Magno Malta desafia Moraes: “Põe a mão em Bolsonaro. Tenta a sorte”

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Por Política em Debate I Brasília, Em 23/07/2025, 18h:10

Em mais um capítulo da escalada de provocações e bravatas no cenário político brasileiro, o senador Magno Malta (PL-ES) não poupou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em ataques diretos e desafiadores. Durante coletiva de imprensa da oposição na Câmara dos Deputados, Malta lançou a frase que já ecoa como um bordão perigoso:

A minha palavra ao tirano Alexandre de Moraes: põe a mão em Jair Bolsonaro. Põe a mão nele. Põe a mão nele e tenta a sorte. O azar você já tem”.

A provocação ocorreu na manhã do dia 21 de julho, poucas horas após o senador e parlamentares da base bolsonarista se reunirem com o ex-presidente Bolsonaro, que enfrenta rigorosas medidas cautelares determinadas por Moraes, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições severas às suas manifestações públicas e em redes sociais.

Medidas judiciais e guerra política

As medidas cautelares impostas ao ex-presidente Bolsonaro foram motivadas, na visão do judiciário, pelo fato que Bolsonaro violou as restrições anteriores a ele impostas, ao ser acusado de articular junto a seu filho Eduardo Bolsonaro sanção econômica de 50% dos EUA contra a sua própria pátria (que patriota é esse que se volta contra seu país?), e pelo risco de fuga ou refúgio em uma embaixada. Mas tudo isso Magno Malta esquece, assim como o bolsonarismo, que tem classificado como cerco, perseguição política e censura as medidas judiciais impostas pelo STF. Magno Malta, aliado histórico da família Bolsonaro, não só repudia essas restrições, mas ataca frontalmente o sistema judiciário que as decretou.

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Em um tom inflamado, Malta acusou Moraes de liderar um “consórcio” contra a direita e classificou as decisões do ministro como um processo “vil” e comparável a regimes totalitários. Ele chegou a afirmar que o Senado foi omisso e que “botamos na conta de Moraes aquilo que está na conta de todos”.

Além disso, o senador não poupou críticas a outros ministros do STF, como Carmen Lúcia e Gilmar Mendes, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apelidado de “comunista ideológico”, afirmando que o episódio revela um “conluio do STF com os ideológicos que dirigem o país”.

O recado e as consequências

Ao desafiar Moraes a prender Bolsonaro, Magno Malta aposta em uma postura incendiária que agrava a polarização e alimenta a retórica do vale tudo. Do golpismo. Em vez de buscar mediação ou o respeito às regras institucionais, escolhe o enfrentamento aberto e a ameaça a autoridades, com o objetivo de mobilizar a base bolsonarista contra o Judiciário.

A fala, que pode ser entendida como um convite ao conflito e à afronta à ordem legal, é um sintoma claro do esgotamento do bolsonarismo como força política institucional e sua inclinação para estratégias de ruptura.

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