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Trump Always Chickens Out ( TACO ). A política externa de Donald Trump está se tornando uma ópera bufa encenada em capítulos cada vez mais previsíveis. Depois de ameaçar, adiar, ameaçar de novo e desidratar o “tarifão” contra o Brasil, agora o governo norte-americano dá sinais claros de recuar ainda mais. Segundo informações da imprensa internacional, incluindo a Revista Fórum, o Brasil será formalmente chamado para negociar os termos do acordo comercial, algo que o próprio Trump jurava jamais fazer com o governo Lula.

Por PolitikBr I Brasília, Em 02/08/2025, 19h:00
É mais uma volta olímpica da retórica trumpista, que ameaça com um porrete, mas volta com o chapéu na mão, especialmente quando percebe que a realidade econômica interna dos EUA não comporta bravatas contra um dos maiores fornecedores de alimentos e minerais estratégicos do planeta.
Da ameaça à rendição: Trump dobra os joelhos ao pragmatismo
Trump tentou criar, com o tarifão, uma cena de guerra comercial para consumo eleitoral. O alvo escolhido: o Brasil, sob a liderança de um presidente progressista, reformista e com articulação global — o que para o trumpismo equivale a uma provocação. O problema é que, ao mirar Lula, Trump mirou também o café, o aço, a soja, o etanol, o avião, o suco de laranja e um cem número de outros produtos; uma longa lista cuja ausência poderia inflacionar a economia americana, já muito fragilizada.
Nos bastidores, grandes grupos empresariais, redes varejistas e importadores de alimentos pressionam o governo dos EUA a evitar um confronto que só trará prejuízos. O recuo é, portanto, uma rendição ao bom senso — ou ao bolso — travestida de gesto diplomático.
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Lula força a mesa de negociação: diplomacia que impõe respeito
Trump, que até poucos meses atrás vociferava contra Lula e se recusava a sequer mencionar seu nome em comunicados oficiais, agora autoriza o início de uma mesa bilateral, em tom de “parceria comercial”, com o Planalto. É uma nítida vitória da diplomacia brasileira e das articulações do grupo de senadores junto aos seus homólogos americanos, sem deixar de mencionar o papel do vice Alckmin, que apostou em firmeza, não em submissão. Lula não cedeu às ameaças e manteve o tom elevado nos fóruns internacionais — inclusive reforçando os laços com o Japão, a China, a Rússia e os demais países que fazem parte do BRICS+ — sem jamais fechar as portas para um diálogo racional com os Estados Unidos.
Essa estratégia, baseada em soberania, firmeza e maturidade, colocou o Brasil em posição de vantagem: agora, quem bateu na mesa com a mão fechada volta com a palma estendida.
Fim do blefe ou nova encenação?
Ainda é cedo para cravar que o imprevisível Trump irá mudar o tom em relação ao Brasil. Ele adora humilhar os seus homólogos presidentes, como fez com Zelensky e faz com frequência em relação aos fracos líderes (?) europeus, submissos aos EUA. Mas a altivez, a firmeza, a bagagem, o nome e a experiência em governar de Lula põe no chinelo qualquer grosseirão truculento, mesmo que travestido – infelizmente – de presidente de outrora uma das maiores e mais respeitadas democracias do mundo. Lula não é de se dobrar. Lula não se verga.
Trump pode transformar a negociação em um novo teatro, usar concessões como trunfo eleitoral ou mesmo romper os acordos em nome de uma provocação estratégica. Mas uma coisa está clara: o Brasil saiu da defensiva. E mais: se tornou peça central no tabuleiro que o trumpismo tenta jogar com ares de hegemonia perdida.
Para um país que até outro dia era comandado por um presidente que batia continência para a bandeira americana, o simples fato de ver Trump recuar e propor conversa já é sinal de que os tempos mudaram.