-em-armas-hipersonicas-deixando-eua-para-tras-44188237.html
- https://politicaemdebate.org/2025/08/04/putin-escala-o-apocalipse-producao-em-massa-do-missil-hipersonico-oreshnik-e-a-retorica-do-mao-morta/
- https://politicaemdebate.org/2024/11/13/o-poder-dos-misseis-hipersonicos-do-ira-como-eles-superaram-a-defesa-israelense/
- US issued hypersonic weapons warning – Newsweek


