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A prisão preventiva de Jair Bolsonaro já era prevista por qualquer um que acompanha, com um mínimo de lucidez, os desdobramentos da trama golpista que se arrasta desde 2022. O que talvez surpreenda é o estopim: uma “homenagem” encenada por Nikolas Ferreira, o garoto-propaganda da extrema direita performática, que decidiu brincar de provocador durante a última manifestação (03/08) a favor da anistia a Jair Bolsonaro.

Por PolitikBr I Brasília, Em 05/08/2025, 11h:41
O deputado mineiro — eleito com uma das maiores votações do país — resolveu ultrapassar todos os limites, inclusive os que restavam dentro do próprio campo bolsonarista, ao discursar durante a manifestação a favor de Bolsonaro no último domingo, atacando e desafiando o STF. Ele mais que dobrou e aposta em afrontar a justiça, a favor de se obter a impunidade ao ex-presidente.
“O réu Jair Messias Bolsonaro realizou ligação telefônica, por chamada de vídeo, com seu apoiador político e Deputado Federal, Nikolas Ferreira, demonstrando o desrespeito à decisão proferida por esta SUPREMA CORTE, em razão do claro objetivo de endossar o tema da manifestação de ataques ao Supremo Tribunal Federal”, escreveu Moraes.”
Um tiro no pé de proporções históricas
O ato teatral de Nikolas para aclamar um réu cercado por provas de tentativa de golpe de estado e corrupção durante a sua gestão foi tão grotesco quanto tentou ser estratégico. Mas o efeito foi o inverso do desejado: foi o estopim para a decretação da prisão de Bolsonaro.
A cena caricata, que poderia fazer parte de um espetáculo circense, foi interpretada como o que de fato foi: uma provocação descarada ao Poder Judiciário, uma tentativa de deslegitimar investigações em curso, desacreditar o Supremo Tribunal Federal e criar uma cortina de fumaça para pressionar o Congresso a aprovar a famigerada anistia.
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Só que a Justiça, ao contrário do que a extrema direita imagina, não é ingênua — e nem mais tolerante. Para tudo tem um limite. Até para a tolerância. Se eles planejaram insuflar as hordas, que ainda resta, dos apoiadores bolsonaristas prevendo, de antemão, a prisão de Bolsonaro, eles conseguiram. Entretanto, duvidamos que a maioria da população, se for consultada por sondagem, não aprove e até ache tardia a prisão, enfim, do ex-presidente.
Nikolas não é bobo
A estratégia é conhecida: provocar, criar crise, acusar censura, mobilizar a militância e se vitimizar. Mas o que Nikolas Ferreira não previu — ou fingiu não prever — é que o Judiciário já estava no limite de sua paciência. O ato simbólico do deputado foi a gota que faltava para configurar a obstrução descarada da Justiça por parte da base bolsonarista.
Ao fazer da manifestação palanque para idolatria a Bolsonaro, réu, Nikolas sinalizou ao Supremo que Bolsonaro continua sendo um perigo real, com articulação ativa, cúmplices no Legislativo e apoio internacional. Ou seja, continua conspirando.
E se alguém ainda tinha dúvidas sobre a necessidade de medidas mais severas, Nikolas eliminou qualquer hesitação. A prisão, que já vinha sendo amadurecida nos bastidores, foi precipitada por um ato de arrogância, ignorância e delírio autoritário.
A justiça tarda, mas não deve falhar
A prisão preventiva de Bolsonaro não é um ato de vingança, nem de censura, e nem perseguição. É a resposta institucional a quem tenta subverter a democracia com insultos e manobras parlamentares. Nikolas achou que fazia um show. Acabou protagonizando o prelúdio da derrocada do seu mito.
A Justiça não pode ser feita de tola. Não se pode permitir que zombem das leis, desafiem ministros em plena luz do dia e sigam impunes, protegidos por mandatos parlamentares e curtidas no Instagram. A prisão de Bolsonaro veio tarde — mas chegou.