O abuso do uso da lei Magnitisky contra o ministro Alexandre de Moraes
Esse artigo do PolitikBr comenta a publicação do The Telegraph a respeito da lei Magnitsky e do desvirtuamento de sua utilização como arma de coerção contra adversários políticos de Donald Trump. O que deveria ser um instrumento para punir violações graves de direitos humanos e combater a corrupção transnacional se tornou, nas mãos do atual presidente dos Estados Unidos, um instrumento de coerção descarada e descabida — aplicado de forma fraudulenta, seletiva e politicamente dirigida.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 12/08/2025, 10h:30
O caso mais recente é a sanção imposta ao ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Alexandre de Moraes, sob acusações forjadas e sem qualquer base factual. Trump tenta pintar a atuação do magistrado como de “censura à liberdade de expressão”, quando, na verdade, se trata de medidas judiciais para conter atentados à democracia e impedir a propagação de fake news — ações reconhecidas e respaldadas por decisões colegiadas da Corte brasileira.
O abuso do uso da Lei Magnitsky, denunciado pelo The Telegraph, não é um ato isolado: integra a cartilha autoritária de Trump, na qual instrumentos legais são distorcidos para intimidar opositores, chantagear governos estrangeiros e proteger aliados ideológicos. Essa mesma tática já foi aplicada contra diplomatas, líderes políticos e até jornalistas críticos à sua agenda, sempre sob o pretexto de “defesa da liberdade”, mas com alvos cuidadosamente escolhidos entre aqueles que se opõem à sua influência.
No caso brasileiro, o objetivo é claro: tentar evitar que o seu aliado – submisso politicamente – Jair Bolsonaro seja condenado por tentativa de golpe de Estado contra o vencedor das eleições de 2022, tentando minar a autoridade do STF e procurando enfraquecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a democracia brasileira. É um movimento perigoso, porque busca internacionalizar a pressão contra as instituições nacionais, subvertendo a soberania e dando voz, no cenário externo, à narrativas fabricadas pela extrema direita. Por mais esdrúxulo que possa parecer, as investidas de Trump contra o judiciário brasileiro contam com o conluio dos parlamentares da extrema direita brasileira, tanto na Câmara dos Deputados quanto do Senado. Um sinal claro de subserviência à Trump e aos EUA. Nem se menciona o fato do filho de Bolsonaro, Eduardo, recebendo salários pagos pelo povo brasileiro estar “exilado” nos Estados Unidos pressionando politicamente o judiciário brasileiro e o ministro Alexandre de Moraes em favor do pai. Eduardo ainda é acusado de traidor, de praticar crime de lesa-pátria, por se aliar à Trump na aplicação de tarifas aos produtos brasileiros. Se Eduardo Bolsonaro fosse um parlamentar americano e fizesse a mesma coisa contra os EUA, ele estaria sujeito à prisão perpétua ou mesmo ao fuzilamento. No Brasil ele, lá nos EUA, continua recebendo seu salário como deputado federal. Uma indecência.
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O que deveria ser um mecanismo ético e rigoroso de combate à tirania e corrupção, se converteu em uma arma de chantagem e coerção política de um líder autoritário, narcisista e abusivo. É o típico uso de uma lei nobre para fins ignóbeis — e o alerta que vem do The Telegraph é claro: se a comunidade internacional fechar os olhos para o desvirtuamento da Lei Magnitsky, amanhã o alvo pode ser qualquer nação que se recuse a se curvar às vontades da Casa Branca versão Trump.