O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) ultrapassou todas as fronteiras da decência parlamentar ao fazer, em plenário, uma ameaça explícita de assassinato contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O episódio, ocorrido em 20 de agosto de 2025, foi transmitido ao vivo:
“Alexandre de Moraes, presta atenção: o seu dia, o seu fim está próximo. E nós vamos acabar com sua vida, porque você não pode fazer o que você está fazendo”, disse Zé Trovão, com o microfone cortado logo em seguida. Diante da repercussão negativa, tratou de se retratar, alegando que queria “acabar com as injustiças”, não com vidas. O recuo tardio reforça o padrão de agressividade que tem marcado sua trajetória política
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Por PolitikBr I Brasília, Em 21/08/2025, 19h:00, Leitura: 3 min
Histórico de violência e abandono familiar
A postura violenta de Zé Trovão não se limita ao campo político. O deputado responde na Justiça de Santa Catarina por violência contra a ex-mulher e por não pagamento de pensão alimentícia ao filho menor, conforme atestam decisões judiciais e relatos públicos de sua ex-companheira. Em 2024, sua prisão foi decretada por dívida de pensão — o mandado só não foi expedido porque a defesa conseguiu negociar parte do pagamento e alegou supostos erros nos cálculos.
Segundo a ex-esposa, além da dívida, o deputado teria praticado maus-tratos, ofensas públicas e até violência política de gênero. O caso é emblemático, pois exibe o retrato de um representante eleito para a Câmara dos Deputados incapaz de cumprir obrigações básicas com o próprio filho e a ex-família, recorrendo à vitimização e acusações infundadas (de “vingança”) para tentar se isentar de culpa.
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Enriquecimento expressivo e suspeito
Outro aspecto que chama atenção é o enriquecimento rápido e incompatível com o padrão salarial do parlamentar. Segundo reportagens do portal Metrópoles, desde que assumiu o mandato em 2023, Zé Trovão adquiriu quatro carros, uma moto e uma casa de R$ 1,5 milhão em condomínio de luxo em Joinville (SC). O financiamento mensal do imóvel (cerca de R$ 13.600) é superior ao rendimento líquido do deputado após descontos.
A defesa alega que parte dos bens foi financiada e que a atual esposa colabora nos pagamentos, mas o padrão de aquisições — em tempo recorde e sem justificativa clara — espelha o modus operandi de outros membros da extrema-direita, envolvidos em denúncias de enriquecimento ilícito.
Vídeos e publicações nas redes sociais denunciam que Zé Trovão “turbina seu patrimônio em uma velocidade que chama a atenção até mesmo para os padrões de Brasília”.
A epidemia de corrupção entre bolsonaristas
Zé Trovão não está sozinho: a família Bolsonaro e aliados concentram suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e aquisição de imóveis em espécie. Entre 2010 e 2020, por exemplo, os Bolsonaro acumularam 107 imóveis, muitos pagos em dinheiro vivo ou parte em dinheiro vivo (cash) — prática clássica de ocultação de patrimônio. Casos como o de Flávio Bolsonaro, investigado por “rachadinha”, ilustram como boa parte da extrema-direita transformou mandatos parlamentares em instrumentos para enriquecimento pessoal e ataques sistemáticos às instituições democráticas.
O Congresso Nacional está apinhado de “Zés Trovão”
O caso Zé Trovão serve de alerta para o aviltamento institucional que se instalou no Congresso brasileiro. Violência verbal contra ministros do STF, histórico de agressão familiar, descumprimento de obrigações legais e patrimônio incompatível com a renda: este é o retrato de uma parcela da extrema-direita que, enquanto vocifera pela moralidade pública, pratica sistematicamente a corrosão ética e política.
A blindagem parlamentar não deve se sobrepor à necessidade urgente de responsabilização e de depuração dos quadros políticos — para que a democracia não se transforme numa arena de violência, enriquecimento suspeito e, pior, impunidade.