Os EUA e a violência política

O analista em geopolítica, escritor e youtuber Danny Haiphong, conhecido por suas críticas ao imperialismo norte-americano, e colaborador de veículos como CGTN e Multipolarista, falou na sua perspectiva do perturbador assassinato de Charlie Kirk, um extremista de direita, ocorrido durante um evento universitário em Utah. Sua análise não se limita ao crime em si, mas aponta para as raízes estruturais de um sistema político corroído pela violência, tanto interna quanto externa.

PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 12/09/2025, 19h:59, Leitura: 4 min

Para Danny, o episódio do assassinato de Kirk não pode ser tratado como um ato isolado de um “lobo solitário”. Ao contrário, “vivemos em um país que gera violência, não apenas no exterior, mas também em casa”. Décadas de guerras, desigualdade social crescente e uma cultura militarizada criaram um ambiente explosivo nos EUA, onde tiroteios em massa, assassinatos políticos e a banalização da vida se tornaram parte do cotidiano.

Danny ressalta que a grande mídia, em vez de discutir as causas estruturais da instabilidade, se concentra em promover censura e dividir ainda mais a sociedade. “Eles vão usar esse evento para promover a censura em vez de abordar as causas profundas”, diz Haiphong, lembrando que isso já ocorreu em outros episódios de crise.

Esse é o reflexo de um sistema em que o povo é mantido preso à propaganda, sem espaço real para debate.

“O país está entrando em um período de agitação civil e guerra ideológica. A violência política provavelmente vai aumentar, e as elites vão usá-la para consolidar seu poder.” Para o analista, o assassinato de Kirk revela a “normalização da violência”, reforçada por uma indústria de armas que “inundou os Estados Unidos com armas de fogo”, tornando tiroteios em escolas e assassinatos políticos rotina nacional.

Haiphong conecta a violência interna à externa: “A violência americana não fica apenas no exterior. Ela retorna como um bumerangue”. Ele lembra que o país matou mais de 4,5 milhões de pessoas em guerras no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na Síria, no Iêmen e na Ucrânia. Essa lógica de destruição, segundo ele, inevitavelmente retorna para corroer a própria sociedade estadunidense.

“Os Estados Unidos estão cometendo violência política em todo o mundo… já fizeram isso em mais de 50 países desde a Segunda Guerra Mundial… e esse número só aumenta”, afirma Haiphong. “A violência política está onde realmente reside: em Washington, no Pentágono, nas câmaras do Congresso.” A indignação de Danny se deve ao fato de que as tragédias internas não são menos importantes do que as guerras globais patrocinadas pelas elites.

O analista também observa a ironia de que Kirk, defensor fervoroso de Israel e de agendas neoconservadoras, acabou vítima de um ambiente de caos e instabilidade que o próprio establishment ajudou e ajuda a alimentar. Ainda que críticas à Israel e teorias sobre o envolvimento do Estado israelense nessa morte circulem, Haiphong alerta: “Devemos sempre questionar… mas precisamos de mais evidências para provar esse ponto”.

A verdade é que a violência política nos EUA não é um desvio, mas um reflexo de um país imperialista em colapso. “Se aceitarmos e tolerarmos esse tipo de violência política, perdemos o ponto mais importante, que é a necessidade de derrotar os poderosos, as elites, com clareza, e não com atos aleatórios de violência”. Para Danny, a violência não salvará os EUA – apenas a organização política, a verdade e a resistência a esse modelo imperialista americano poderão abrir caminhos para uma sociedade menos repressiva.

O caso Charlie Kirk, portanto, não é apenas mais um crime a ser lamentado, mas o retrato de um país que exporta violência e agora a vive em sua própria pele. Como sintetiza Haiphong, “esta é a violência política em microcosmo” o reflexo de uma nação que, ao perder a sua hegemonia, se volta contra si mesmo, abrindo espaço para mais instabilidade, repressão e guerras.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *