Josias de Souza: “Eduardo Bolsonaro ladrilhou seu próprio caminho para o inferno”

Josias de Souza: “Eduardo Bolsonaro ladrilhou seu próprio caminho para o inferno”

Eduardo Bolsonaro se tornou símbolo de autossabotagem e ruína política — não só para si, mas também para todo o clã familiar. À medida que o cerco institucional aperta, Eduardo se mostra cada vez mais isolado, agressivo, e perigoso até para os interesses do próprio pai, já condenado, e do bolsonarismo como projeto político.

PolitikBr é uma mídia independente. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 26/09/2025, 18h:34, Leitura: 5 min

A autossabotagem e o isolamento crescente

No auge do escândalo da PEC da Blindagem, o jornalista Josias de Souza descreve o papel de Eduardo em sua saga contra todos: “O Eduardo Bolsonaro tá isolado até de si mesmo. Quando ele olha no espelho, ele deve se sentir isolado porque não concorda nem consigo mesmo.” Ele é, para Josias, o exemplo de político cujos interesses pessoais contaminam qualquer debate coletivo, tornando suas opiniões “suspeitas porque são do Eduardo Bolsonaro. Qualquer opinião do Eduardo Bolsonaro sobre esse tema tem um vício de origem.”

Da defesa radical e vazia da blindagem à tentativa de manipular processos para se proteger, o deputado se tornou, nas palavras do jornalista, “beneficiário direto” da proposta de impunidade enterrada pelo Senado e rejeitada pela sociedade. Josias exemplifica: “Se a PEC da blindagem já estivesse em vigor, agora o Supremo teria que perguntar […] ‘Senhores deputados, eu posso abrir uma ação penal contra o Eduardo Bolsonaro?’ E a Câmara […] iria negar o pedido ou silenciar, e a ação penal não seria aberta. […] qualquer opinião do Eduardo Bolsonaro sobre isso não vale nada, porque ele é beneficiário.”

Raízes da crise na família Bolsonaro

Segundo apuração da jornalista Mônica Bergamo, o ex-presidente Jair Bolsonaro pediu a interlocutores que conversem com o filho Eduardo para que ele “feche a boca” e não atrapalhe as negociações em favor da anistia ou da redução da pena do próprio pai. Como destacado pela comentarista, “A gente tá vendo que isso não tá acontecendo, né? […] A atuação do Eduardo tem duas reações principais: pesa sobre a situação judicial e prejudica a negociação política em torno da anistia e das reduções de penas – inclusive para o próprio pai”.

O traidor da pátria e o fiasco familiar

O ápice da análise ocorre quando Josias cunha a expressão definitiva para o papel de Eduardo Bolsonaro: “a sua nova atribuição de traidor da pátria, sem correr o risco de ter o mandato cassado por faltas, porque as faltas seriam abonadas”. Josias põe o dedo na ferida: ao embarcar na estratégia de sanções, ataques ao país e sabotagem às instituições, Eduardo atinge um grau de agressão que já não pode ser visto senão como traição explícita.

A situação do deputado é tão precária dentro do próprio grupo que, relata Josias, “hoje o pai, o Bolsonaro, pede a Deus que o salve desse filho salvador, porque sua situação só se complicou desde que ele disse que ia salvar o pai.” É a inversão total: quem prometia livrar o pai agora se transforma em seu maior problema, a ponto de emissários tentarem “conter” Eduardo nos EUA – esforço considerado inútil.

O caminho para o inferno

Eduardo Bolsonaro segue atacando interlocutores, congressistas, ministros do STF e, sobretudo, desenha seu próprio caminho para a marginalização política, ao mesmo tempo em que desafiava Hugo Motta e outros caciques para garantir blindagem regimental, que, se diga de passagem, fracassou, já que seu mandato deve ser cassado. Ele já superou o número máximo de faltas permitidas pela Câmara para um deputado. Assim, em breve, o Brasil estará livre desse “deputado”.

Eduardo Bolsonaro também deve se tornar réu em denúncia apresentada pela PGR, por coação judicial, ao STF. Assim, além de ser alvo de um- merecido e tardio – processo de cassação na Câmara dos Deputados por faltas e quebra de decoro, ele vê suas ambições políticas desmoronarem. Josias sentencia: “ele ladrilhou o seu próprio caminho para o inferno.”

O clã Bolsonaro está em processo de implosão. Hoje o filho Jair Renan Bolsonaro se tornou réu e a Justiça do Distrito Federal marcou o início do seu julgamento para 17 de novembro. Jair Renan responde por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso.

Segundo as investigações, Jair Renan e seus associados criaram uma identidade fictícia para obter empréstimos bancários fraudulentos, usando documentos e registros empresariais falsos vinculados à sua empresa de eventos. O esquema, apontado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, envolvia a ocultação dos verdadeiros proprietários das empresas, prática típica de associação criminosa.

O caso expande a lista de processos que envolvem diretamente os familiares do ex-presidente, condenado, reforçando o clima de falência moral do “clã Bolsonaro” diante da sociedade.

O resumo dessa “ópera” em que o pai – Jair Bolsonaro – está condenado, o filho Eduardo Bolsonaro deve perder o mandato e se tornar réu em breve, e o filho Jair Renan também se tornou réu, e será julgado, é a ponta do iceberg da implosão do projeto autoritário familiar dos Bolsonaro´s.

Esse artigo foi baseado em:

Bolsonaro pede que Eduardo ‘feche a boca’ para não prejudicá-lo, mas filho intensifica ataques

Eduardo prometia salvar o pai; agora, é Bolsonaro que precisa ser salvo do próprio filho | Josias

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/justica-marca-primeiros-depoimentos-de-acao-penal-contra-jair-renan

https://www.brasil247.com/brasil/justica-marca-depoimentos-em-acao-penal-contra-jair-renan

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *