A vida política de Jair Bolsonaro e de sua família poderia ter tomado rumos muito diferentes. O que vemos hoje — um ex-presidente condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão, sendo 24 anos e 9 meses de reclusão e os outros 2 anos e 6 meses de detenção, além de 124 dias-multa de dois salários mínimos; desmoralizado perante a história — é fruto de escolhas erradas, de uma ambição desmedida e de um projeto de poder construído na base do golpismo e da fraude. Mas, como toda narrativa política, havia outros caminhos possíveis. Três cenários nos ajudam a compreender como decisões moldam destinos — e como más escolhas pavimentam ruínas, enquanto escolhas responsáveis poderiam ter gerado frutos futuros.
PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 11/09/2025, 21h:00, Leitura: 4 min
Cenário 1: o desastre que vivemos
No presente, Bolsonaro é a própria caricatura do político que se perdeu na ânsia pelo poder absoluto. Depois de tentar um golpe de Estado em 2022, recusando-se a aceitar a derrota para Lula, acabou conduzido ao banco dos réus. O resultado: condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes contra a democracia. Seus filhos, que poderiam ter carreiras políticas estáveis, seguiram o mesmo caminho de radicalização. Eduardo Bolsonaro se refugia nos Estados Unidos, conspirando abertamente contra o Brasil e ajudando a articular sanções econômicas contra o próprio país que o elegeu. Flávio Bolsonaro, o primogênito, vê sua imagem corroída, mergulhada em acusações de rachadinhas e vínculos espúrios. Carlos Bolsonaro permanece como um personagem errático, mais ligado a máquinas de fake news do que a políticas públicas. O bolsonarismo, que já foi força hegemônica, se transforma em um espectro de desagregação e vergonha nacional.
Cenário 2: o caminho da obscuridade parlamentar
Imaginemos, porém, que Bolsonaro não tivesse disputado a presidência em 2018. Se tivesse permanecido como deputado obscuro, cumprindo mais um ou dois mandatos no baixo clero, hoje seria apenas mais um político de carreira medíocre. Os filhos, provavelmente, ainda estariam na política, mas sem a aura de mártires da extrema direita. Teriam enriquecido ainda mais, como tantas famílias tradicionais, beneficiando-se dos mecanismos de poder e das relações espúrias de sempre, mas sem a exposição nacional que trouxe à tona os escândalos das rachadinhas e as acusações de peculato. Não haveria escândalo das joias, nem a tentativa de vender presentes do Estado. O bolsonarismo jamais teria existido como movimento de massas. O Brasil teria seguido seu curso, com outros atores protagonizando o cenário da direita, talvez mais previsíveis e menos destrutivos.
Cenário 3: a escolha democrática que nunca foi feita
O terceiro cenário é o da política institucionalizada, do jogo democrático aceito, ainda que contrariado. Se Bolsonaro, derrotado por Lula em 2022, tivesse reconhecido o resultado, passado a faixa e se colocado na oposição como líder de seu campo, estaria hoje fortalecido. Seria presidente honorário do PL, sua esposa à frente do PL Mulher, e os filhos seguiriam trilhando o caminho político pela via democrática. Bolsonaro, inclusive, poderia se candidatar ao Senado em 2026 pelo Rio de Janeiro, com grande chance de vitória. A família teria se consolidado como uma dinastia política, comparável a tantas outras: os Gomes no Ceará, os Sarney no Maranhão, os Magalhães na Bahia. Poderiam ter garantido poder, influência e patrimônio sem o peso da condenação penal e da desonra histórica.
A novela das escolhas
O que diferencia esses cenários é a qualidade das escolhas. No primeiro, a busca pelo poder absoluto destruiu não apenas o futuro de Bolsonaro, mas arrastou consigo sua família e seu movimento. No segundo, a mediocridade teria mantido a família longe das páginas policiais, mas sem brilho. No terceiro, a aceitação da democracia teria assegurado protagonismo duradouro, pavimentando uma carreira de oposição institucionalizada.
O que temos, afinal, é uma novela política em que o personagem principal optou sempre pelo pior caminho. A cada encruzilhada, escolheu a radicalização, a mentira, a violência. E agora paga o preço. No Brasil, como em toda democracia, péssimas escolhas de trajetória levam a desastres futuros. Boas escolhas, quando feitas, podem gerar frutos políticos e históricos. Mas Bolsonaro preferiu a ruína.